Todos os dias somos inundados de rankings de toda a forma e feitio, desde medidores de pessimismo a utilizadores de camisa de vénus. A coisa é de tal maneira que cada vez que o país está mal classificado (o que é quase sempre) sinto uma vontade inabalável de inventar uma estatística onde pelo menos não estejamos mal classificados. Pôrra, meu, nós somos maus mas se calhar há-de haver alguma coisa ou coisas onde nós sejamos bonzinhos, ou sofríveis, ou, vamos lá, do meio da tabela para cima. Sei que é difícil, mas com um pouco de imaginação pode ser que a coisa vá. Por exemplo, “percentagem de homens que usam bigode”, seria excelente para equilibrar as contas do ranking da violência doméstica, ou então “percentagem de homens com a unha do dedo mindinho grande” onde certamente alcançariamos o primeiro lugar. Outra hipótese seria “percentagem de gajas com telemóveis cor-de-rosa”, estatística importante por revelar um toque de feminilidade em contraponto a homens de bigode, com a unha grande do mindinho, e que dão porrada nas mulheres. A coisa até poderia melhorar caso a estatística investigasse quantos portugueses declaram ao fisco o ordenado mínimo nacional com dois ou três carros topo de gama estacionados à porta da maison na Quinta da Marinha, e do iate atracado na marina de Vilamoura, sem falar do monte no Alentejo. E melhor seria se esta estatística fosse alargada aos tais que usam bigode, têm a unha do mindinho com três centímetros, e que dão porrada nas mulheres que usam telemóveis cor-de-rosa. Claro que neste caso teríamos de separar os que jogam golfe e canasta dos que preferem empatar nos casinos e nas ucranianas, os que usam bigode dos que usam a barba de três dias, dos que usam cabelo à Gilberto Madaíl dos que usam cabelo à Nuno Melo, dos que passeiam com mulheres tipo barbie durante o dia, dos que passeiam mulheres tipo barbie durante a noite, dos que moram na Quinta da Marinha dos que moram em vivendas com repuxos e estátuas de anõezinhos no jardim, e por aí fora. Estou certo que em qualquer destas permissas alcançaríamos o primeiro lugar, o que teria certamente o efeito benéfico de levantar o moral ao pessoal que anda muito por baixo por causa de estatísticas tipo “ordenados mais baixos”, “piores rankings a matemática”, “maior desnível entre ricos e pobres”, por exemplo. E por causa disto é que o país é varrido de norte a sul com uma onda de pessimismo que, como não podia deixar de ser, passou a tema de estatística com os resultados classificativos que já se adivinhavam.
Estão a ver a idéia?
Mostrar mensagens com a etiqueta desinteria crónica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta desinteria crónica. Mostrar todas as mensagens
quarta-feira, junho 25, 2008
segunda-feira, março 31, 2008
O novo terrorista

Pacheco Pereira converteu-se ao radicalismo islâmico?
Quem diria, depois das suas posições sobe a invasão do Iraque...
Mas JPP tem desde já meu apoio, tanto mais que outro já está a chegar-se à frente para gáudio desta Tripulação. É que Meneses já está a perder a piada toda, e o Santana anda tão caladinho ultimamente. Acreditem, esta gente faz muita falta para animar a malta, já que o socretismo só dá vontade de chorar.
Como é, JPP? Bombista suicida? Contribuo desde já com uma virgem para o paraíso do Pacheco...
quarta-feira, janeiro 23, 2008
Reforma antecipada
Que doença se esconde por detrás deste rosto bronzeado, desta pele bem cuidada, deste ar saudável de quem passa a vida a trabalhar a dar umas tacadas de golfe, umas partidas de ténis com os amigos, umas reuniões administrativas decerto extenuantes lá pelo BCP, apesar de não lhe faltar a secretária que tudo aponta e que tudo sabe, sim, que doença se esconde dentro da fatiota Armani e dos óculos Calvin Klein? E como é que a junta médica deu com ela, essa farsante doença, que atira com o senhor para a reforma ainda na flor da idade? Será um panaricio? Espinhela caída? HIV ou paralisia cerebral?
Seja como que for os quase 10 milhões de órios a somar aos 35 mil mensais são bem merecidos e é pena não serem mais, assim o senhor já não iria trabalhar como consultor depois de reformado, coitado. Fico deveras consternado com a sobrevivência deste rapazinho quando uma tipa ainda mais na flor da idade diz que tem uma doença degenerativa qualquer que a impede de trabalhar pró patrão, e que a impede de se arrumar sem a ajuda de alguém, e que vê recusada a reforma por invalidez por uma junta médica que felizmente está atenta, e desconfia com toda a legitimidade da doença desta senhora por ser tão evidente, tão evidente, que é mesmo para desconfiar. Ao contrário, o sr. dr. Teixeira Pinto não apresenta sinais exteriores de doença, o que por si só é um factor a ter em conta na sua honestidade. A não ser que a verdadeira razão seja algum hematoma causado pelo aperto do silício, essas coisas que alguns acólitos da Opus Dei têm de usar na coxa e que apertam quando são tentados pelo demónio ou faltam à missa das 7 por causa do jantar de despedida do confrade Jardim Gonçalves. Mas isso são só alguns, porque há-de haver outros que em vez de silício usam liga elástica com uma rosinha, e outros não usam absolutamente nada mas dizem que sofrem muito pelos males do mundo.
Se por acaso a junta médica ceder e enviar a senhora que diz que está inválida para a reforma, então eu deixarei de acreditar de vez neste país, em juntas médicas e no sr. Ministro da Saúde que tem feito um trabalho notável em prol da medicina privada que infelizmente ainda não tem o necessário status-quo para curar o sr. dr. Paulo Teixeira Pinto. O homem é um senhor, carago, merece pelo menos uma clínica em Londres ou um spa em Bora-Bora.
terça-feira, outubro 23, 2007
A tasca estava à cunha

A tasca estava à cunha, eram ao todo 27 clientes. O gerente e o anfitrião distribuíram a ementa, recolheram os pedidos, e quando fizeram a contagem faltavam dois pratos: o italiano e o polaco não tinham pedido nada. O gerente reclamou que assim não podia ser, o anfitrião aproveitou para fazer jogging à volta do quarteirão, o polaco fechou-se em copas, o italiano abriu-se em paus. Em coro pediram o livro de reclamações. O gerente interrompeu o jogging do anfitrião a meio da 5ª volta, e manifestou a sua preocupação: - E a ASAE? Se a ASAE aparece por aí?
O anfitrião aconselhou calma, despiu o fato de treino, tomou um duche frio, perfumou-se discretamente, treinou o seu melhor sorriso em frente ao espelho, e entrou na sala resplandecente. O italiano queria uma pizza que não estava no menu, o polaco só comeria se pudesse sentar-se entre o cliente francês e a cliente alemã. Depois de dolorosas negociações, algumas escaramuças, uns tantos sopapos e uns copos de vodka a coisa ficou assim:
o polaco aceitou ficar ao lado da cliente alemã e do cliente espanhol, que assim teve de ceder a sua posição. O gerente, sempre zeloso, propôs que se juntasse mais outra mesa. O italiano viu a sua pizza ser incluída no menu, embora não pudesse levar pimentos por causa das digestões difíceis.
Finalmente toda a gente pareceu satisfeita: o francês deixou escapar um “enfin, c’est la vie!”, o inglês suspirou “shame on you!”, a alemã pregou “mein gott!”, o espanhol cantou “Olé!”, o anfitrião deixou escapar um “porreiro, pá!”, ao que o gerente respondeu “bué, meu!”.
Depois do repasto e dos brindes da praxe, a conta foi enviada aos duzentos mil manifestantes que aguardavam lá fora.
“Fooooda-se...!”, exclamaram todos em coro afinado.
Subscrever:
Mensagens (Atom)