sexta-feira, outubro 21, 2005

Que mal fiz eu para merecer isto?

Nunca como hoje existiu tanto tédio neste país. Creio mesmo que o mal deste país é apenas o tédio. Morre-se de tédio hoje em dia. E como este blog tem andado à deriva é perfeitamente natural que o tédio espreite quem nele vai botando algum serviçinho, mesmo que seja de qualidade duvidosa. Compreende-se, as digestões andam dificeis cá pelo burgo.
Não evito um longo e soberbo bocejo ao ouvir os comentários bajuladores dos lacaios cavaquistas, não evito uma ponta de nojo perante o personagem, não evito sequer um penoso aborrecimento perante os outros merdosos candidatos à presidência, meu deus, se existes, lança sobre tudo isto aquela praga que guardavas para os teus dias de azia...
Nunca como agora a baba de safio fez tanto sentido. Escorregadia, fétida, mal cheirosa.
Este país tresanda de baba e de babosos safios e aves raras. Antes caísse sobre nós uma chuva de langonha, que aturar esta gelatina infame que passa pelas frinchas das janelas, atravessa as fissuras das paredes, invade o nosso condomínio através da televisão. A baba junta-se ao canto da boca, e quanto mais o personagem articula pseudo mensagens de esperanças vãs, mais esta engrossa, passa do branco espumoso ao amarelo, e então os perdigotos começam a chover em todas as direcções, e só quem tem guito para se proteger é que não leva com esta chuva infame.
Dirão que isto é um exagero, mas não é. Tanto tempo para isto, meu deus, tanto tempo perdido à espera de um salvador, de um anjo vingador que se apresenta com as solas das botas gastas das lambidelas dos bajuladores. Seria mais barato pagar ao Homem Aranha para fazer este papel, ou então ao incrível Hulk que até passaria despercebido no meio dos vómitos verdes dos poucos que ainda abominam a situação.
E andamos nós nisto, cobertos de podridão salazarista, de soares a cavacos, de durões a santanas, de sampaios a louçãs, de guterres a sócrates, de alegres a tristes jerónimos de circunstância, de merdolas profissionais da comunicação social que lambem todos os cús no afã de manterem o emprego. Acautelem-se os incautos, a baba vem aí, vai engrossando à medida que apanha as suas vítimas no engodo, vai apertar-vos o cachaço com mais uma correntes, vai tornar-vos mais escravos do consumo obrigatório e do telemóvel 3G. Confusos?
Pois bem, delirem à vontade com as bichezas do palhaço Castelo Branco, ele é pago para isso, para vos atirar com a baba ao focinho. Apreciem as dissertações verborreicas do Marcelo, e façam que sim com a cabeça cada vez que o homem arrota uma baboseira ou uma opinião de pacotilha, a baba de safio até lhe chega aos tornozelos.
A inteligência não chegou a este cantinho, até deus se esqueceu que os portugueses estão para a Europa como o acne está para os adolescentes, e a única pomada que nos receitou foi esta funesta baba, que nem tem direito a ser um genérico, que se espalha no mal e torna o mal ainda pior, triste sina a nossa.
E o pior de tudo é o tédio, estamos tão habituados à trampa que esta já não nos incomoda, apenas nos faz tédio, tédio, tédio. Estamos fodidos, meu, estamos todos fodidos. O homem vem aí e vai entrar pela nossa casa adentro durante pelo menos quatro anos. O gajo e o Sócrates vão subir pelo cano esgoto, passar pelo sifão, e tocar o sino com os nossos tomates. E não consigo pensar nisto sem sentir um grande e prolongado aborrecimento...foda-se...

1 comentário:

  1. Puxa do teu B.I. e lê:
    "NACIONALIDADE : PORTUGUESA"
    Aí tens o mal que fazes!!!

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