terça-feira, abril 26, 2005

Cagando d'alto e com orgulho

Tripulantes

Portugal vê finalmente uma luz ao fundo do cú, desculpem, do tunel.

Cientistas amerdicanos descobriram bactérias que produzem 4 vezes mais hidrogénio a partir de matéria bio-degradavel.
Ora quem diz bio-degradavel diz Merda e quem diz hidrogénio diz pilhas de combustível e energia electrica.

Portugal poderá assim tornar-se no maior produtor de energia eléctrica da Europa (sim, porque nas Américas estão lá os amerdicanos).

A assembleia da República, o Palácio das Necessidades (que poderá finalmente ver reconhecida a riqueza do seu nome) e os vários Ministérios e órgãos de governação poderão finalmente contribuir para a riqueza do país.

Troquem-se as Centrais a carvão e a gás que tudo poluem e coloquem-se cagadouros produtores de energia electrica, colaborando sumultaneamente para a limpeza do país.

É também uma oportunidade única para a TM criar uma cadeia de postos de "Cague aqui e carregue o seu telemovel".

Imaginem os slogans:
- O cagar é uma actividade electrica.
- Conta da EDP elevada ? Cague nisso.
- Sem bateria no telemovel? Cague nisso.

Mais uma vez a TM está à frente do mundo e podemos dizer com orgulho que JÁ HÀ MUITO TEMPO QUE CAGAMOS D'ALTO.

quarta-feira, abril 20, 2005

"O Opus Dei, com menos de um século de existência, já bateu os jesuítas no ensino e todas as outras ordens religiosas na economia, na banca, no dinheiro, quais novos templários. O último Papa considerou-os e beatificou o seu fundador, Monsenhor Escrivá - das beatificações mais rápidas, surpreendentes e polémicas da história da Igreja Católica. Hoje, com Ratzinger elevado a Papa, o relógio do Vaticano acertou a hora pelo relógio do Opus Dei. Com Bento XVI, a «Obra de Deus» chega assim ao poder mais desejado". (de um artigo n´ A Capital)

Caríchimos irmaõz e irmãnz,

Eich enfim chegado o momento que tanto echperavam. Ach nochas orachões foram ouvidas por Deuch Nocho Chenhor e concheguimos eleger o Chanto Padre chuchechôr do anterior e a ele pochterior, num tempo record e chem chobressaltos. Chua Eminênchia o cardeal Ratjinger é o papa Bento XVI, por gracha do Echpirito Chanto e da Chanta Igreja Católica. Temoch por fim um papa que combateu na Chegunda Guerra no ejército naji, que é contra comunichtas, marchistas, liberaich, materialichtas, chochialistas e todos och que não comungam da fé crichtã. Ou não foche ele o nocho inquijidor-mor do Chanto Ofichio, chuchedâneo deche eminente archebispo Torquemada, que converteu milhares de ateuch ao crichtianismo, algunch até depoich de mortos. Ou não foche ele um defenchor da Opuch Dei, echa organijação que jela para que a Chanta Madre Igreja chiga de perto o poder político, económico e financheiro e com ele che confunda para melhor converter och infiéis.
Em nome do Pai, do Filho e Echpírito Chanto, echte papa é um echpanto!
Amén que che fach tarde.

quarta-feira, abril 13, 2005

Depois de ver os milhões de pessoas que assistiram às ezéquias do papa João Paulo II, do movimento internacional pela canonização do homem, dos milagres descritos pelos mais insignes crentes do fundamentalismo católico, da posição de ilustres membros da Opus Dei nas páginas de alguns jornais portugueses, decidi-me:
Sou totalmente a favor da canonização póstuma e urgente do defunto papa!
Querem saber porquê?
- O fim do comunismo, essa doutrina satãnica sobre a qual o profeta Onanias III vituperou na célebre pregação às ratazanas do rio Trancão em 2643 A.C.
- A expansão do vírus da sida à escala global, tornando os seres humanos mais iguais e mais despojados dos bens terrenos de luxo, como o uso do preservativo.
- A condenação silenciosa dos jesuítas que se oposeram à ditadura em S. Salvador, e que atingiu o auge com a eliminação física (não assassinato) do arcebispo Oscar Romero em plena missa, satãnica com certeza.
- O apoio ao general Pinochet, o maior contribuinte cristão na eliminação (assassinato não) dos fracos e oprimidos no Chile.
- O apoio a Suharto na Indonésia, o que permitiu a eliminação (nunca assassinato) de milhares de satãnicos timorenses.
- Ter escapado a vários atentados do Demónio, que como sabem não gosta de papas.
- Ter condenado o aborto, o que permitiu haver tanta gente no seu funeral a agradecer ter escapado a uma morte horrorosa. Só os bandalhos que morrem à fome em África ou que sobrevivem nas favelas da América Latina é que são mal agradecidos. Nem puseram os pés no Vaticano!
- O martírio da entubação que sofreu, qual S. Pedro crucificado de cabeça para baixo assando na fogueira!
Estas razões são mais que suficientes para me convencer.
Já agora, proponho a canonização do mártir Santana Lopes pelas facadas nas costas, tal qual S. Sebastião (aqui foram setas, estúpido!), a canonização de Cavaco Silva, Guterres, Durão Barroso e Paulo Portas por terem feito o milagre de transformar em merda 99.000 km2 de território, e por fim proponho a minha própria canonização por fazer milagres a esticar o ordenado para que eu e a minha família não ardam nas fornalhas do inferno, e já agora a canonização de todos os portugueses mártires que têm a infelicidade de serem portugueses e viverem em Portugal, e que apesar de alguns não terem culpa nenhuma do estado a que isto chegou também devem pagar por isso, pois só assim é que chegam a mártires.

segunda-feira, abril 04, 2005

Contradições? Bah!!

O post anterior levanta legítimamente algumas questões que, na minha modesta opinião importa reter, esclarecer e discordar.
Continuo a assumir que os EUA são de facto um país de grandes contradições, pois estamos a falar num império que estendeu pelo mundo inteiro o seu modo de vida, que assenta no dinheiro, no poder do dinheiro, no controle do dinheiro, a todo e qualquer custo. Muito antes desta globalização já existia o american way of life, com as calças levi´s, os macdonalds, os cigarros marlboro, a coca-cola, as mamas da Pamela Anderson e os músculos do Schwarzemerda. Por muito que nos custe continuamos a viver segundo os padrões de consumo em que assentam as teorias americanas do uso, posse e crescimento do dinheiro. E raramente pomos em causa essa forma de vida, pois até nos dá um certo jeito... A penetração global americana tem aqui uma soberba auto-estrada.
É evidente que aquele país antes de existir foi um território dividido entre colonialistas europeus (ingleses, franceses, espanhóis), que levaram até lá a sua filosofia de conquista que assentava no extermínio dos índigenas para melhor sugarem as suas riquezas. Esta prática não foi exclusiva no continente americano, também foi posta em prática na Ásia e em África, aqui com o privilégio de sermos o primeiro país do mundo a exportar escravos negros para a América. A nossa contribuição também foi importante...
A América nasceu da merda europeia, e a merda que de lá sai para o mundo inteiro é descendente directa dessa merda. Os nossos genes estão lá todos.
Não existe comparação possível entre a forma de fazer cinema de Eastwood e a de Michael Moore, nem é isso que está em causa. Moore serve-se do cinema para mostrar a América que se esconde por detrás das suas fachadas, Eastwood faz, apenas, bons filmes. Alguns até muito bons.
Moore simpatiza com o Partido Democrata, Eastwood milita no Partido Republicano e faz um filme cujo conteúdo nada tem a ver com as suas preferências políticas, antes pelo contrário. E isto é, na minha modesta opinião, uma inegável contradição, tal como seria contraditório Michael Moore vir a público atacar a eutanásia ou o aborto, ou defender as virtudes da família Bush.
A política americana assenta, de facto, no embuste, na falsificação e na mentira. Qualquer coisa boa que de lá venha deveria ter o benefício da dúvida, ou seja, isto é muito bom, mas... não estarei a ser manipulado? E estarei a ser manipulado por Woody Allen? E por Michael Moore? Será que tudo isto faz parte de um plano de subjugação das descrentes mentalidades europeias à globalização ideológica americana? O país que invade o Iraque, que cerca Cuba, que massacra no Vietname, só pode produzir energúmenos como Bush, aventesmas como Cheney, alimárias como Michael Jackson, raspas de vómito como Charlton Heston? Não pode parir essas coisas sublimes que dão pelo nome de jazz e rythm & blues, escritores como Truman Capote ou Chandler, políticos como Luther King, actores como Pacino ou De Niro, cineastas como Ford, Copolla, Allen, e (foda-se) Michael Moore e Clint Eastwood?
O facto de eu gostar de um bom filme americano faz com que me estejam a pôr uma venda à frente dos olhos para não ver a realidade que se esconde nesse meu gostar? Estarei, como espectador, a ser cúmplice dos assassinatos cometidos pelos americanos em nome do poder do dinheiro?
Ou andamos já todos paranóicos e cagados de medo como a maioria dos americanos ou os peregrinos de Fátima e Vaticano?
Prometo voltar a este assunto aqui mesmo, isto dá pano para mangas.

PS: Charlton Heston, que eu saiba, nunca foi actor ou cowboy digno desse nome, mas sim um execrável Moisés nos 10 Mandamentos e em mais não sei quantos filmes biblicos insuportáveis. Salvam-se alguns (poucos) filmes de ficção científica onde fingiu ser actor.
Pelo contrário (estas contradições são fodidas!) John Wayne foi um excelente actor de filmes de cowboys (e não só), alguns até entre os melhores de sempre, e apesar de ter pertencido à fascista Legião Americana, recordo com saudade alguns dos seus filmes que via quando era puto.
Sobre o medo americano recomendo o excelente filme de M. Night Shalyaman A Vila, que já aqui falei num post anterior.
Deixo aqui três filmes de Clint Eastwood dos quais gostei e nem por isso me senti tentado a mudar a minha forma de pensar: Bird (sobre a vida de Charlie Parker), Imperdoável e Um Mundo Perfeito.
Para esclarecimento, o canal da TV Cabo AXN passa às 2ªs, 6ªs, sábados e domingos o programa A América de Michael Moore, produzido, realizado e apresentado pelo próprio. Penso que o programa passa depois da meia-noite com repetição pelas 16:00h.
A não perder, até pela forma como Moore se serve da linguagem televisiva do espectáculo para denunciar e criticar. Contradições? Bah!

sexta-feira, abril 01, 2005

MICHAEL MOORE....SEMPRE !

Na hora em que o Papa se apresenta moribundo, depois de ter contribuído decisivamente para a queda estrondosa da antiga URRS de má memória, elevando aos céus a América do farwest num império absoluto de economia global.....
Na hora em que a equipa das quinas se vê em palpos de aranha para ganhar uns joguitos...
Na hora em que entra em vigôr o denominado novo código da estrada, com toda a genética baforenta do ADN fascizóide, tendo os ancestrais gênêrês como garante da perpetuação do atrasadismo nacional....
Na hora que tarda em passar...
É nesta hora que apanhamos com a leitura de uma ode ao quase perfeito, tendo como pano de fundo mais um filme amaricano, que até ganhou os prémios mais cobiçados pelos pato-bravos de Hollywood, e dado por esses mesmos.
Tenho como verdade que o Million Dollar Baby é de facto um bom filme e que o Clint Eastwood o que tem produzido e realizado pode ser considerado como de muito bom, embora me penetencie pelo fraco conhecimento que tenho da sua obra.
Agora que alguém se espante pela "terra de contradições" que se dá pelo nome de EUA, América para quase todos, isso aí já me preocupa.
Vejamos apenas para aguçar os espíritos: Será que os EUA são mesmo uma "terra de contradições"?
Digam-me onde há contradição, mesmo ao de leve que seja, na história dum país de história recente em que a sua origem, como país, se deve à conquista a tiro, facada e pulhice de gentes sem instrução, muitas das vezes escorraçados de países com culturas e pensamento evoluído, que começando por exterminar com os naturais seres humanos que habitavam essa parte do planeta Terra, os Índios, deram continuidade plena ao negócio da escravatura humana como meio a custo mínimo de enriquecer os mais dignos representantes do piorio da raça humana!
Digam-me onde há a mais pequena contradição na sequência lógica do anti-natural que serve de guia aos desígnios dum país em que, custe o que custar em vidas humanas e jogos sebentos de aldrabice pelo recurso à força, o poder do dinheiro é factor primeiro e único para justificar os meios. Acho desnecessário descrever esses factos, bastando apelar à memória, mesmo que fraca, das inumeras desgraças criadas em toda a América do Sul, Cubas, Iraques...
Digam-me onde há a mais ténue ponta de contradição na reeleição do jumento apelidado de Bush filho depois de ter havido um Bush pai e todos os outros iguais só que com outros nomes de família...
Poderia ir por aqui fora, mas por ora chega, pois apenas quero deixar claro que, lá por aparecerem uns quantos que, sendo naturais desse país, têm a coragem e o poder de demonstrar o que muitos não querem ver, não significa e muito menos justifica dizermos que os EUA são um país de contradições.
Mentira absoluta e embuste criado na amálgama do confusionismo reinante nestes tempos, aliás, demonstradamente aceite como um dos parametros fundamentais para criar e manter essa capa de garante da "liberdade libertina", qual Vaticano Papal.
O que é, vem, aparece, nasce, se alimenta, cresce ou desenvolve na panela dos EUA é MERDA, qualquer que seja o embuste em que se veste.
Ao Clint Eastwood falta-lhe o não ser dos EUA para que eu lhe batesse palmas e dissesse obra-prima. Não apenas por isso, mas principalmente porque não é assim tão exemplar e directo na simplicidade de nos pôr à frente dos olhos o óbvio: a merda dessa sociedade nojenta! E não apenas no âmbito do tão bem retratado no seu filme, mas também em tudo o que o envolve, nas muitas facetas que um Papa que nunca existiu, pelo menos desde que eu existo, deveria ter dito e actuado como missão única e suprema do seu reinado, mesmo sabendo que tal apostolado lhe daria por certo o inferno.
Mas, do mal o menos, ainda bem que existem e aparecem estas poucas execepções, a maior das quais, na actualidade se dá pelo nome de Michael Moore. Este sim, que nú e crú, mostra em simples linguagem o de mais pôdre está na origem duma sociedade denominada EUA. Ao ponto de levantar suspeitas de como é possível fazê-lo e continuar vivo.
E já agora, pode ser uma falha minha, mas o fulano que o Michael Moore apresentou ao mundo como sendo um digno representante do diabo, não foi o Clint Eastwood mas sim o também cowboy do farwest Charlton Heston.
Ou estou falho de conhecimento ou o tal embuste que a larga maioria de gentes dos EUA criam e alimentam é tão poderoso que até levam alguns que eu dou como esclarecidos a dizerem "país de contradições".
Sugiro, e já agora porque não utilizar um dos recentes instrumentos que os EUA criaram para dominar os papalvos, a consulta do site www.michaelmoore.com na internet.
E que apareçam rápidamente e em força muitos mais Michael Moore !
Por coincidência fui ver Million Dollar Baby no dia da morte de Terri Chiavo.Saí do filme emocionalmente arrasado mas de alma cheia por ter o privilégio de ter assistido a uma obra-prima, coisa rara nestes dias. Não falo dos magníficos actores principais (Clint Eastwood, Hillary Swank, Morgan Freeman), na realização sóbria, simples e sensível de um realizador (Eastwood) que não sabe fazer maus filmes, mas, que raio!, afinal quem é o republicano Clint Eastwood que ameaça correr a tiro Michael Moore se o apanhar a filmar à sua porta, e que nos dá neste filme um retrato humano e radical do problema da eutanásia, sem esquecer aquela América profunda, ignorante e racista que raramente vemos em filme mas que está tão presente na figura real e caricata do presidente Bush?Eastwood disse mais num só filme do que Michael Moore em dez, sem retirar mérito a este último.De facto a América é um país de grandes contradições...

quinta-feira, março 31, 2005

O futuro sempre foi motivo de preocupação lá em casa. De modo que depois de muitas voltas à cabeça chegámos à conclusão que alguém teria de olhar pela família. Mas foi quando o Arturzinho partiu o vidro da janela do vizinho a jogar à bola que tomámos uma resolução: o Arturzinho seria craque de futebol e o futuro da família estaria garantido.
É claro que o moço iria precisar de treino e orientação. Assim, o tio Augusto virou treinador, a avó Urzelina manager, a prima Leonor massagista, e eu pau para toda a obra. O Arturzinho levou o seu papel tão a sério que deixou crescer o cabelo e comprou uma fitinha para impedir que este lhe tapasse a visão durante os jogos. O tio Augusto, como treinador, ensinou o rapaz a cuspir para a relva tal como os craques de futebol, a chamar filho da puta ao árbito em directo para a TV, e a atirar-se para o chão a guinchar mal sentisse um sopro do adversário. Mas havia um problema: o Arturzinho não tinha equipa. O tio Augusto sugeriu que o rapaz se inscrevesse na equipa de futebol cá do bairro para começar, mas o resto da família criticou a falta de ambição do tio, o Arturzinho como craque que era devia começar pelo Benfica, Sporting ou Porto para chegar depois a um grande da Europa, como o Real Madrid ou o Manchester United. Fomos então falar com o tio Tomás, rei do Cimento Armado, que fizesse valer a sua influência no mundo do futebol, e a prima Leonor, já nessa altura assediada pelo tio, deu uma ajuda com as suas meiguices. Assim foi: o Arturzinho foi prestar provas no Benfica e mal lhe passaram a bola, o rapaz mostrou todo o seu valor ajeitando a fitinha do cabelo, cuspindo para a relva e atirando-se ao chão a guinchar agarrado ao tornozelo. Não sei bem o que se passou então, mas o tio ameaçou retirar todo o capital investido no clube se o Arturzinho não ficasse no Benfica (creio que nesta parte a prima Leonor também deu uma ajuda preciosa). As conversações foram longas e intermináveis, com muitos murros na mesa, muitas ameaças, muitos uisques e muitas gajas noite fora, mas por fim chegou-se a um acordo: o Arturzinho seria cedido a título de empréstimo ao clube cá do bairro para ganhar rodagem, e depois logo se veria. Mais: o moço teria de jogar sempre na equipa principal senão o tio Tomás deixaria de pagar o subsídio ao clube (mais uma vez a querida prima Leonor!).
Foi uma época de futebol alucinante: o clube do bairro desceu de divisão só com derrotas, os sócios apedrejaram o 1º treinador, o 2º fugiu e o 3º suicidou-se. A direcção demitiu-se em peso depois uma assembleia com tiroteio e tudo, e o clube ficou em autogestão. Mas o Arturzinho lá se safou: marcou cinco golos em toda a época, só que na própria baliza. Depois de tudo isto, o tio Tomás retirou o subsídio ao Benfica que desde então nunca mais ganhou um campeonato, o clube do bairro transformou-se em bordel do bairro, e o Arturzinho viu finalmente subir a sua cotação para 500 mil euros, vivo ou morto, prémio pago por subscrição dos ex-sócios do clube e de alguns sócios do Benfica.
Não sei onde pára agora o Arturzinho. Se o apanhasse o futuro da família estaria garantido, 500 mil euros não são de deitar fora. Mas quem se safou muito bem foi a prima Leonor com o tio Tomás, mas isso já é uma história antiga.

quinta-feira, março 24, 2005

Continuando em poesia...sigam o link

domingo, março 20, 2005

Dia Mundial da Poesia

Para comemorar condignamente este dia:



Lição de História Pátria

Sabias - disse-me ela fazendo-me a punheta -
que muito valentão entala a costeleta
e que entre os nossos reis, valorosos guerreiros,
muitos houve que foram famosos paneleiros
que entre duras batalhas e esforçados trabalhos
recheavam o cu com túrgidos caralhos.
Sabias por acaso que o primeiro Pedro, o Cru,
mais que a foder gozou indo levar no cu?
E que o primeiro Afonso que à mãe não perdoava
se deixava montar por Fernão Peres de Trava?
E quantos, ah! ó quantos grandes deste país
fizeram do cu vaso para meter a raiz?
Cuidado! gritei eu afagando-lhe o lombo -
faz isso com mais calma que os colhões não são bombo.
Desculpa - disse-me ela. - Depois continuou
revelando-me a rir que o seu próprio avô
que morrera com fama de grande putanheiro
passara toda a vida a levar no traseiro.
E a Igreja? - gritou - Do padre ao cardeal
toda ela se entregou à banana fatal
e a esse mesmo fruto que faz de um cu vulcão
se entrega toda a cáfila que governa a nação :
ministros, secretários e directores-gerais
todos abrigam pichas nos albergues anais...
E safou-se Salazar de ser também rabicho
porque nesse momento gritei e vim-me em esguicho.

Fernando Correia Pina

quinta-feira, março 17, 2005

Todas as noites, depois do jantar, a avó Urzelina ia caçar baratas. Sentava-se na cadeira de balanço com a caçadeira ao colo, e fumava longas cachimbadas de cannabis durante a espera. É claro que as baratas mais experientes nunca apareciam nestas alturas e a avó acabava por adormecer no seu posto de vigília.
Um dia, quis o destino que o Rodas Baixas nos visitasse depois do jantar. Confundindo-o com uma barata, a avó despejou o carregador em cheio no desgraçado que além de ficar crivado de chumbinhos dos pés à cabeça, ainda encolheu seis centímetros. O Rodas Baixas era um sujeitinho picuínhas, pequenino, oportunista e lambe-botas de profissão, que estava sempre onde não parecia estar e desaparecia sempre que alguém dava por ele. Não admira, por isso, que a avó Urzelina o confundisse com uma barata.
Ferido no seu orgulho, o Rodas Baixas resolveu pedir uma indemnização porque naquele estado não poderia concorrer à liderança do partido. O tio Augusto respondeu que o partido já tivera chefes bem piores, tais como o Algarvio Cuspidor, o Fugitivo Durex ou o Mete-e-Tira da Lapa e sempre sobrevivera. Mas o Rodas não estava pelos ajustes. Meteu-nos a todos a tribunal (incluindo o papagaio Meireles).
- Não se preocupem, disse o tio Augusto. - O filósofo vai resolver isto num instante.
O certo é que o filósofo assim que soube do sucedido ameaçou aumentar os impostos e promover a venda livre de papel higiénico em todas as retretes públicas.
Por estranho que pareça, o Rodas Baixas concordou, retirou a queixa, e ainda nos indemnizou pelos danos sofridos. Cheios de guito, fomos logo todos em peso depositar o maná no Banco Espírito Santo Amén, muito na berra por ser um antro de depósitos monetários de pessoas muito importantes como El General Pinochet, herói da luta contra a alergia vermelha e extreminador de gentios. Qual não foi o meu espanto quando encontrei na fila de espera o Diogo, o Adriano, o Paulinho e a Zézita, todos com a massa na mão!
Este Banco é o máximo! Se El General pôs aqui o seu dinheiro nós também vamos pôr.
Mas o Diogo estava a surpreender-me. Teria voltado ao passado? Onde estavam as suas opiniões sobre política externa do Texas, que lhe valera uma promoção a ministro? Perguntei-lhe se o que se estava a passar não seria fruto da minha imaginação.
O Diogo chamou-me à parte e sussurou-me ao ouvido: - Não te metas em política, meu filho. Deixa isso para os políticos e para o filósofo, e toma cuidado para não teres o Rodas Baixas outra vez a morder-te os calos!
Depois de depositarmos o dinheiro, que nos daria para mais 3 semanas de sopa de cebola, recolhemos à nossa humilde casa de tijolo. Como sempre o tio Augusto refugiou-se no sótão, do qual só sairia na véspera do Natal, a avó Urzelina regressou à sua labuta diária de caçadora de baratas, e o Rodas Baixas afinal sempre se candidatou à chefia do partido. Como se tudo isto não bastasse, o Mete-e-Tira da Lapa ocupou o seu antigo lugar de presidente do Clube Malcheiroso da Latrina, cargo que tinha abandonado há uns meses para chefiar mais uma nobre equipa de saqueadores e violadores, entretanto demitida por falta de excessos.
No meio de tudo isto e das maminhas da prima Leonor, cá vou tentando perceber o que está a acontecer, se sou eu que sou estúpido e não percebo patavina, ou se essa coisa da política é mesmo só para os políticos, essas pessoas iluminadas que saiem sempre bem das confusões onde se metem.
Só não entendo o que se passa com o papagaio Meireles desde que fizemos o depósito na Banco Espírito Santo Amén. Passa os dias a cantar a Marselhesa e quando à noite a avó Urzelina acende o seu cachimbo de cannabis, o bicho fica passado e só grita com a sua voz esganiçada:
- 25 de Abril sempre! 25 de Abril sempre!

quarta-feira, março 16, 2005

OLHÓ PASSARINHO !

Acabadinho de tomar posse, o governo da nação, ainda com os fatos e gravatas a cheirarem a naftalina, e já um dos seus investidores principais, ou melhor, o respeitável figurante dos tipos da massa, vem de recados cheio apregoar, sem que os democratas zés o tivessem investido para tal, que a economia precisa de sacar mais patacas eurísticas aos ditos zés, principalmente porque são a maioria, os zés ninguém.
Em tempos de que ainda me recordo, tal figurança era respeitado pelas posições que se alinhavam com a demonstração da podridão do regime do estado novo, sendo motivo para esgotar num ápice as edições das poucas revistas que, a custo, teimavam em denunciar veladamente o que todos sabiamos, dando então o alimento indescutível para, dum ponto de vista económico, mais afundar o tal regime.
Chama-se, e os bois também têm nome, sem ofensa para os ditos animais, de Vitor Constâncio.
E é ele que, qual profeta da verdade do momento, qual máquina de estrumar o campo da chafurdice, vem já e agora, com pompa e circunstância em jornais e nas tv´s, apregoar que as estradas deste país têm de se alimentar dos tais zés ninguém com mais impostos sobre tudo o que tem umas rodas para andar, a não ser que o pessoal queira pagar mais portagens.
Então, óh profeta do presente, óh magnânime inteligência, óh eminente fecundador, será que o menino não sabe que as instituições bancárias e seus derivados, são os maiores enche papos desta frágil economia? E é ele o presidente do banco de Portugal.
Então óh estrela cadente do conhecimento, óh sápia mente do obscuro, óh reluzente candeia, será que o menino não sabe que a fuga ao fisco e as mafias que de tal se servem estão aí, impunes, de lei feita e assinada, enchendo a cada minuto da vida deste país mais chorudas contas nas tais instituições bancárias cá dentro e lá fora? E é ele o presidente do banco de Portugal.
Então óh sábio da virtude, óh robin dos bosques da família socialista, óh encartado do dever com assinatura reconhecida, será que o menino não sabe que a nossa economia caseira passa pelos mesmos que, ad seculorum, perpetuam a queda permanente em velocidade constante duma economia nefasta e de merceeiro de tabanca? E é ele o presidente do banco de Portugal.
Então óh eloquente orador da verdade, óh mestre dos mestres, óh sapiência suprema, o menino não sabe que este grupelho de zés ninguém acabam por ser pouco mais do que dois milhões e meio de almas penadas que, por infortúnio ou pouca sorte ou estúpida necessidade, são de todos os poderes conhecidos e refúgio das chicotadas económicas com que se deliciam os tais outros meninos, nesta amálgama sado-masoquista de que quanto mais me bates mais desejo te morder mas não consigo? E é ele o presidente do banco de Portugal.
E ainda bem, digo eu, que a história de merda desta coisa à beira da falência por mais de oito séculos se mantém perpetuada e com os dignatários dessa memória sempre "bué de fixes"!
Quem o viu e ouviu, quem o ouve e o vê agora!
A mim tal não me espanta. Antes ficaria espantado se de outra forma se comportasse, o tal menino. E os tais meninos deste governo acabadinho de se instalar. Deste de agora, dos outros que lhe antecederam, e pior que tudo, daí a minha permanente indignação, de todos os que, para mal das minha poucas virtudes, ainda vou ser obrigado a aturar enquanto por aqui andar vagueando.
Por isso digo, em absoluto português que na primária me obrigaram a conhecer: PUTA QUE OS PARÍU ! A todos. Ponto no passarinho!

segunda-feira, março 07, 2005

O tio Tomás era visita lá de casa pelo menos uma vez por semana. Fascinavam-me os seus dedos gordos cheios de anéis de ouro, o seu brilhante alfinete de gravata, os seus fatos cinzentos, a sua careca luzidia, o segundo queixo proeminente, o seu bigodinho estilo escova de dentes por estrear, o seu cheiro a água de colónia, o seu hálito a whisky velho e os seus charutos mal-cheirosos grossos como pepinos. O tio Tomás tivera êxito na vida, chamavam-lhe o Rei do Cimento Armado, ao contrário dos seus familiares próximos, todos nós, a vivermos na humilde casa de tijolo onde só se tomava banho quando chovia lá dentro.
Sempre pensei que a única razão da visita do tio Tomás tinha qualquer coisa a ver com a prima Leonor. A prima Leonor era visita constante nos meus sonhos húmidos de adolescente, onde eu fazia longas corridas de motocross subindo e descendo pelas curvas do seu corpo e despistando-me nos seus refegos. Era a minha musa secreta, o caudal do meu rio de lava incandescente.
O tio Tomás tomava-a nos braços gordos, sentava-a no colo elefantino, e prometia-lhe colares de pérolas do Japão e diamantes africanos, carros de luxo descapotáveis, casas palacianas com grades de pontas douradas e estátuas de duendes no jardim, casacos de pele de animais extintos, manjares exóticos em cruzeiros tropicais. A prima Leonor ouvia tudo com muita atenção, e o tio Tomás aproveitava para lhe meter a manápula por debaixo da saia, ou espreitar pelo decote atrevido. A este assédio descarado ela respondia sempre que ia pensar, lançava ao tio Tomás um sorriso provocador e afastava-se bamboleando as coxas e o traseiro deixando-nos a suar frio e com a baba a escorrer ao canto boca. Nessas alturas o tio choramingava a sua infelicidade e solidão, que felizes éramos nós que viviamos numa espécie de condomínio fechado sem preocupações, e com a prima Leonor por perto, e ele um escravo do trabalho, detentor da mui nobre função de transformar o país num moderno e magnífico bloco de betão armado. Depois ia embora, adeus até para a semana, largava algumas notas em cima da mesa da cozinha e dizia à tia Umbelina, olha compra lá uns soquetes à miúda, coitada, e afastava-se ao volante do seu Mercedes preto de luxo, enquanto nós ficávamos à porta a vê-lo ir embora, sem um aceno de adeus ou esgar de saudade. Mal o Mercedes desaparecia no horizonte corríamos todos para a cozinha onde o tio Augusto já estava a contar as notas, a ordená-las por ordem crescente dos números de série, e a colocá-las no seu album de coleccionador, ocupando os espaços vazios referentes aos números de série em falta. Depois mostrava-nos toda a colecção, milhares de notas 10, 20, 50 e 100, um deleite para os olhos. O tio Augusto, o tal que pensava até a cabeça quase rebentar, dava assim o seu devido valor ao dinheiro, embora a tia Umbelina lhe surripiasse algumas notas da colecção em tempos de maior crise e carência. O que sei é que ao longo dos anos a colecção de notas aumentou considerávelmente à custa do tio Tomás e das curvas da prima Leonor, até esta finalmente aceder casar com o tio, já doente terminal com apenas algumas semana de vida. Herdeira de uma considerável fortuna, a prima Leonor ocupa agora o seu tempo livre em entrevistas sobre a sua última lipo-aspiração, deixando-se fotografar com rapazinhos imberbes e semi-nus para as revistas do jet-set. A menina curvilínea e inocentemente provocante da minha juventude transformara-se numa matrona ninfomaníaca de pele esticada conhecida pela Raínha do Cimento Armado.
O tio Augusto desapareceu um dia mais a sua colecção quando o SIS começou a investigar a falta de notas em circulação, e hoje, ao fim de tantos anos, interrogo-me se afinal o tio não seria o principal responsável pelo défice das contas públicas. É que sendo eu um familiar próximo, vejo o meu salário diminuir mensalmente à custa da sobrecarga fiscal, enquanto o país caminha para o progresso transformando-se dia após dia num bloco de cimento armado.

quinta-feira, março 03, 2005

Lembro-me como se fosse hoje, a casa de tijolo, o quarto com a cama grande onde dormíamos todos os sete, a cozinha com o soalho esburacado dos tiros de caçadeira que a avó Urzelina usava para caçar baratas, a sanita no meio da sala de jantar com o cestinho das revistas Caras e Ola, o peciché com a dentadura da prima Lurdes no copo de água, a imagem da senhora de Fátima com meio metro de altura e vesga de um olho desde que o Arturzinho o vazara num dos seus treinos de tiro ao alvo, a cave onde apanhávamos o metro para Tegucigalpa, o sótão...
No sótão vivia o tio Augusto, no meio de novelos de cotão e teias de aranha, posters de vaginas de todos os tamanhos colados nas paredes, fotografias da esposa, a nossa tia Ossétia, falecida quando o meteoro a apanhou em cheio no mesmo dia em que tinha ganho a lotaria. O tio Augusto tinha alguma engrenagem mal oleada no cérebro pois quando se punha a pensar, e era talvez o único membro da família que pensava, a cabeça inchava-lhe como um balão até quase rebentar, e depois pegava-me pelos colarinhos e despejava toda a confusão em forma de palavras até a cabeça ficar do tamanho normal. E falava sem parar com a boca encostada ao meu ouvido esquerdo, e dizia
"Estão todos enganados. Todos! Estão à espera de quê? D. Sebastião já se perdeu entre traições a Viriatos e manhãs de nevoeiro, não há nada a fazer. Afonso Henriques meteu a mãe na cadeia por causa da posse de um latifúndio, Cabral enganou-se e chegou ao Brasil arrastando consigo gerações de escravos africanos. Maltrapilhos e criminosos condenados arrastaram-se pelas costas de África e Ásia deixando as suas marcas de sangue por entre as pedras, D. Dinis plantou um pinhal sem contar com os incêndios séculos mais tarde, D. Pedro elouqueceu de amores por uma Inês castelhana, tragédia que atravessa a história tornando a história uma tragédia.
Para este povo tomar o destino nas suas mãos tem de cair na merda mais mal cheirosa, não lhe chegam as bordas da latrina. Foi assim em 1383, foi assim em 1640, 1910, 1974. Os nossos avós andaram a preparar a cama onde agora nos deitamos com os castelhanos, com os ingleses, com os franceses, com os alemães, com os americanos, com eles sempre por perto, a controlar as migalhas que excepcionalmente nos deixam esgravatar do chão, e foi assim quando as riquezas vindas do Oriente engordavam comerciantes que nem à Trafaria iam de barco, que as inquisições nos impediam de pensar noutras coisas senão o medo, o medo sempre presente, o medo do louco João VI e da sua horrível mulher que só de olhar para ela Napoleão teria desistido na 1ª invasão, e nem os ingleses nos impediram de cerrar fileiras na campanha da Rússia ao lado do Grande Chefe, imaginem só, invadidos e soldados no exército invasor, invasor que por cá deixou idéias estranhas de igualdade, liberdade e fraternidade. E em 1755 quando a terra se chateou deste país e o Marquês eliminou sádicamente as forças de bloqueio dos Távoras e expulsou a padralhada para o Brasil. E uma vez mais esta sina de tudo perder quando se tem tudo à mão, esta sina de alimentar pastorinhos, salazares e seus sucedâneos pós-74, esta sina de vazio monarco-republicano que nos come a alma, que nos torna mesquinhos e com aspirações a pato-bravo cheio de notas para encher sacos azuis, que nos torna tão vazios que qualquer Inês de Castro ou Frei Luís de Sousa inspira um triste fado de exportação, único produto genuíno que espanhóis, ingleses, franceses, alemães e americanos não podem absorver. É este o nosso engano, o nosso inferno..."
E o meu tio calava-se de repente, ofegante, com a cabeça vazia e já estável, e recolhia à escuridão do seu sótão, no meio do cotão, teias de aranha, vaginas e fotos da tia Ossétia.
E hoje compreendo como o inferno de que falava o tio Augusto se confundia com a sua própria lucidez.

quarta-feira, março 02, 2005

E será possivel deGLATir ESHTE ensino?

Sob este título vou evacuar algumas considerações sobre o ensino em geral e o desta escola em particular.

Creio que a maior parte dos alunos escolhe um curso por 3 razões:
1 - Parece-lhe que vai gostar daquilo;
2 - Parece-lhe que aquilo está na moda e vai dar bué de $$$;
3 - É onde estão a maior parte dos amigos.

Depois começa o curso!!.
Como é o "ensino superior" tem talvez esperança que os professores sejam melhores, que a arbitrariedade de critérios de classificação seja menor, que a qualidade do que é ensinado esteja adaptada à realidade das condições de trabalho que irá encontrar no mercado e outros sonhos. Só que, em muitos casos vai encontrar um PESADELO.

Que tal um director de curso que não fala com os alunos (ou pelo menos com algumas turmas/anos), que nem sequer fala aos alunos quando se cruza com eles;
- é óbvio que isto é útil no futuro - para que os alunos aprendam que os seus futuros chefes se estão cagando para eles ou então só se interessam por um subconjunto dos seus empregados - os lambe botas.

Que tal um director de curso que convida os amigos, familiares, colegas partidários, etc. para dar aulas quando eles não têm competência ou conhecimentos para, sequer, dar aulas ao 1º ciclo;
- é óbvio que isto é útil no futuro - para que os alunos aprendam que a ascenção na carreira nada tem a ver com a competência, a qualidade de trabalho, mas depende essencialmente daquilo que é real: a besta do sobrinho do patrão é melhor; o incompetente do colega do partido é melhor, etc.

Que tal professores que ficam muito ofendidos quando se lhes pergunta quais os critérios de avaliação e, em vez de considerar os trabalhos efectuados, a assiduidade e a participação, justificam-se com um "porque tem um ar porreiro", "porque não despe o casaco", etc.
- é óbvio que isto é útil no futuro - para que os alunos aprendam que a sua avaliação pelos chefes no trabalho não depende de pontualidade, trabalho realizado, etc.

Que tal professores que pedem trabalhos com o objectivo de os utilizarem na sua empresa e em seu nome;
- é óbvio que isto é útil no futuro - para que os alunos aprendam que o trabalho que eles fizerem no emprego será "apropriado" pelo seu chefe (ou pelo colega que é amigo do chefe) e apresentado ao director sem referir quem o realmente fez.

Portanto não admira que a sociedade esteja mal - se as raizes e os conhecimentos que são dados aos alunos são desta qualidade, então ela só poderá piorar.

O caminho possível: fazerem aquilo que deverá ser apanágio da juventude - pôr em causa; criticar; impôr qualidade.
O futuro é da juventude actual e se não tiverem a preparação e as ferramentas para o tornarem melhor então cada vez mais seremos o caixote de lixo da CE.

Então até à próxima aula.