quinta-feira, janeiro 26, 2006

Se já não os aguentas, toma lá música!


Contra os discursos dos vencedores e as desculpas dos perdedores, contra as bocas da Moura Guedes e a verborreia líquida do Pacheco Pereira, contra as previsões do Constâncio e os comentários do Delgado, contra as interrupções do Sócrates e os silêncios do Cavaco, contra as falácias do Rebelo de Sousa e as plásticas da Lili Caneças, contra as bichanices do Castelo Branco e as piadas do Alberto João, contra os recados do Pinto da Costa e a brilhantina do José Veiga, contra as homílias do Louçã e as simpatias do Jerónimo, contra todas as nódoas, mesmo as mais difíceis, apresento este extraordinário produto de limpeza auditiva, extreminador de bactérias e insecticida, desentupidor e esterilizante. A sensação de pureza é igual ao rabinho de um bébé acabadinho de lavar.
Só para quem gosta.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Última sondagem

Sondagem Cesto da Gávea com garantia de total imparcialidade em relação a todos os candidatos. O suborno recebido foi igual para todos.

Cavaco Pereira 51,98 %
Manuel Soares 51,9775 %
Mário Alegre 51,955 %
Jerónimo Louçã 50,69 %
Francisco de Sousa 50,69 %
Garcia Silva 3,1416 %

Houve um candidato (não interessa qual) que chegou atrasado à nossa redacção e só trazia consigo o suficiente para um par de bejecas.

Nota: sondagem realizada aleatóriamente a cidadãos residentes no atol de Mururoa, cemitério do alto de S. João, base de Guantanamo e num hospital psiquiátrico do Burkina Faso. Os indecisos foram eliminados sumáriamente com um tiro na nuca.

Cavaco à Presidência, já!

O inevitável vai acontecer. Cavaco, o mais vazio e sobrevalorizado político que esta paísa alguma vez pariu desde a esposa de D. Afonso Henriques, vai ser presidente pelo menos durante os próximos 5 anos. O endeusamento do candidato foi evidente por parte dos seus capangas e pela maioria da comunicação social. Qual D. Sebastião, é vê-lo a botar palavra para os empresários/gestores/financeiros/filhos da puta que enriqueceram e vivem à nossa custa desde que o homem se sentou na cadeira de 1º ministro. É essa mesma gentalha que espera agora que este homenzinho inculto (como convém), convencido (como convém), vaidoso (como convém), arrogante (como convém), de poucas falas (como convém), mova a sua influência como presidente da Républica, passando por cima de tudo e de todos e da própria Constituição, para que as verbas que aí vêm da Europa tenham uma justa distribuição, ou seja, pelos mesmos de sempre. Não será preciso pressionar muito o algarvio cuspidor. Ele é o homem certo no lugar certo, e quando o pessoal se fartar do Sócrates surgirá um lambe-cús laranjinha para formar um governo providencial, com os gurus do marketing e do tratamento de imagem a tratarem da devida lavagem ao cérebro dos possíveis descrentes.
Será dessa vez que vou trocar o meu velhinho telemóvel por uma coisa de 5ª geração com GPS, e toda uma série de acessórios inúteis? Será dessa vez que irei trocar o meu carrinho por outro novo e endividar-me até aos cabelinhos para o poder pagar? Será dessa vez que comprarei toda a merda electrodoméstica que me aparecer à frente sem esperar pela descida de preços só para ter o prazer de ser o primeiro a comprar determinado produto?
Pôrra, toda a gente fez isto durante o cavaquismo menos eu. Carrego comigo o estigma de não ter contribuído para o endividamento do país e para o estado da economia. Até quando aguentarei isto?
Cavaco à presidência, já!


Comunicado da Redacção do Cesto da Gávea

É notório que o autor deste artigo não se encontra bom da cabeça. Prometemos que a partir da próxima 2ª feira este energúmeno receberá o devido correctivo. Não pode ser já para não darmos muito nas vistas. O homem ainda não é presidente, pôrra!

quarta-feira, janeiro 18, 2006


O Secretário-geral do Conselho da Europa classificou "de cruel e vingativa" a pena de morte aplicada a um índio de 76 anos, cego, surdo e com problemas cardíacos pelo governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger.
Nada mais falso. O que o Schwarzemerda quis demonstrar é que é um fervoroso adepto da eutanásia.

terça-feira, janeiro 10, 2006

A não perder!!

Mais uma vez o Dragoscópio presenteia-nos com este magnífico naco de prosa e de oportunidade.

terça-feira, janeiro 03, 2006

A Sopa


A sopa é o chamado papão das criancinhas. Por mais que os ilustres medicine doctors insistam em dizer que a sopa faz bem, não se encontra uma única criança neste mundo que não torça o nariz só de tal ouvir falar. A sopa é o engano da burguesia, servida como caldinho de galinha deslavado em canecas de duas asas em vez da tradicional colher de sopa. A sopa, a verdadeira sopa, é a dos pobres: feijão com hortaliça e chouriço industrial. Não admira, pois, que a catraiada recuse a mistela. Pequena burguesia em ascensão, diz-se. Falta de educação alimentar, murmura-se. Afinal ninguém gosta de ser pobre, é preferível servir a sopa aos pobres. Um belo exemplo de serviço voluntário que as tias que recusaram a sopinha em pequenas gostam de fazer, uma espécie de caridadezinha mais ou menos vegetariana. Por isso se diz em determinadas situações que "levei sopa", ou seja querias lagosta suada mas levaste com o caldo verde da véspera. E ninguém vai servir lagosta ou caviar aos sem abrigo. Querias? Toma lá sopa! Até porque não soaria nada bem chamar àquilo "a lagosta dos pobres" ou o "caviar dos indigentes". Seria pouco ético, e além do mais o que faria aquela gentalha perante estas iguarias? Certamente exigiria muito mais e melhor, tipo sopa de tartaruga das Maldivas ou papas de ornitorrinco em molho bêchamel...
Mas todos sabemos que a falência espreita à porta destas titis de pacotilha, principalmente as que têm um sobrinho ou afilhado muito competente a gerir alguma empresa importante, e que são quase todas. Aqui, o mais certo é levarem sopa todos os dias lá do menino, que não dispensa a lagosta e o caviar à mesa, os passeios aos fins de semana pelas quintas do Alentejo em jipe BMW, com convidados VIP tipo João Talone, Miguel Cadilhe ou Fernando Ulrich. Enfim, a nata da sociedade, os tais que recusaram a sopa em pequeninos. E é assim que a nossa juventude vai progredindo, mandando a sopa pela pia abaixo. E embora alguns ainda não tenham posses para comer lagosta e caviar todos os dias, nem sequer quando o rei faz anos, sempre se vão enganando a comer umas lasanhas ou pizzas regadas a litros de coca-cola, enquanto os papás ou os amigos dos papás não os colocam a gerir qualquer negócio de interesse nacional subsidiado a contento de interesses particulares.
A sopinha é tudo o que resta a todos os outros, os tais que torçem o nariz só de nela ouvir falar mas que não têm outro remédio senão tomá-la às colheres. Um caso grave de neo-masoquismo, ou se quiserem, de auto-flagelação.
Mas como já não tenho nada a perder, ponham-me lá nessa sopa um pouco mais de feijão, alguma massa cotovelo, uma cenourinha esmagada, um tomatinho idem, um pedacinho de orelha e umas rodelinhas de chouriço caseiro e fiquem-se lá com essa merda da lagosta e do caviar, mais a puta da pizza e o caralho da lasanha, afoguem-se em coca-cola e champanhe francês, e deixem-me cá sózinho a levar a sopinha ao altar com um copinho de tinto e uma fatia de pão escuro.
São servidos? Vão comer ao tota...

Regresso

Depois de umas mini-férias regresso à base. O mundo não mudou, o país não mudou, o blogue não mudou, mais ninguém tem a coragem de ler esta merda. E por aqui andamos, cagando e rindo...

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Natal...

Lembro-me que os natais da minha infância tinham a particularidade de me convencer do nascimento do menino todos os anos a 25 de Dezembro. Inocência a minha, que não me interrogava como é que um puto nascia ano após ano sem morrer primeiro. Recordo quando nas noites de 24 de Dezembro deixava o sapatinho na chaminé e no outro dia de manhã lá estavam a pistola de fulminantes, o carro de bombeiros, os cow-boys e os índios de plástico, que supostamente o recém-nascido menino Jesus deixava no sapatinho, alheio ao pivete que por vezes o objecto deitava. Mas os tempos agora são outros, e apesar do papá Bush cuspir ameaças a quem deseje as Boas Festas em vez de um Feliz Natal, o boneco gordo feito de colesterol e com cara de aguardente que dá pelo nome de pai Natal teima em resistir a mais esta intempérie. Tem piada, o país sem referências, governado por uma camarilha de judeus sem escrúpulos e texanos evangélicos e analfabetos, inventa o pai Natal, boneco destituído de qualquer parecença com o nascimento do Menino, e nem sequer levemente aparentado com a vaca ou o burro do presépio, e quer agora que o pessoal lá da terra troque o educado e universal desejo de Happy Holidays por Merry Christmas. Assim quase esqueço o menino Jesus da minha infância e não reprimo alguma solidariedade pelo palhaço vestido de vermelho. Mas o mais grave é que como os amerdicanos não fazem nada ao acaso, qualquer dia vamos ver o menino Jesus gordinho e anafado, a refastelar-se com um hamburger da McDonald´s, escorrendo gordura pelos beiços abaixo. E lá vai a imagem do pai Natal de coca-cola em punho ser proibida pela sua heresia, quiçá imolada pelo fogo sagrado da seita extremista que toma assento na Casa Branca. Já estou a ver as famílias portuguesas macaquinhas de imitação (pelo menos aquelas que mais ganham com a crise) a convencer o tio palerminha que se vestia de pai Natal a disfarçar-se de bébé com caracolinhos soltos e fraldinha dodot e a chuchar um hamburger para alegria dos filhotes candidatos a betinhos e a futuros lugares em conselhos de administração. Só por isto é que sinto alguma pena do pai Natal. Tivesse ele na mão uma cerveja Budweiser ou uma garrafa de Jack Daniels e a minha solidariedade seria incondicional.
Penso mesmo assim que o pai Natal vai resistir com coca-cola e tudo. O carácter universalista da beberragem está bem demonstrado pela sua penetração (leia-se fornicação) em todos os paises muçulmanos onde só se pode beber alcoól às escondidas. Quem é que no Iraque ou Afganistão iria emborcar uma Bud ou um trago de Bourbon às vistas do mulah ou, quem sabe, do próprio Bin Laden? Qual seria o bom muçulmano que se faria explodir junto a uma patrulha americana completamente emborrachado?
Se já lixaram o menino Jesus da minha infância, se querem lixar o pai Natal, se andam a lixar-nos a vida todos os dias com devaneios neo-liberais e fundamentalismo bacoco pseudo-religioso, então o melhor é passar a vida etilizado e beber mais um copo sempre que uma patrulha amerdicana vai aos anjinhos. E assim já não há Natal que resista. Definitivamente.
Um bom Carnaval para todos.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Natais, presépios e umbigos

Pronto! Agora que tudo estava calmo e quase normal cá por casa tinha de vir o Natal estragar tudo!
A avó Urzelina juntou o pessoal da casa e tratou logo de organizar as coisas:
1º peregrinação ao centro comercial Colombo para ver as montras
2º construir o presépio
3º tratar da ceia de Natal

Não calculam a confusão que isto está a dar! O Arturzinho não quer ir ao Colombo porque quer ver os debates dos candidatos, o tio Augusto desta vez anda com a mania que é o menino Jesus e não pode abandonar as palhinhas, a prima Ossétia não se importava de ir, mas só vai se a avó a deixar mostrar o umbigo, coisa que está na moda lá no Colombo, eu só vou se a prima for porque como sabem a companhia dela dá-me outro ânimo, o restante pessoal cá de casa só vai se tiver carcanhol para as prendas, etc., etc..
A avó Urzelina é que tem mantido a casa em ordem graças à sua pensão de sobrevivência, pois o tio Augusto deixou de receber o subsídio por invalidez desde que ficou com a mania que era o Cavaco, e houve um gajo lá das finanças que não gostou do assunto e mexeu uns cordelinhos para lhe tirar a esmola. Apesar de ter tido outras manias depois daquela o tio Augusto nunca mais recuperou a pensão, mesmo quando fomos todos fazer greve da fome durante 30 minutos à porta da Caixa Geral de Depósitos. Como não gostamos de sobrecarregar a pobre avózinha, convenci a prima Ossétia a fazer uns biscates cá pelo bairro, tipo acompanhante ou coisa assim e a coisa não tem corrido mal. Estou até a pensar em tornar-me empresário do ramo com a prima como empregada nº1.
Quanto ao presépio, a coisa também não está fácil. O Arturzinho destruiu as figuras do presépio a treinar tiro ao alvo antes de ser mobilizado para o Iraque, pelo que decidimos construir um presépio vivo. Até aqui tudo bem, pois o tio Augusto ainda não perdeu a mania de ser o menino Jesus, e até fica muito bem na manjedoura que mais não é que o berço que tem servido de abrigo aos recém-nascidos cá de casa há pelo menos quatro gerações. Para ser o rei mago Belchior convidámos o Tinoco, cabo-verdiano na clandestinidade e pessoa importante cá no bairro, pois é chefe de gang e cantor de hip-hop nas horas vagas, mas a avó Urzelina recusou porque, diz ela, não gosta pretos, e lá tivemos de cobrir o Arturzinho com graxa de sapatos, castigo por ter destruído o presépio. Mas a coisa complicou-se quando a prima Ossétia quis fazer de Nossa Senhora com o umbigo à mostra. A avó ficou com convulsões e tivemos de chamar o senhor padre da freguesia que é exorcista para a tentar controlar, mas quando descobriu que a causa dos achaques da avó era o umbigo da prima Ossétia quis vê-lo in loco e logo ali ficou louco, pois arrancou o colarinho branco, rasgou a sotaina e espumou pela boca. Para o acalmar a avó deu-lhe um lugar no presépio, e desde ovelhinha a musgo o senhor padre tem sido incansável a incarnar todos os papéis, e quanto mais próximos do umbigo da prima Ossétia, melhor. Resumindo a coisa não está fácil.
Quanto à ceia de natal eu e o Arturzinho gamámos uma lata de feijões da mercearia do senhor Aparício que é herói nacional porque combateu em África, mas a avó quando viu a parca ementa ainda ensaiou mais uma dose de convulsões mas controlou-se a tempo porque o carteiro veio trazer uma encomenda urgente do tio Américo que está na América, e ao abri-la deparámos com o paraíso: 2 paletes de coca-colas, uma normal e outra light que não faz mal à saúde, duas dúzias de hamburgers em conserva com o selo da Bush, Farm & Beast, um autocolante da CIA, uma t-shirt do FBI, um autógrafo do Schwarzenegger, uma cadeira eléctrica de brinquedo, e uma coisa informe e estranha que o Arturzinho que esteve no Iraque reconheceu como um prisioneiro seviciado que talvez tenha vindo na encomenda por engano. Enquanto não falamos com a emigração o pobre homem já tem lugar no presépio como S. José, e até parece que esqueceu o que sofreu quando se cruza com o umbigo da prima Ossétia.
É por esta e por outras que acho que esta minha prima deveria ser beatificada. Como seu confidente nas noites geladas de inverno, só eu sei o significado da palavra santa. Santa Ossétia, até porque soa muito bem.

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Monty Python


Só estes senhores nos podem livrar da crise.

terça-feira, dezembro 13, 2005

O Erro de Darwin

O conceito de evolução do ser humano está definitivamente errado. É certo que o processo evolutivo tem a ver com o meio ambiente e as suas condicionantes. Segundo Darwin, o ser vivo adapta-se biológicamente ao seu meio, de modo a permitir a sua própria sobrevivência. Mas estamos a falar de seres vivos que se movem apenas segundo o seu instinto para viver., não estamos a falar de Homo Sapiens.
Vamos por partes. Nasce um ser humano. A sua dependência em relação à progenitora é notória nos primeiros meses e de uma maneira geral é comum em relação à maioria dos outros seres vivos. Mas a partir da altura em que a cria humana começa a enfrentar o mundo que a rodeia, começam os problemas. E aí a cria interroga os pais, que na maioria dos casos não respondem, ou porque não sabem, ou porque não querem. Depois vem o universo dos brinquedos, da fantasia. O menino Jesus é substituído pelo pai Natal armado de coca-cola, o universo católico predominante substitui o seu profeta pelo ícone do mais desenfreado consumo. E temos a criança a preferir o palhaço vestido de vermelho que lhe oferece uma beberragen adocicada que lhe sabe bem.
Nesta altura já a cria do leão aprendeu a caçar juntamente com os pais, mas a cria do Homo Sapiens permanece enjaulada num infantário, numa escola, ou em frente a um computador confundindo cada vez mais o real com o imaginário.
Mais tarde, talvez consiga filtrar o conhecimento adquirido, colocá-lo ao seu dispôr e da sociedade com o fim de melhorá-la e melhorar-se. Ou talvez não.
E aqui é que bate o ponto. Darwin enganou-se redondamente. Não pensou que uma espécie dominante pudesse destruir outras espécies e também a sua própria espécie e o seu próprio meio ambiente. Infelizmente Darwin limitou os seus estudos aos habitantes das ilhas Galápagos e esqueceu os restantes. Resta alguma esperança na inteligência de alguns (cada vez menos) Homo Sapiens para travar o processo e retomar o caminho perdido.
Mas se enquanto há vida há esperança, imaginem Darwin a encalhar o navio nas praias da ponta mais ocidental da Europa. Aqui a espécie dominante é um ser vivo rastejante, lacrimejante, simultâneamente dócil e arisco, o tuga, vivendo em buracos construidos sobre buracos, com uma tendência evolutiva para a autodestruição, ou seja,
uma transição pacífica da inteligência para a estupidez. O tuga é uma espécie aparentada ao Homo Sapiens regredindo a uma velocidade estonteante para Australopiteco, e daqui para algo pior, sem a dignidade do seu antepassado primata, passando da posição erecta para a rastejante, de quatro patas no chão, alimentando-se dos restos que os predadores carnívoros rejeitam.
Darwin não teve culpa do seu erro. Mas é incrível como um ser tão insignificante e práticamente desconhecido deita abaixo toda uma teoria, aliás científicamente bem demonstrada mas infelizmente incompleta.
Nunca um tuga sonhou ter tal importância. Não há outro exemplo de tal aberração na cadeia evolutiva.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Debates

Não aguento debates. Não sei porquê mas ao fim de 30 segundos de debate entre candidatos à presidência já estou com as palpebras pesadas. Não entendo como alguém suporta isto.
Imagino como seria um debate à séria, com insultos, porrada, tiroteio. Assim como um filme de acção americano, com muito sangue a espirrar e muita mioleira espalhada pelo asfalto. O Alegre a dar pontapés no baixo ventre do Soares enquanto este tenta ferrar-lhe a dentuça no tornozelo... o Louçã a correr atrás do Cavaco com uma motoserra... o Jerónimo a oferecer ao Alegre um cálice de cicuta... o Cavaco de fitinha na cabeça à Rambo, armado de G3 e a fuzilar os outros candidatos...
Qualquer coisa deste género. Um reality show de candidatos. Uma espécie de big brother em que os presentes seriam fechados e isolados num apartamento na Reboleira
tendo ao dispôr todo a espécie de arsenal violento, desde facas de cozinha a misseís terra-ar. Seria o delírio e um estrondoso record de audiências.
No final o único sobrevivente seria presidente.
Falem com a TVI.

terça-feira, novembro 22, 2005

Incêndios, pai-nossos e cavacos

Cá em casa anda tudo à nora. Desde que a avó Urzelina deixou queimar a foto do Cavaco recortada do Expresso, e que estava no seu altar dos santinhos iluminada por velas de cera, que nunca mais tivemos sossego. Até o tio Augusto, coitado, que se julgava um protozoário, deixou o refúgio do seu sotão e desceu à terra, insistindo em apanhar o próximo metro para Tegucigalpa, e gritando aos sete ventos já estar farto de viver onde vive. A avó Urzelina é uma pessoa muito determinada, e quando lhe acontece alguma leva tudo à frente, que o diga o pobre do Arturzinho que ia ficando esmagado pela senhora e só a as suas botas novas forradas com bifes de alcatra importados do Texas o salvaram da desgraça, desatando a correr pela rua abaixo com a avó Urzelina a persegui-lo, culpando-o do incêndio no altar. A avó voltou-se então para o tio Augusto, acusou-o do crime hediondo de incendiário de fotos de candidatos, e ameaçou queimar todos os posters de vaginas que o tio tem no sotão. O tio ficou com a boca tão aberta de estupefacção que durante 2 semanas não a conseguiu fechar completamente. Subiu a correr ao sotão e ainda não apareceu cá em baixo, nem vivo nem morto. Eu, que não sou visto nem achado nestas histórias, prometi à avó Urzelina outra foto do tal Cavaco, não sei o que o homem tem para se deixar fotografar pelo Expresso, ainda se fosse algum prostituto daquelas revistas para gajas ninfomaníacas ainda vá, mas eu próprio duvido que o homem tenha algum atributo que mereça tal distinção.
Quem não duvida é aquele senhor com pinta de nazi, o tal Luís Delgado, que só falta descobrir a vocação do Cavaco para macho latino, assim a fazer concorrência ao Zeca Camarinha. Realmente, a julgar pelos elogios que o Candidato recebe deste senhor, é de desconfiar se aqui não existirão gostos duvidosos ou se não passa simplesmente de idolatria pagã.
Por falar em pagãos, vou todos os domingos com a prima Ossétia à catequese cá do bairro, faço todos os sacrifícios para estar perto da rica priminha, e até já aprendi o pai-nosso que rezo em coro com a prima, enquanto ela me deita uns olhares que me fazem aprender a rezar até as avé marias e o 13 de maio na cova diria. O catequista é um senhor qualquer das Neves, que parece que foi em tempos ministro do tal Cavaco da foto, vejam lá como o mundo é pequeno. Mas o tipo é esperto, pois não lhe passaram despercebidos os olhares da prima Ossétia e as minhas mãos em oração pelo meio das coxas dela. O fulano, se calhar ciumento, mandou-me recitar de joelhos as epístolas de S. João Baptista mais o versículo 3 do salmo de Ísaias aos jacobeus, e eu já tão farto do homenzinho mandei-o para a puta que o pariu, versículo 8 do salmo do Zé Povinho aos
filhos da dita, e o gajo ficou com a boca ainda mais aberta que o tio Augusto, de tal modo que um ninho de vespas floresceu lá dentro, e o tipo já não pode recitar loas ao Cavaco.
E foi assim que perdi uma oportunidade de ouro de trazer um poster do Cavaco para oferecer à avó, que anda tão desconsolada, coitadinha. Ainda pensei rasgar uma das fotografias do senhor que andam por aí à beira das estradas, mas parece que o Arturzinho teve a mesma idéia para poder voltar para casa e por àgua na fervura, e foi caçado por um gang de polícias à paisana que o enfiaram na Penitenciária. E se não fosse o tio Américo, o tal que está na América, interceder pelo pobre Arturzinho, ainda agora o rapazinho estaria a pão e água no calabouço, e não no Iraque a defender a civilização ocidental como serviço cívico. Realmente o tio Américo tem muitas amizades lá nos States, e é graças a ele que não falta nada na nossa querida casinha, nem papel higiénico para irmos para as traseiras aliviar o traseiro, nem pastilhas elásticas que têm servido para tapar os buracos do tecto quando chove. E vejam bem que o tio até enviou à avó Urzelina um poster do Cavaco novinho em folha, todo colorido e devidamente retocado pela fábrica de efeitos especiais Holy Magic Bush & Light, mais uma colecção de velas a pilhas sem qualquer perigo de incêndio!
E enquanto isto cá em casa vai entrando aos poucos na normalidade, eu sempre vou rezando uns pai-nossos à noite no quarto da prima Ossétia, que esta vida não é feita exclusivamente de prazeres terrenos.

segunda-feira, novembro 21, 2005

Desenho Inteligente

Estava para não falar nisto, mas hoje, como até o astrónomo do Vaticano "refilou", vou voltar à carga.

Atão não é que o Supremo Tribunal do Kansas (sim, aquele nos USA de onde levantou voou a Dorothy do Feiticeiro de Oz) tornou obrigatório que na disciplina de Ciências fosse ensinada, em contraposição à Teoria da evolução de Darwin, uma "coisa" chamada "Desenho Inteligente" que não é mais do que um novo nome para o Creacionismo.

O que o Sr.Astrónomo papal veio dizer e muito bem é que esta "coisa" poderia ser dada nas aulas de religião ou na de história, mas nunca como uma ciência pois não obedece aos preceitos científicos mínimos.

No "Desenho Inteligente" diz-se resumidamente que a Vida o Universo e tudo o resto é complicado de mais para ter origem em evoluções aleatórias e portanto, tal como o homem pré-historico acreditava em deuses do fogo, da água, do trovão, etc., os modernos kansistas podem acreditar à vontade num supra-desenhador que orientou a evolução até chegarmos a este cúmulo da inteligência que são os .... juizes do Supremo Tribunal do Kansas.

Mas isto não é de admirar num monte de pacóvios que acreditam que o Brusho é o salvador do "americam way of life". E já agora, se as CIAs, NSAs e quejandos recolherem isto e tiverem inteligência suficiente para ler o português, então VÃO-SE FODER.

Se um dia destes desaparecer sem rasto, podem-me encontrar em Guantanamo ou numa prisão no Iraque, Afeganistão ou outro país invadido pelos salvadores Amerdicas (e porque não Portugal???).

sexta-feira, novembro 18, 2005

Jornalistas?

Olá marinheiros.
Eu sei que há muito tempo que nada escrevo mas com o estado em que está portugal (sim, com letra pequena) a maior parte das vezes só apetece escrever merda, merda, merda, ....

No entanto hoje levantei-me mais bem disposto e como à sexta compro o 24 horas (é o unico jornal diário que tem um BOM suplemento de informática) fui a ler na viagem para a escravidão.

Atão não é que dos poucos artigos que leio (Quentes e Boas) vem a autora (uma Gracinha de nome) a dizer que a entrevistadora do Cavaco na TVI está a ser acusada de preparar bem demais a entrevista e consequentemente ter entalado o bicho.

PORRA! Quando finalmente um jornalista, no meio da escumalha jornalistica que temos, prepara-se bem para cumprir a sua função ... PUMBA na cabeça.

Conclusão - mais uma vez em portugal não se pode ser bom profissional. O que queremos é medianismo, não levantar ondas não colocar os poderosos em cheque, não fazer as perguntas difíceis ou seja, é preciso é adormecer o pagode, dar-lhe telenovelas, 1as. companhias e nada que faça pensar.

É obviamente impossível em portugal ter um watergate ou qualquer coisa semelhante, isto para não falarmos numa operação "mãos limpas", senão veja-se para onde vão todos os casos judiciais que incluiem gente "poderosa".
Isto só lá vai vestido um casaquinho de C4 e ir visitar a AR. Tinha a vantagem de reduzir a taxa de desemprego e diminuir substancialmente o numero de chulos que nada lá fazem.