terça-feira, setembro 02, 2008

Regresso de Férias.

Passei as férias com o coração nas mãos. Depois do assalto ao Millenium, do roubo da carrinha da Prósegur com explosão e tudo, do cerco à Quinta da Fonte, do assalto a não sei quantas ourivesarias e gasolineiras, do carjacking, do roubo do porta-chaves à D. Miquelina, e não sei mais que crimes houve para aí, era normal que estivesse em pulgas para que as malditas férias acabassem para fazer o levantamento dos meus bens gamados pois a barraca ficou sem ninguém durante três semanas e seguro contra roubos, assaltos e atentados terroristas é coisa que não tenho. Nem imaginam o meu alívio quando dei com a casa sem faltar nada nem sequer o penico de porcelana que herdei da avózinha. Mas foi sol de pouca dura, pois ao vasculhar o correio acumulado descobri a cartinha das finanças com o IMI para pagar. Ora toma lá por dizeres que vives no país mais pacífico do mundo! E um crime desta natureza nem sequer passa no telejornal!
Sabem o que vos digo? Isto é culpa dos brasileiros, ciganos, pretos e todos os estrangeiros que andam por aí a gamar o que é nosso! Pagar o IMI... Ao que isto chegou!

segunda-feira, agosto 25, 2008

JOGOS OLÍMPICOS !

Pequim 2008. Passados quatro anos dos últimos, Pequim pavoneou-se para apresentar ao mundo a 2ª edição dos jogos olímpicos do século vinte e um.
Duma forma adequada aos tempos actuais, a China gastou milhões a anunciar o evento, tentando mostar ao mundo que estes iriam ser uma coisa de espanto, um acontecimento como jamais se tinha visto, uns jogos onde os interesses políticos estavam postos de lado, um facto onde o único objectivo era o desporto e a competição que lhe está associada. Nada de permitir, seja quem fosse e a qualquer custo, que se levantasse alguma dúvida ou suspeição sobre os antagónicos conceitos de, por um lado, os jogos olímpicos em Pequim virem a ser imaculados, e por outro, ser a China o garante da honestidade e humanidade que obrigaria a tal desígnio. A China, onde se aniquilam tibetanos e muitos outros apenas porque têm ideias não coincidentes às classes dirigentes. A China, que com o seu negócio de armas e outros interesses financeiros, alimentam os governos de alguns países de África contribuindo directamente para a miséria e morte de milhões de seres humanos. A China, esse dragão do oriente, que sem despudor e à força toda, inventou a fórmula mais recente de transformar a via do socialismo em auto-estrada do capitalismo social.
Mas lá vieram os jogos e as televisões de todo o mundo transmitiram em directo o que as autoridades chinesas quizeram mostrar, e da forma que o quizeram, na cerimónia de abertura dos olímpicos 2008.
Parece-me que as pessoas ficaram pasmadas com as imagens que se iam sucedendo nos pequenos ecrãns. Foram luzes e fogo de artifício por todo lado, foram milhares de chinocas a movimentarem-se harmónicamente no estádio, foram outros a voarem para cá e para lá, foram projecções fantásticas sincronizadas com bailarinos e mudanças de cenários enormes, foram isto e aquilo. Depois, o decorrer dos jogos passando a imagem de uma organização exímia, sem falhas, na hora. No final, foi a cerimónia de encerramento, novamente com fogos e mais fogos, e mais voadores, e mais danças e composições. E a passagem do testemunho a Londres onde irão acontecer os próximos, já com a Inglaterra a mostar o video promocional, aqui já não com fogos e grupos de coreografias de milhares de figurantes, mas com uns balofos "new stile" muito "british", muito "in", de edição de imagens virtuais com reais, onde não poderia faltar uma criancinha chinesa a passar uma bola de futebol a outra criancinha inglesa, passando a ideia que o futebol é o simbolo do desporto. Pois é, razão tem quem disse que o futebol é o ópio do povo.
Mas eu devo confessar que não me pasmei com o que foi apresentado. Acho mesmo que para uma China que vai ser o novo império mundial deste século, após a morte por podridão do ainda actual império amerdicano, ficaram a anos luz de apresentarem uma coisa do outro mundo, sei lá, tipo naves espaciais a distribuirem bonbons por Pequim, ou bombas atómicas a deflagrarem no deserto chinês e a sairem de lá milhões de pombas brancas em livre vôo até poisarem na cabeça de cada um dos espectadores presentes no estádio, ou mesmo até um submarino a emergir em pleno estádio. Isso sim, deixar-me-ia não só pasmado, como daria a verdadeira imagem do futuro novo império do século vinte e um.
Assim, continuo a ter presente não as imagens a cores que vi, mas antes as imagens a preto e branco de 700 milhões de chineses que vivem com menos de dois dolares por dia, e dos quais, 300 milhões sobrevivem com menos de um dolar por dia! Pois é! E não me venham com a cantilena de que um dolar na China vale muito mais do que um dolar noutro lugar da terra. É que quando vou a uma loja chinesa comprar uma coisa qualquer de qualidade muito duvidosa, mesmo sendo muito barato, pouco posso comprar com um dolar. E sei que os trabalhadores que contribuiram para essa coisa, trabalham doze ou mais horas os sete dias da semana!

terça-feira, agosto 05, 2008

Ainda e sempre a silly season

Esta parvoíce de se chamar silly season ao verão, em que os políticos, as putas e os palhaços andam todos a banhos pelos Allgarves é uma coisa mesmo parva. Porque não chamar-lhe simplesmente época da parvoíce, estação dos parvos, ou mês dos parvalhões? Está bem, silly season é mais in, é mais tipo “tias de Cascais”, é mais Pinto de Balsemão que Jerónimo de Sousa. Mas pronto, seja então silly season.
Na silly season é que as esposas alcoviteiras dos administradores das empresas públicas lêm aquelas revistas cor-de-rosa em que se discute o diâmetro das mamas da Soraia Chaves e o tamanho do pénis do Júlio Iglésias, qual o porteiro de discoteca que anda a papar a Pimpinha, qual a cor do novo bébé adoptivo da Angelina Jolie, e onde é que a coisinha foi vista a mexer no coisão daquele gajo, o coiso...
Os administradores das empresas públicas, mais os melgas que a eles se apegam durante a silly season, gostam muito de confidenciar os seus segredos dos bastidores da política, aqueles que ninguém sabe mas inventa, riem que nem alarves de alguma piada sem piada nenhuma caso esta tenha sido dita por algum CEO do grupo Sonae, coçam os tomates nos areais da chatice do Ancão e no golfe da Quinta do Lago, metem cunhas uns aos outros para os filhos, sobrinhas, e secretárias com jeito para trabalhos manuais, e depois é vê-los a passear na marina de Vilamoura, misturados com a ralé que lhes inveja os Porches e os iates, mais as filhas boas e adolescentes em grupinhos mistos de cópias perfeitas dos papás e mamãs que os olham embevecidos enquanto estes não debandam para mais uma festa do fellatio.
Por isso é que durante a silly season tudo pode ser dito e feito, por ser apenas isso, ser silly. Pode arder a Serra da Malcata, pode cair um prédio em Lisboa, pode o Benfica perder mais um jogo, pode o Presidente vir discursar à TV por causa daquela treta gravíssima do não sei quê dos Açores, pode, enfim, o João Jardim apanhar mais uma de caixão à cova, que o pessoal continua mais interessado nas mamadas dos gémeos da Angelina.
É pouca coisa? Talvez, mas a silly season já se expandiu para silly year e ameaça perigosamente os tempos futuros.
Coisas de um silly country...

quinta-feira, julho 31, 2008

BOIAS DE ESCÁRNIO E MALDIZER - V

Continua a chulisse.

Computadores para os putos - podem ir para a escola meio grogues porque o pequeno almoço foi só um copo de vinho tinto; podem ter de ir a pé uns largos Km porque a escola mais perto foi encerrada (para dar origem a casas de campo dos PSezinhos); podem ter as aulas enregelados ou a suar porque a escola não tem as condições mínimas; podem não ter aulas durante 2 meses porque a pofessora foi de parto (por enquanto ainda podem!!!) e a substituta ainda não chegou porque não há €€€€;podem não saber escrever uma redacção, somar dois números de mais de 2 algarismo, saber um mínimo da história de um país com quase 900 anos (os amerdicanos só têm 300), etc.... MAS VÃO COM UM COMPUTADOR DEBAIXO DO BRAÇO!

IDIOTA DE POVO - adivinhem lá quem são os chulos que vão comer os 30% do 500 milhões?

Empregos de futuro - querem-nos? vão para o partido/governo e quando sairem, a mal ou a bem vão encontrar sempre um grande tacho. Não há um merdas de um jornalista que analise a vida dos membros dos PARTIDOS (sim, de todos os que passaram pelo governo) e publique o que eram antes de estarem no governo e o que são agora. CHULOS.
Não se consegue construir uma empresa em Portugal sem PAGAR directa ou indirectamente para ela arrancar, crescer ou ter bons clientes.

Para onde vão os impostos - Exemplo: departamentos do estado com advogados relativamente bem pagos mas que nada fazem e acumulam por fora. O membro do governo/partido (ir)responsável contrata a muito bom preço empresas externas de Familia/Amigos/Partido para fazer o que os advogados que já estão pagos não querem/podem/deixam fazer. Depois levam o dobro do tempo, só fazem merda porque não conhecem a "casa" e o que fazem não é utilizavel e vai para a gaveta - venha o próximo estudo. O mesmo acontece com outras profissões.
E isto é pago com os nossos impostos. E isto É ASSIM - JÁ ASSISTI. CHULOS.

Administração Pública - Porque não trabalha.
Vem Ministro -> nomeia Secretários de Estado -> Nomeia Gestores das Empresas do Estado e Directores Gerais (todos da Familia/Amigos/Partido e cada um mais incompetente que o outro)
Ministro: Vamos embasbacar o Zé Povinho - quero "qualquer coisa" feita antes das eleições.
Depois de muitos estudos e comissões a "qualquer coisa" é apresentada - levou muito tempo a "desenhar" porque a maior parte do tempo foi gasto na preparação da publicidade necessária para o Zé pensar que aquilo é indispensável e só daquela maneira é que o país avança.
Mas, na realidade é um mamarracho que antes de terminado já não serve para nada.

Vem a ordem por aí abaixo até que chega aos chefinhos quem têm de começar a trabalhar (um mínimo) e aqui começa o baile:
1º - o chefinho já está integrado na engrenagem (ou foi lá colocado por ela) - diz que sim a tudo, não levanta ondas, chuta para baixo e desenrasquem-se procurando sempre fugir às responsabilidades ou arranjar um testa de ferro. (esta é a grande maioria dos chefinhos da AP).
2º - o chefinho já sabe como trabalha a engrenagem mas ainda tenta ser honesto e na medida do possível, faz pequenas correcções para tornar o mamarracho menos... mamaracho. (chefinho a ser despromovido a médio prazo).
3º - chefinho competente - diz que aquilo está mal e que seria mais eficiente, com maior utilidade e futuro se fosse feito da maneira..... e já está na RUA. (portanto eles não existem na AP).

Depois como o mamarracho era mesmo isso e não serve para nada, não se pode construir, etc. é contratada um empresa de consultadoria (dos FAP claro) que faz um estudo que é dada a outras empresas (FAP) que o constroiem gastando 10 vezes mais.

E é assim que são gastos os nossos impostos e se arranjam empregos de futuros para os "bois".

Como dizem os anarcas - Tragam as Putas. Em geral são mais honestas que os filhos.

Adeus e da próxima vez tirem a merda do cravo do cano da G3.

O horror...o horror...

Larguei a mulher às voltas no centro comercial, abandonei os putos no infantário, esqueci o assado no forno, deixei a avózinha no meio da rua. Quando este Presidente anuncia que vai falar toda a gente devia interromper o que está fazer, e ter a melhor faca da cozinha à mão para cortar os pulsos se for caso disso. Quando estamos à beira de invadir as praias com guarda-sóis e caroços de pêssego, quando já temos o “Magalhães”, quando o Jardim acaba com a liberalização dos preços do gasoil na Madeira, só mesmo um discurso surpresa do “first man”. Que ainda por cima interrompeu o churrasco na vivenda Mariani para falar ao país. Preparem-se, portugueses, o país nunca mais será o mesmo!

sexta-feira, julho 18, 2008

Porque é que ninguém repara em nós?

Ainda mal refeito da bebedeira da semana passada, acordei com o som que a cabeça do Elias fazia contra a parede exterior do prédio, única forma de chamar algum inquilino dado que a campaínha da porta está avariada desde o terramoto. Por isso é que eu deixo a chave no canteiro de malmequeres à entrada, mas é evidente que o Elias não sabia disso. Embora cambaleante e com a testa ensanguentada, lá subiu os 14 andares do edifício, porque o elevador está avariado desde o 28 de Maio de 1926, e embora a sua vontade fosse enfiar-me a chave da porta no traseiro, chegou tão cansado cá acima que depressa a vontade se lhe esgotou.
Depois de uma sessão de massagens cardíacas e choques eléctricos, o Elias lá recuperou o seu estado normal embora com a testa um pouco mais recuada. A gaguejar e a revirar os olhos lá me informou que o Big Chefe ordenara que todas as investigações em curso fossem abandonadas. Como é possível? O que iria acontecer aos Loureiros? E ao Pinto da Costa? E ao Ferreira Torres? E ao processo Casa Pia? E à Operação Furacão? Quem seria afinal o nosso representante no festival “Gangster Europeu 2008”? O António Vitorino vestido à Al Capone?
E o esforço de toda esta gente, não seria recompensado? Pelo menos que o estado lhes pagasse as despesas com os advogados mais os subornos, para haver alguma justiça na decisão.
Bem tentei sacar mais informação ao Elias, mas o gajo é todo coisinho com o Big Chefe, um lambe-botas do piorio e nem com a tortura das canções do José Cid se abre.
Desconsolado, juntei os dossiers das investigações, as fitas gravadas, e as despesas de representação, e de uma acentada atirei tudo para a lareira. O quarto ficou um pouco mais quente, o que me fez acalmar o suficiente para libertar o Elias que já se babava com as canções do José Cid a tocarem sem parar nos auscultadores que eu, com técnica profissional, tinha colado aos seus ouvidos.
Quase cheguei a ter pena dele, mas foi só o quase que não sou dado a sentimentos.
Vai daí saímos os dois de casa e fomos beber uns copos ao Boca na Botija para esquecer.

A meio caminho o Elias pergunta-me em tom amigável:
“-Achas que o Berlusconi vai ganhar outra vez o Festival?”
Pensando bem até é possível que sim. Os verdadeiros vencedores não escondem a cara, vão até ao fim de peito aberto e sem se escudarem em organizações, associações ou fundações.
É por estas e por outras que ninguém repara em nós e o país não vai para a frente.

terça-feira, julho 08, 2008

BOIAS DE ESCÁRNIO E MALDIZER - III

P is for PIMP not for PARTIDO

Tábem eu sei que isto é uma granda misturada mas os putos já misturam inglês, pretoguês, e outras coisas que não entendo, portanto...

Quando se fala em PS, PSD, PP (e PCP embora menos) o P não corresponde a Partido mas sim áquele termo americano que quer dizer.... CHULO.

Os partidos são constituídos por uma cambada de chulos.
Senão vejamos. Temos uns putos coiros que na universidade/faculdade mal se desenrascammas logo que entram para uma J qualquer começam a justificar as baldas. Depois com uns favorzinhos aqui e ali o presidente da J ou um membro do partido mete uma cunhazinha ao prof e tá o ano passado.

Bem, depois com o canudo começa-se a trabalhar para o partido e para alguns biscatos que os amigos do partido arranjam. Se for um bocado esperto até arranja um job baita fixe onde pode ganhar uns belos cobres enquanto faz mais uns favores ao partido ... e assim sucessivamente até que se chega a sub-secretário, secretário e ...ministro.

Olhando para os vários ministros deste e de outros desgovernos a maior parte, antes do governo pouco eram na vida. Só depois de fazerem a merda e quando sairam é que foram para gestores e outras merdas que os compadrios políticos, as leis à medida, etc. pagaram.

E isto claro, à custa do Zé Povinho que pagou para eles antes, durante e depois.

Mas a culpa é destes patêgos que se deixam enganar pelos srs. dr. e eng. pois eles é que têm os cursos portanto é que sabem - grandas cavalgaduras.
Os gajos que estão nos governos nem uma mercearia de aldeia sabiam gerir sem ser com cunhas e negociatas. Em casa deve ser a governanta que governa aquilo.
Excepto no caso de advogados (que só servem para enredar a lei com o seu paleio de cona) todas as outras profissões que estão no governo pouco fizeram na vida "civil".
Vão mas é trabalhar.

Adeus e tirem masé o cravo do cano da G3

quarta-feira, julho 02, 2008

O Atentado

Estava eu tranquilamente a sonhar que era raptado e violado por 15 amazonas ucranianas quando a sirene irritante do meu despertador de emergência se lembrou de tocar, o que só acontece quando alguém sabe o código e actua o interruptor respectivo. Muitos anos de treino fizeram-me saltar de imediato da cama e desembainhar a cimitarra em estado de alerta. Na semi-obscuridade do quarto reconheci o vulto que esperava aos pés da cama, e que eu, no meu despertar violento, quase degolara. Nada mais nada menos que o Elias, lacaio profissional a recibos verdes. O homem estava esbaforido, vermelho que nem um pimentão e assobiava enquanto respirava. Foram precisos dois tabefes para o acalmar.
- Vem depressa, - disse ele - o Filósofo sofreu um atentado!
Notícias destas até despertam um morto. Não é todos os dias que alguém tenta matar o Filósofo e uma oportunidade destas pode dar direito a uma promoção e uma boa reforma com dez anos de serviço. Vai daí vesti o fato cinzento por cima do colete à prova de bala que mais não era que uma chapa quadrada de ferro de três milimetros de espessura sobre o peito, coisa que copiara de um filme com o Clint Eastwood, verifiquei o carregador da Beretta, pus os óculos escuros, atirei um beijo à loira em estado de choque que partilhara os meus lençóis nessa noite, e saí porta fora arrastando o Elias e gingando os ombros à Mickey Spillane.
Quando chegámos à Residência Oficial já o jardim estava repleto de gnr´s de metralhadora a beberem minis, e foi um sarilho para convencer o capitão da guarda que tanto eu como o Elias éramos simples funcionários públicos do Gabinete de Segurança e não sindicalistas comunas e gays. A coisa ia dando para o torto não fora a intervenção do Chefe Silva, amigo pessoal do Filósofo e ministro nas horas vagas.
O Chefe Silva tratou de nos elucidar sobre os pormenores do atentado, coisa grave segundo ele. Passou-se assim: o Filósofo dissertava para uma pequena multidão de autistas sobre as vantagens de secar de vez o rio Tejo entre Abrantes e Vila Velha de Rodão para semear alguns milhares de campos de golfe com hotéis e spa´s, quando duas detonações se fizeram ouvir. De imediato a Protecção Civil interrompeu o jogo de canasta para acudir à cena, enquanto o Ministro da Defesa mandava acelerar a compra dos submarinos e o Lino ameaçava com mais quatro aeroportos. O Filófoso foi metido à força no rápido das 10 direito à Residência Oficial e por aí ficou, a beber chá e a comer bolinhos, coisa que sempre faz antes do jogging matinal.
A guarda deteve os suspeitos do costume, o Jerónimo e o Chico das Loiças, mais o Madaíl que apesar de não ter nada a ver com o assunto sempre era mais um com ar de suspeito. Os interrogatórios não foram conclusivos pelo que esta gente foi mandada em paz e com promessas de não dar entrevistas à Judite de Sousa, não fosse o diabo tecê-las.
De modo que se estava num impasse, e daí a necessidade de um agente especial, mais dado à inteligência, este aqui que vos escreve.
Sem saber bem o que queriam de mim, dado que o Filósofo estava vivo e bem de saúde para mal de muita gente, resolvi justificar o bónus interrogando a Dama Laranja que não respondeu a qualquer pergunta, o Marcelo que fugiu mal avistou o Ministro da Agricultura armado de ponta e mola, o P. Pereira que começou a dissertar sobre a questão essencial, e o Graça Moura que por pouco não era por mim estrangulado quando se pôs a falar contra o acordo ortográfico. Como não queria deixar ninguém de fora perguntei pelo Presidente, pergunta delicada dado o rasto de migalhas de bolo-rei que larga ao deslocar-se. Mas o homem estava em visita oficial ao Burkina-Fasso, acompanhado de mais de uma centena de empresários e respectivas coristas, pelo que não podia ser apelidado de suspeito.
Impaciente, o Chefe Silva começou a fazer aquele beiçinho que toda a gente conhece e pressionou-me para acelerar o comunicado aos media, pois é pela eficácia da justiça que se mede o ópio de um povo.
E foi ao som da música do José Cid em fundo e os habituais jogos de luzes e fumos brancos que o Elias leu o seguinte comunicado à comunicação social:
“Avisam-se os incautos que o Filósofo sofreu esta manhã um atentado com tiros de pólvora seca disparados para o ar com o único intuito de o assassinar. O Filósofo agradece a todos o empenho na investigação e celeridade da justiça, e avisa que vai mesmo assim participar na reunião anual da Fundação Bilderberg, onde serão tomadas novas decisões que comprometerão de vez o vosso futuro.
O principal suspeito é um cidadão de nacionalidade iraniana com ligações à Al-Qaeda que, juramos a pés juntos, nunca será levado para Guantanamo.
Abaixo o Terrorismo! Viva o TGV! Viva Alcochete!”
Com a missão cumprida, voltei ao aconchego do lar e ao quentinho da cama onde a loira ressonava em cima da minha almofada. Ainda tentei adormecer e retomar o sonho das amazonas no exacto momento em que fora interrompido, mas a consciência profissional por vezes deixa sequelas e não consegui evitar de pensar em como a vida é, por vezes, muito complicada.

sexta-feira, junho 27, 2008

BOIAS DE ESCÁRNIO E MALDIZER - I

APARTESANTES DE COMEÇAR: 1º Isto vai ser escrito em português mais ou menos nacional, vernáculo q.b., sem grandes preocupações de virgulas, acentos, ortografia, semântica ou outras merdas que agora também não são dadas nas escolas e portanto não interessam. 2º A numeração é romana porque assim, como também já ninguém ensina isto na escola (os gajos tão mortos há uma data de tempo), os mais modernos que eventualmente lerem isto não entendem o que é o II ou IV ou IX e assim, como não entendem, julgam que é uma coisa importante e começam a falar bem disto - ainda vão para ministros!!


Tairocas

Grande tema e que me irrita solenemente - atão, quando eu era novo, só andava de tairocas (vem do barulho que fazem a bater no chão - trók, trók,...) ou chinelas as varinas ou outras gentinhas da chamada classe baixa.
Agora é ver as madamas todas finaças com chinela no pé mais ou menos fina, com mais ou menos brilhantes mas sempre a BATEREM no chão com uma MERDA DUM BARULHO QUE ME POE DOIDO.
Depois há aquelas que têm as unhas arranjadas, uns joanetes jeitosos mas, em compensação, aparecem outras que, só de olhar para os pés, dá logo vontade de vomitar.
Em termos estéticos o sapato passou a ter uma importância mínima e o que importa mostrar é o pé.

Ora aqui é que temos a minha 1ª grande esperança - quando é que as mulheres (melhor... as miudas boazonas) estendem este tipo de aproximação a todo o corpo e passam a ir para o emprego como se fossem para a praia: um biquini estilo fio dental e um top mínimo só para elas duas não descaírem muito.

Aí sim, será um prazer andar nos transportes públicos ou ter uma reunião chata com a chefe (que ou é um estafermo inteligente ou é estúpida que nem a porta de chapa ondulada de um estábulo de vacas indianas, mas "good like corn").

Atão até à próxima Boia

Importo, n/importo, Importo, n/importo, Importo, n/importo, Importo, n/importo, Importo, n/importo

Cambada de marinheiros bebados que me fecharam no porão e não conseguia sair daquela merda e depois ainda me fecharam o acesso ao bulogue e não conseguia cagar o que me apetecia e só me davam água mas eu queria uma cerveja do mundial de 2006 e não sei quem ganhou mas tambem não me interessa porque nada me interessa quando estou bebado e só me interessa ver onde ponho os pés para não bater com os cornos no chão.

Até pareço o Saramago.

Quanto ao desafio... não me importo com desafios, nem com p..tinhas jardim nem com paulas bobocas nem que os meus pseudo amigos não queiram jantar há um COLHÃO de tempo, nem que o Bush fique, vá, caia ou morra, e não sei se já são 6 mas também não me importo.

Já tou a tomar balanço.

Vou iniciar um novo tema nesta merda de bulogue - BOIAS DE ESCÁRNIO E MALDIZER.
É uma mistura de poias com pérolas a porcos com cantigas daquilo e outras tretas que me apetecerem.
Estarei, como bom tripulante, CAGANDO para os comentários, quqlaquer que seja o modo como me enviam.
As diarreias escritas serão numeradas como 1, 3, 5, 7, .... ou seja só numeros impares porque eu sou um gajo impar e não vai haver par para mim (já não há).

E com esta encerro para emitir o primeiro efluvio.

quarta-feira, junho 25, 2008

A estatística é uma coisa tramada

Todos os dias somos inundados de rankings de toda a forma e feitio, desde medidores de pessimismo a utilizadores de camisa de vénus. A coisa é de tal maneira que cada vez que o país está mal classificado (o que é quase sempre) sinto uma vontade inabalável de inventar uma estatística onde pelo menos não estejamos mal classificados. Pôrra, meu, nós somos maus mas se calhar há-de haver alguma coisa ou coisas onde nós sejamos bonzinhos, ou sofríveis, ou, vamos lá, do meio da tabela para cima. Sei que é difícil, mas com um pouco de imaginação pode ser que a coisa vá. Por exemplo, “percentagem de homens que usam bigode”, seria excelente para equilibrar as contas do ranking da violência doméstica, ou então “percentagem de homens com a unha do dedo mindinho grande” onde certamente alcançariamos o primeiro lugar. Outra hipótese seria “percentagem de gajas com telemóveis cor-de-rosa”, estatística importante por revelar um toque de feminilidade em contraponto a homens de bigode, com a unha grande do mindinho, e que dão porrada nas mulheres. A coisa até poderia melhorar caso a estatística investigasse quantos portugueses declaram ao fisco o ordenado mínimo nacional com dois ou três carros topo de gama estacionados à porta da maison na Quinta da Marinha, e do iate atracado na marina de Vilamoura, sem falar do monte no Alentejo. E melhor seria se esta estatística fosse alargada aos tais que usam bigode, têm a unha do mindinho com três centímetros, e que dão porrada nas mulheres que usam telemóveis cor-de-rosa. Claro que neste caso teríamos de separar os que jogam golfe e canasta dos que preferem empatar nos casinos e nas ucranianas, os que usam bigode dos que usam a barba de três dias, dos que usam cabelo à Gilberto Madaíl dos que usam cabelo à Nuno Melo, dos que passeiam com mulheres tipo barbie durante o dia, dos que passeiam mulheres tipo barbie durante a noite, dos que moram na Quinta da Marinha dos que moram em vivendas com repuxos e estátuas de anõezinhos no jardim, e por aí fora. Estou certo que em qualquer destas permissas alcançaríamos o primeiro lugar, o que teria certamente o efeito benéfico de levantar o moral ao pessoal que anda muito por baixo por causa de estatísticas tipo “ordenados mais baixos”, “piores rankings a matemática”, “maior desnível entre ricos e pobres”, por exemplo. E por causa disto é que o país é varrido de norte a sul com uma onda de pessimismo que, como não podia deixar de ser, passou a tema de estatística com os resultados classificativos que já se adivinhavam.
Estão a ver a idéia?

sexta-feira, junho 20, 2008

Forca, Portugal!!


É pá, a culpa é toda do Ricardo e do Scolari, pá, e do Paulo Ferreira, e do Ronaldo que para melhor do mundo e arredores não jogou uma beata, pá, e do Moutinho que só tem 15 cm de altura, e do cabrão do arbitro que não marcou falta ao alemão que empurrou o Paulo Ferreira, e depois os gajos só comem salsichas com joelho de porco e cerveja, e nós é mais sardinhas, bacalhau e vinho tinto, pá, e por isso é que a gente não cresce, somos uns enfezadinhos da treta com jeitinho para jogar à bola assim tipo artista de circo, mas os outros é que marcam os golos, os outros, os gajos que parecem barrotes a jogar à bola, pá, isto anda por aqui muita injustiça, nós éramos os melhores, os maiores, o Ronaldo era o melhor do mundo, e toma lá que já almoçaste! Nada disto é porreiro, pá, andámos nós, os maiores, a escrever grandes tratados que os outros ditavam para vir assim uns irlandeses estragar-nos a festa, pá, pôrra, pá, irlandeses e alemões são uns empata-fodas, gajos assim que se ressacam à custa de cerveja deveriam ser banidos do continente e ir rejeitar tratados para a Micronésia e jogar futebol nas ilhas Fidji. É pá, mais uma vez estragaram a festa ao pessoal, e agora andam para aí a dizer mal do Scolari e do Madaíl e do Sócrates e do Ricardo e do Barroso e do Cavaco e se nós tivéssemos vencido a Alemanha a coisa até seria diferente, aí sim seríamos os melhores do Sistema Solar, ou da Via Láctea, e todos estes gajos seriam agora uma espécie de santos, a ombrear com o Santos Silva e o Espírito Santo. É pá, um pobrezinho quando lhe dão uma sopinha aquilo até lhe sabe a lagosta com caviar e Don Perignon, se nos dessem a taça da Europa, a gente até se esquecia que o Madaíl existia, que o Scolari se vai embora, que o Sócrates ainda vai andar por cá muito tempo mais o Cavaco, é pá, a gente também tem direito, sei lá, já não falo em lagosta com caviar e champanhe mas, direito a que nos deixem em paz e sossegadinhos durante algum tempo, pá, sem chatear, pá, façam de conta que a gente não existe, os portugas não existem, pá, Portugal não existe, é o zero absoluto, o Nada, o Inominável, o buraco negro, é pá, só um bocadinho, façam ainda mais de conta que a gente não existe nem nunca existiu, mas agora a sério, pá, por favor, a sério, não custa nada...

sexta-feira, junho 13, 2008

Coisas que não me importo, parte II

Com as mini-férias já a entrarem na fase descendente, este tripulante promete empanturrar-se de penitências e hóstias a granel pela resposta tardia, mas como mais vale tarde que nunca aqui vai a resposta ao solene desafio do Antropocoiso sobre "Dizer 6 coisas que não se importe de fazer ou de ter". Como o comandante se encontra como sempre em parte incerta a tratar dos seus negócios de uma espécie de porno-resort, o Timoneiro está algures a envernizar o leme e a escrever "as mil e uma coisas que não vou fazer durante a reforma", o Decano continua extremamente ocupado a fazer não sei o quê com a Decana, e o resto da Tripulação ainda não se refez do enjoo, tomo a liberdade de passar a responsabilidade para outros blogues dos quais sou leitor assíduo e deixar estes tripulantes da treta de monco caído.
Sendo assim, aqui vai:

1º Não me importo de não ter um milhão um milhão de euros na conta bancária. Se os tivesse garanto que os gastaria muito mal gastos.
2º Não me importo que o Sócrates desça nas sondagens, que BE e o PCP subam ou que o Alegre forme um novo partido. Garanto que o meu boletim voto vai continuar a levar com o mesmo símbolo fálico do costume artisticamente desenhado.
3º Não me importo nada, mesmo nada, que a rádio só passe música anglo-saxónica de má qualidade ou que TV só dê telenovelas. Os meus cd´s de jazz e os meus DVD´s preferidos continuam a ser a melhor opção.
4º Não me importo de abusar de um belo petisco ou saborear umas cervejas ou um bom vinho. Nem que o colesterol suba a pique ao ritmo dos combustíveis.
5º Não me importo de continuar a conviver com os meus amigos mesmo que esses convívios sejam, infelizmente, cada vez mais espaçados.
6º E por fim, não me importo nada, mesmo nada, que o Bush vá dar uma volta. Haverá sempre um Obama que espera por nós no escuro da viela a afiar a faca.

E passo o inquérito ao Dragão, ao Samuel, ao Anarca, ao Animal à Minerva, e ao Kaos.

quinta-feira, junho 05, 2008

Coisas de que não me importo

Estava eu absorvido nas análises atentas ao desenvolvimento do mais importante acontecimento nacional, eis senão quando dou por mim a ver o "Antropocoiso" e no seu sub-item "É a vida", o meu amigo Paulo Granjo me faz o convite para entrar na corrente do "Não me importo..".
Digo-vos que só o Paulo seria alguém para desviar-me a atenção do fundamental desígnio luso a que todos nós, por certo e como autênticos portugas dos sete costados, estamos obrigados a seguir neste momento crucial em que a lusa pátria está em perigo.
Assim, dei descanso às teclas do comando da tv, desliguei os dois rádios portáteis que berravam em simultâneo e pus de lado os quatro jornais diários que estava lendo, dedicando-me por breves instantes a responder ao desafio que o meu amigo me lançava. Sei que não é de patriota, mas o Scolari e o Ronaldo que me desculpem, pois o euro 2008 fica interrompido por agora. Mas só até acabar estas breves palavras. Juro!
Colocado no leitor de cd´s o album Somethin` Else do Cannonball Adderley, qual musa inspiradora, aqui seguem as 6 coisas de que não me importo. E em boa verdade vos digo que não apenas não me importo, como não me importo mesmo nada.

-Não me importo de dizer o que me vai na cabeça, por muito estranho que possa parecer aos outros ou mesmo contrariando a corrente dominante, ou até podendo ferir susceptibilidades mais afoitas, desde que seja a minha verdade assumida.
-Não me importo com o que os outros podem pensar de mim, desde que não me ofendam ou agridam em formas inaceitáveis e que eu o saiba.
-Não me importo com as alarvices de políticos, comentadores de gaiola e outros que tais, mas não deixo de estar atento.
-Não me importo de passar várias horas em aeroportos apenas para apanhar um vôo de ligação para o destino que quero atingir, desde que o seja planeado.
-Não me importo com deuses, nem anjos, nem arcanjos.
-Não me importo com a bola.

Agora, pois que venham mais 6 e sigam as regras indicadas abaixo: O Ezequiel, o Humberto, o Luis S., a Minela, o Vasco e o Joaquim.

Regras:
- Dizer 6 coisas que não se importe de fazer ou de ter.
- Colocar o link da pessoa que o "mimou".
- Colocar as regras no blog.
- Desafiar 6 pessoas, deixando um comentário nos seus blogs.

segunda-feira, junho 02, 2008

Os reformados

Como alguns dos tripulantes desta embarcação à deriva já se encontram na reforma, enquanto outros fazem os impossíveis para lá chegar, achei pertinente manifestar aqui publicamente (se é que existe público leitor desta trampa) o meu total e incondicional estado de espírito sobre esta nova vida que se oferece aos ditos tripulantes: INVEJA!!!
Pois, é assim que eu me sinto, invejoso por ver o Estado a pagar para não fazerem a ponta de um corno, enquanto o mesmo Estado paga a outros muitíssimo melhor para ainda fazerem menos, apesar de oficialmente continuarem no activo. Espero assim que os marinheiros que a partir de agora têm os seus tempos ocupados a não fazerem nada, que se dignem interromper um pouco a sua tão árdua tarefa e postem aqui qualquer coisinha nem que seja para me mandar à merda. É que eu, não sei se sabem, ainda me faltam uns aninhos para a reforma se não correrem comigo antes, e, apesar disso, ainda consigo encontrar paciência para impedir que este blogue se esfume na negritude do esquecimento (esta foi mesmo rebuscada!).
Se esqueceram como se escreve em "bom" português, recordo que recentemente foi aprovado o tal acordo ortográfico que vai fazer com que a língua portuguesa seja ainda mais universal, quer na forma escrita quer na forma de sexo oral.
A todos os tripulantes neo-reformados desejo uma aposentação digna de um bom português, com bandeirinha nacional à janela, concursos de televisão, discos do José Cid e o livro do Cristiano Ronaldo. Ah, e não se esqueçam de votar na Manela Ferreira Leite quando a isso forem chamados, pois a tipa agora é assim toda social e amiga dos pobrezinhos e reformados e coiso...