sexta-feira, maio 06, 2011

O acordo é um bom acordo, é um bom acordo, é um bom acordo...

Descansem os portugueses que o acordo foi um bom acordo. Descansem que assim já podem gozar as fériazinhas na praia da Cruz Quebrada, passear no Columbo ao fim de semana, ver as novelas da TVI, ouvir o Marcelo e o Goucha, comer uma sardinhada Bom Petisco, ler a Bola pelo menos 7 vezes por semana. No pasa nada...
Segundo Catroga (o avôzinho simpático, Marcelo dixit) o acordo, que foi um bom acordo, foi assim graças às boas graças do PSD e também do PPD. Pedro Passos Coelho ainda não sabe se foi bom ou mau, pelo sim pelo não compromete-se a cumpri-lo caso seja eleito. A troika diz que Sócrates não é de fiar, tem piada, nunca me tinha apercebido disso, nem acredito nisso, mas se a troika o diz é porque a troika não é de fiar. Se calhar diz isso do Sócrates porque o Sócrates é fã do Dexter, que é aquele serial-killer simpático que gosta de reduzir as vítimas a carne para hamburger, e eu que pensava que o Sócrates só via o Malato.
Agora sim, está tudo explicado.
Já agora, alguém me consegue explicar onde carga de água fica este país maravilhoso? É que ainda guardo religiosamente um cinto com um S na fivela, pelo sim pelo não.

sexta-feira, abril 29, 2011

Feijão Carrapato...

Bem sei que eu, ao pé deste ilustre personagem, não passo de um borra-botas e de um total desconhecido. Que nunca me licenciei na Católica nem leccionei por lá, nunca obtive um mestrado na Universidade Nova nem em Wharton, nunca fui administrador da Quimigal, da Colgate Palmolive, do Espírito Santo, da Vodafone nem pertenci ao concelho editorial do Diário Económico nem à Apritel (Associação dos Operadores Privados de Telecomunicações). Eu, como trabalhador por conta doutrem há trinta e tal anos devo ser visto como um verme que se esmaga com o tacão da bota por este cavalheiro, cujas benesses em popós de luxo, cartões dourados, e prémios adminstrativos devem suplantar centenas de vezes o meu orçamento familiar anual. Pois este cavalheiro preside ao movimento “Mais Sociedade”, entidade reciclada do “Compromisso Portugal” que ele também fundou e acarinhou. Pergunto o que leva este indivíduo, a quem não nego o mérito de ser o que é e a ganhar o que ganha, a botar discurso, adiantar sugestões e propor soluções que são autênticas escarradelas na cara de quem anda a contar os tostões uma vida inteira para sobreviver. O que entristece é que indivíduos deste calibre aparecem sempre que a crise se agudiza, contribuindo para afundar mais o que já está no fundo, mas enfeitando o discurso canalha com esguichadelas de chantilly para não parecer tão amargo. Que necessidade tem este fulano e outros como ele, que se abifaram de mordomias sem qualquer sentido para o exercício da sua actividade profissional, de engrossar o caudal da pulhice nacional, bem expressa nos vomitórios institucionais do PS, PSD e CDS e de todos os indigentes que os rodeiam? Terão medo do FMI que nem sequer lhes vai cobrar um cêntimo ou a coisa é muito mais complexa? Esta mania de quem está bem na vida mostrar protagonismo e sabedoria aos da estranja diz bem da sua própria natureza. São eles que sabem tudo, pois são os vitoriosos da vida, bem acima da escumalha que não soube aproveitar as vantagens e benesses que o capitalismo pôs à sua disposição. Vejam, senhores do FMI, não nos confundam com os tugas que frequentam a escola pública, o hospital de Santa Maria, a Carris e a CP, e moram na Amadora. Nós, como inteligentes que somos, só andamos de BMW para cima e moramos em condomínios de luxo com vista para o mar ou a Serra de Sintra.


Ainda vão ter cãimbras por andarem tanto em bicos de pés.

terça-feira, abril 12, 2011

O Far-West já não é o que era


Peter Steps Rabbit sacudiu o guarda-pó, ajeitou o chapéu de aba larga de pele de gamo, levou por instinto a mão à coronha do revolver que pendia à cintura, respirou fundo, e conduziu a cavalgadura em passo lento em direcção à rua principal e única de Bethsalem City. Desde que assumira a chefia da quadrilha Orange que ansiava por um duelo que fizesse aumentar o seu prestígio junto dos seus capangas. Mas para isso teria de eliminar o líder da quadrilha Rose, o impiedoso, sádico e resistente Filósofo. A partilha do território entre estas duas quadrilhas tinha sido mais ou menos pacífica e tolerada, contando por vezes com o apoio tácito e oportunista do reduzido grupo de Paul Doors, que ansiava por um lugar à mesa de poker de Days Laurel e Olive Tree of Coast, famosos pela batota às cartas mas que permitia ao dono do saloon ir mantendo o seu negócio de prostitutas e bebidas alcoólicas manhosas sem o xerife a chatear. Os Roses e os Oranges lá iam controlando à vez os negócios, oferecendo território ao caminho de ferro em troca de acções e títulos nas empresas que o exploravam, território esse obtido à custa da expulsão dos Apaches cujo chefe Jerónimo resistia esperando uma oportunidade para ripostar e iniciar a reconquista. Mas apesar do apoio esporádico da tribo Left Block os apaches mal saiam da sua reserva no sul, provocando por vezes uma ou outra escaramuça sem importância ou dançando a dança da chuva. Os Roses controlavam há demasiado tempo todo o território e os Oranges estavam impacientes para ocupar o seu lugar.

Peter Steps Rabbit assumira a chefia da quadrilha Orange depois da derrota de Calamity Nelinha Milk frente ao Filósofo, apesar deste ter levado com um ou dois balázios que deixaram mossa. E Peter já começava a ser contestado pois a sua reputação não ia além de um assalto a uma florista em Bad Mass City. Comparado com o Filósofo, era um menino de coro. O assalto em Freeport City, as suspeitas de envolvimento na seita Hidden Face, a má fama em Guard City e Wool Lair, era um currículo invejado e difícil de bater por um pistoleiro como Peter, que quando disparava acertava quase sempre num pé, que na maioria das vezes era seu. Nem o assédio descarado ao pastor Frank Noble, homem virtuoso que volta e meia ia ensinar os índios da pradaria a comer com faca e garfo, baixou a contestação.
E foi assim que Peter Steps Rabbit em acto de desespero desafiou o Filósofo para um duelo até à morte em Bethsalem City.
O Filósofo surgiu ao fundo da rua principal todo vestido de negro, montado no seu corcel também negro, o que produzia o estranho efeito de não se saber onde começava o homem e acabava a cavalgadura.
No outro lado Peter Rabbit desmontou com elegância, prendeu o cavalo à entrada do salloon, e aguardou. O filósofo desmontou por sua vez, enxotou o cavalo com uma palmada e aguardou.
Enquanto o ponteiro dos minutos do relógio da torre rodava lentamente em direcção meio-dia, os dois homens fitavam-se olhos nos olhos sem pestanejar. Nem um pássaro piava, nem um cão ladrava, nem um mosquito zunia. O embate estava prestes a começar.

Já os dois duelistas suavam que nem porcos e preparavam- se para sacar das pistolas, e o relógio da torre iniciava a contagem das 12 badaladas do meio-dia, quando à décima badalada um grito tronitroante fez parar o relógio: - Alto! E pára o baile!
O famigerado juiz Anibal C. Silver , outrora famoso fora-da-lei, fora o autor do grito que impediu o duelo fatal. Rodeado pelos rancheiros mais ricos do território, Alexis Juarez of Ghosts, Richard Salty, Frank Ulrich e Joe Berard, o juiz Silver, homem seco e anti-social, desarmou os duelistas, pregou dois pares de chapadas em cada um, e botou discurso:

- Acabou-se! Já não há terra arável no território, o caminho de ferro dá prejuízo, os batoteiros viciaram as cartas todas, os xerifes já só aceitam subornos em dólares de papel, os assassinos profissionais só trabalham a pronto-pagamento, os bancos já foram todos assaltados e com tantos bandidos desempregados até os banqueiros viraram malfeitores! Não podemos gastar mais dinheiro em duelos inúteis nem a caçar índios na pradaria. Das duas, uma: ou resolvemos isto de vez a contento de todos, ou mudamos para Leste.
É claro que o Filósofo não gostou do par de chapadas e prometeu vingança, Peter Rabbit corou de vergonha e foi fazer queixinhas ao seu acessor Michael Grass, e até o juiz Anibal C. Silver ficou um pouco constrangido pela sua atitude. O que não impediu que a cavalaria acabadinha de chegar de Washington entrasse pela cidade dentro, esvaziasse o bar do salloon até à última gota, partisse a mobília e o piano, incendiasse a igreja, fodesse as prostitutas, levasse todo o dinheiro que ainda havia no banco e cerrasse fileiras em direcção à reserva índia, onde ainda existiam algumas peles de bisonte, contas e colares para saquear.

Uns dias depois os abutres invadiram o território deserto onde se banquetearam com as poucas sobras existentes. Do que se sabe, tanto o Filósofo como Peter Steps Rabbit dividem entre si um lugar de porteiro na Reserva Federal, o juiz Anibal C. Silver goza de especial reforma no sul do território a conta e despesa dos seus amigos Days Laurel e Olive Tree of Coast, o chefe Jerónimo continua na reserva a dançar para que chova mas sem sucesso, e o esquecido Paul Doors anda de cidade em cidade a vender tónicos contra a queda do cabelo.

O Far-West já não é o que era. Definitivamente.

Em promoção, num supermercado perto de si


(Imagem surripiada daqui)

quarta-feira, março 30, 2011

A Síndrome do Lacaio




A síndrome do lacaio é uma doença do século XXI, que explica o embrutecimento das multidões, a inércia face ao aumento das injustiças e a generalização do egoísmo social.


O lacaio tem um comportamento patológico que o faz defender sempre as classes mais favorecidas, com prejuízo daquela a que pertence. Não tem consciência política e age sempre a favor dos que o exploram, na esperança de atrair benevolência.

O lacaio não escolhe gostar dos ricos (gosta deles precisamente porque é lacaio) e considera que o dinheiro que lhe faz falta é muito mais útil nos cofres de quem os tem já cheios.

O lacaio ou herda a sua condição (depois de tantos séculos de escravatura e de feudalismo, pode ser que exista já uma transmissão genética...) ou sofre de uma patologia que se desenvolve desde a infância mas se agrava quando o sujeito toma consciência da mediocridade da sua condição.

O lacaio desenvolve estratégias inconscientes para estabelecer um equilíbrio cognitivo que ajude a justificar a aceitação da subordinação e a sublimar a desilusão.

O lacaio tem um vago sentimento de injustiça, mas convence-se que está do lado correcto da barricada e encaixa maravilhosamente medidas de austeridade ou restrições de liberdades. É a favor da existência de câmaras de vigilância, mesmo que estas não o protejam do que quer que seja.

O lacaio sente-se perfeitamente seguro pela pertença a uma classe social a que é perfeitamente estranho e considera-se integrado no conjunto de 1% dos cidadãos privilegiados do seu país – tal como 20% dos seus compatriotas, lacaios como ele.

Mais completo aqui.

Original aqui

quinta-feira, março 24, 2011

quarta-feira, março 23, 2011

Não gosto de despedidas, mas esta sabe-me a pouco


Há-de chegar a vez do Coelhinho. E daquele gajo de Boliqueime que não sei o nome...

sexta-feira, março 18, 2011

Sai mais um desabafo pró monte!



Agora no rescaldo na manif à rasca, e depois de alguns iluminados desancarem nos putos, ou porque tinham rastas, ou brincos, ou roupas da zara, para além de uns cursos superiores que não interessam ao menino jesus (só é economista quem pode, e quem tem amigos bem colocados), e porque não têm direito a refilar porque a precaridade veio para ficar, e vai de se habituarem aos recibos verdes, amarelos e azuis, e aos call-centers, e aos estágios sem carcanhol, e quem os mandou assim de sopetão tirarem cursos de ralações internacionais, e animação cultural, e artes plásticas, e psicologia, e antropologia, e sociologia, tudo coisas esotéricas que não dão graveto, nem status social, nem desconto nas lojas armani, e nem sequer fazem parte do programa da católica, e depois estes tipos com rastas e brincos em sítios estranhos não têm pinta para entrar num campo de golfe, nem no tavares rico, nem no porto de santa maria, foda-se, quem os mandou tirar cursos daqueles mesmo que isso fizesse parte dos seus sonhos, já não se pode sonhar, sonhar já é proibido? E não se pode ter filhos, nem criar família, ah, mas isto seria propagar a peste dos enrascados, criar gerações e gerações de brincos na orelha, rastas e mal vestidos.


O que está a dar é economistas, gestores, advogados, contabilistas, gente com nível para ajudar o soares dos santos a fugir ao fisco e dar a volta aos trabalhadores polacos, gente com nível para intermediar as parcerias púbico-privadas e engrossar as fileiras das mota-engiles, gente com pinta para comentar na tv os meandros da economia e propor soluções que possam servir os interesses de quem lhes paga.

E é assim que nos querem obrigar a trabalhar mais e por menos dinheiro, e aumentar a idade da reforma, e ao mesmo tempo despedem o pessoal, defendem a precaridade, por causa da longevidade e da competitividade, e do caralho. Não há outra solução, dizem eles, o mundo agora é global, a economia é global, global é a tua tia, como dizia o outro. Se não há solução fabrica-se uma, por exemplo, uma central nuclear só com uma entrada e sem qualquer saída. E metia lá dentro todos estes economistas, advogados, charlatões, vendedores de banha da cobra, escrevinhadores de semanários, comentadores do mário crespo, mais o soares dos santos, o belmiro e o berardo, e aqueles banqueiros todos, mais os defensores do nuclear, e dava-lhes um taco de golfe e uma bola e um buraco e iam todos jogar golfe com iva a 6% para dentro da central, de preferência bem perto do núcleo para ficarem mais quentinhos, e fechava aquela merda e deitava a chave for a.

Dizem os estudiosos destas coisas que isto é assim há centenas de anos, que estamos perante a sobrevivência dos mais fortes, que ricos e pobres sempre houve e haverá. E eu que pensava que isso só existia em novelas da tvi.

Daquelas frases que não dão jeito nenhum...

Tivemos o feudalismo, o fascismo, o comunismo, o socialismo. Agora temos o abismo.

quinta-feira, março 10, 2011

PUTA QUE O PARIU...PIM, MORRA!

Acordei bem disposto. Chovia por baixo de um céu cinzento lindo de morrer, o frio entrava nas frestas, o dia apresentava-se como radiante e promisor. E foi!
Caí na tentação de ligar a tv e....pumba, o sol apareceu, o calôr aqueceu a alma e secava a lama à frente da minha porta. Só desgraças para dar cabo de um promisor dia.
Vá lá que se fez alegria ao ouvir pela quinquagésima nona vez o mui elaborado discurso da tomada de posse do amado Cavaco S.! O homem, besta, mormon, geová, gay sem cú, pilantra, aventesma, alien de saturno, dinosauro putrefacto, cadela com cio, anjo do demo, espírito fantasma do c. castro, agiota do leste, tia de alterne, fufa arrependida, cara de cona de andorinha, dívida pública, merdell sem tomates, bercusloni panasca, sarkonas do terreiro do paço,....aí estava a repetir sem se engasgar ou sem gaguês que isto tá mal, que o mar é o destino para afogar os subditos que ainda continuam vivos, que os jovens que não pularem são panascas, que os políticos têm feito merda, que a maria ainda consegue fazer uns broches dignos de uma constituição europeia refinada pelo seu tratado de lisboa, que a crise é uma prostituta vip, que isto tá mal por coisa e tal, que agora é que os ceguinhos vão ver com a distribuição gratuita dos mesmos medicamentos que há uns tempos lhes deram por engano!
O sinhôr, todo aperaltado e com ar de grávido a quem lhe rebentaram as águas pelo cú, aí estava a receber palmadinhas dos seus correlegionários embevecidos com suas doutas palavras, apontando o dedo ao futuro, qual imagem da estátua do grande estaline, mostrando que a partir de agora a balburdia no oeste vai passar a noroeste, que o país dos bananas vai passar a ser o país dos rabanetes. E olhando para as câmeras da tv, enchendo os microfones de saliva corrosiva, mostrou ao mundo que o belzebu não tem nada, mas mesmo nadinha a ver com o que ao que isto chegou! Fez-se luz, qual buda no nirvana, neste dia promissor: PUTA QUE O PARIU...PIM, MORRA!

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Desempregados de todos os países, uni-vos!


Anuncia o governador do Banco de Portugal que o país entrou em recessão. Finalmente! Significa que muitos dos desgraçados 88,4% de trabalhadores irão aumentar a hoste dos 11,4% de felizardos desempregados. Gente que ainda atura patrões, directores e chefinhos, deveria pura e simplesmente ser despedida ou obrigada a despedir-se. Para tal é de louvar as propostas de simplificação dos despedimentos no código laboral. Só assim, aumentando a percentagem de desempregados é possível desenvolver o país. Mas tem que se exigir um desemprego de qualidade, com passeios organizados e estadias no INATEL. Nada de visitas regulares ao centro de emprego, nem cursos de formação em higiéne vaginal. Um desempregado, como elemento importante no progresso e desenvolvimento da sociedade capitalista deve levar uma vida tranquila, sem stress, sem preocupações. Bem bastam os milhões de empregados que andam por aí ao deus-dará, nas filas de transito, dos autocarros, do metro, no IC19, na 2ª circular, dando uma imagem de gente trabalhadora, descontente, invejosa, traiçoeira, imagem de que o país deve livrar-se quanto antes, fabricando e aprovando leis que facilitem o despedimento desta canalha. As fábricas, os bancos, os serviços, os hospitais, as tascas, os concursos da televisão, pululam de excesso de trabalhadores. Imaginem o dinheiro que os empresários poupariam se toda esta malta estivesse no desemprego. E o que faria o país com todo esse dinheiro! Qualquer dia até poderíamos emprestar dinheiro à Alemanha!


Faça um favor ao país: despeça-se já!

Por um milhão de desempregados no olho da rua!

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Os putativos novos ministros (depois de Sócrates, q.e.d.)

 

Passos Coelho já se prepara para suceder a Sócrates. Assim, já correm por aí rumores de possíveis ministriáveis, e que, mesmo sendo rumores, não dispenso uma análise pura, descomplexada, desinteressada e imparcial de alguns nomes vindos a lume.



Vamos começar por Eduardo Catroga, o "avôzinho simpático que meteu Teixeira dos Santos no bolso", citando o irreparável prof. Marcelo ao comentar a negociação do PREC entre as duas quadrilhas de malfeitores, os dois principais partidos políticos. Pois Teixeira dos Santos deixou Catroga à espera dele como se estivesse nas urgências do Santa Maria, o que a meu ver foi a única coisa de jeito que o ministro fez até agora. Sendo Catroga um cavaquista assumido, seu vizinho na urbanização da Coelha, possívelmente habitué lá de casa e apreciador dos rissóis da Maria, a escolha de Passos Coelho parece-me, no mínimo, estranha, dada a aparente ausência de simpatia entre Cavaco e Coelho. Ou então é só para português ver, e para dar emprego a dezenas de comentadores que vivem da dissecação destas tretas e quezílias como se falassem de prostitutas baratas.




Segue-se Vítor Bento, que marca presença regular na tv, e cujas análises económico-financeiras deixam transparecer que o senhor tem tanta coisa dentro daquela cabeça como tem de fora, mas só por ter ouvido o senhor uma única vez seria incorrecto da minha parte deixar cair aqui esta opinião, e corrijo desculpando o senhor pelos excessos ao jantar desse dia.


Finalmente João Duque, colega de Bento na tv, e creio que escrevinhador no Expresso. Cada atoarda deste senhor é repetida pelo inefável Passos Coelho como se dele fosse eco. Duque tem aquele arzinho muito muito liberal, tão liberal que não deve pagar o condomínio há seis meses. Infelizmente apenas o ouvi dissertar uma única vez, e mais valia ter batido uma sarapitola a assistir ao programa da Catarina Furtado.


Posto isto, se algum destes personagens vier a ser ministro da Economia ou das Finanças ou tudo junto, é mau sinal, pois significa que ainda não conseguimos atingir o fundo dos fundos, o buraco da extrema profundidade, o infinito da eterna cloaca.

Pôrra, são precisos tantos anos de sofrimento para lá chegarmos?











sexta-feira, janeiro 28, 2011

Enfi'ó Barreto!


Depois de engolir o batráquio de alcunha Presidente da República, depois de assistir às sucessivas tropelias dos socretinos a raspar o bolso ao pessoal, depois de assistir aos protestos das escolas privadas que ai jesus o estado nos anda a gamar e vamos fechar o clube de hipismo, e o campo de ténis, e as aulas de boas maneiras da Paula Bóbó, e a missa ao domingo, e o terço nos intervalos, e o caralho que os foda, e mais os analistas salpicados de trampa que dissecam as eleições, a economia, as finanças, a educação, a saúde, e mais a sociedade em geral, e a produção, e a preguiça, e o fmi, e a aventesma da merckl, e as agências de rating, e os juros que não param de aumentar, e mais o discurso sacana do cavaco, sim, depois de tudo isto e mais além, ouço e vejo, e até acredito porque da ave que se segue só podia vir tal esguicho de merda, ave essa que dá pelo distinto nome de António Barreto, ex-ps, ex-ministro da agricultura de má memória, e agora opinador de patacoadas a engrossar o longo rol de bestas que escreve e debita nos jornais e tv, " É preciso fazer reformas para evitar uma revolução", Barreto dixit, como quem remata a frase derradeira que há-de acabar com o mundo.
Ora não posso deixar de me espantar com mais esta arrochada:
1º A haver reforma só quando me passarem a certidão de óbito, e mesmo assim com uma talhada de 50% ou mais, e não recebo porque entretanto deixei de pertencer ao mundo dos vivos.
2º Se o Barreto se refere àquelas reformas que os governantes fazem e em que tudo fica na mesma ou pior, sobre essas já está tudo dito.
3º Se o Barreto quer evitar uma revolução aqui neste cantinho, não precisa de reformas por muito boas que elas sejam. Basta analisar o resultado das ultimas eleições para entender que aqui não é preciso fazer nada para as evitar. E se não chegar há sempre um saca-rolhas como arma do crime, um bibi que andou a mentir porque o drogaram, um Goucha e uma Pinheiro a rebolarem-se no imaculado chão da tvi. É preciso mais?
4º Por último, e para fantasiar um bocadinho, imagine-se uma revolução aqui e agora, com greves generalizadas, cortes de estradas, porrada de criar bicho, coisa horrorosa que está a acontecer no Magreb, mas como são árabes e um pouco escuros pode passar na tv que é para a gente apreciar a selvajaria daqueles ímpios, mas o que se vai passando aqui ao lado na Galiza e no País Basco, népia. Perigo de contágio, não é filho?
Mas dizia eu, imaginem uma revolução aqui no quintal, com o governo deposto, os socretinos a fugirem para o Azerbaijão, o cavaco a nadar até à Madeira, o portas e o coelho mais os dejectos-set (esta não é minha mas está bem apanhada!) a sujaram as delicadas gânfias na recolha do lixo ou na apanha do tomate, imaginem então que destino teria o "suciólogo" Barreto neste cenário idílico.

Aguentem-se. Enquanto a imaginação não chegar ao poder é por aqui que se afirma. Ainda que saiba mal e cheire ainda pior. Coisas da vida.