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terça-feira, junho 28, 2011

Carissímos amigos, companheiros, marinheiros, palhaços…

É com muito sacrifício que abandono a gruta onde tenho meditado sobre as contas do sub-prime e as mentiras do inginheiro, o risco ao lado do coelho e os pintelhos do cartoga. Muito tenho investido em purgas e cházinhos para entender o que se passou no período pré-eleitoral, mas nem com dez sessões de tai-chi e contorcionismos de yoga isto lá foi. E para agravar a questão das troikas, e dos empréstimos, e dos juros, e se pagamos ou não pagamos, eis que a UE surge neste final de ciclo como uma entidade gastadora em hotéis de luxo, jactos privados e putas finas. Mas por aí fico descansado, o “nosso” barroso já veio dizer que a coisa está muito mal contada…

Agora, e depois de ter botado o voto na urna, escrevo aqui o meu alívio por Sócrates e seus capangas deixarem de me atormentar o sono cedendo o lugar a Coelho e sus muchachos. Se por um lado passei a dormir melhor, por outro acordo com comichões sempre que me lembro “do que aí vem”, e a “troika”, e “vamos passar muito mal mas é para nosso bem” e o caralho que os foda a todos. Mas a coisa já começou a aquecer com o chumbo do Nobre, que ainda não percebeu a diferença entre a AMI e o Cabaret da Coxa. E eu a pensar que era agora que me retirava, muito sossegadinho, porque esta merda assim já não tem qualquer interesse. Nos últimos tempos há um secretário de estado que já não é por causa de uma codrilheira que debita na tvi, um ministro que gosta de ser tratado pelo nome próprio, um primeiro ministro que voa em económica para não gastar mas afinal o bilhete é oferecido, enfim, isto promete risota até mais não. Por isso vou continuar a andar por aqui de vez em quando. Seria bom que a restante marinhagem larga-se o lastro e se pusesse a jeito. Isto teria muito mais interesse.

quarta-feira, março 30, 2011

A Síndrome do Lacaio




A síndrome do lacaio é uma doença do século XXI, que explica o embrutecimento das multidões, a inércia face ao aumento das injustiças e a generalização do egoísmo social.


O lacaio tem um comportamento patológico que o faz defender sempre as classes mais favorecidas, com prejuízo daquela a que pertence. Não tem consciência política e age sempre a favor dos que o exploram, na esperança de atrair benevolência.

O lacaio não escolhe gostar dos ricos (gosta deles precisamente porque é lacaio) e considera que o dinheiro que lhe faz falta é muito mais útil nos cofres de quem os tem já cheios.

O lacaio ou herda a sua condição (depois de tantos séculos de escravatura e de feudalismo, pode ser que exista já uma transmissão genética...) ou sofre de uma patologia que se desenvolve desde a infância mas se agrava quando o sujeito toma consciência da mediocridade da sua condição.

O lacaio desenvolve estratégias inconscientes para estabelecer um equilíbrio cognitivo que ajude a justificar a aceitação da subordinação e a sublimar a desilusão.

O lacaio tem um vago sentimento de injustiça, mas convence-se que está do lado correcto da barricada e encaixa maravilhosamente medidas de austeridade ou restrições de liberdades. É a favor da existência de câmaras de vigilância, mesmo que estas não o protejam do que quer que seja.

O lacaio sente-se perfeitamente seguro pela pertença a uma classe social a que é perfeitamente estranho e considera-se integrado no conjunto de 1% dos cidadãos privilegiados do seu país – tal como 20% dos seus compatriotas, lacaios como ele.

Mais completo aqui.

Original aqui