“Sabemos que o estrangeiro nos inveja – isto, quando chega a compreender-nos, porque num primeiro contacto, acha estranho que meio quilo não sejam 500 gramas, principalmente se bem aviado, ou que meia dúzia de sardinhas sejam sete, se forem pequenas, ou que andemos na estrada a fazer sinais de luzes uns aos outros, quando passamos por um guarda – mas ao estrangeiro dizemos, com um sorrisinho, que mil anos de experiência, já dizia o outro, demoram pelo menos mil anos a adquirir.
Tudo terá começado, segundo quem estudou o nosso passado, que nós estudámos pouco derivado aos matraquilhos, com Viriato e a resistência às hostes romanas. É evidente que meia dúzia de pastores dos montes Hermínios não podiam fazer frente, de frente, a tão poderoso império. Como é que então o pessoal da Lusitânia fez? Não podendo pegar de caras, foi de cernelha. Moeu a cabeça aos centuriões até eles desistirem e dizerem despeitados que aqui vive um povo estranho, que nem se governa nem se deixa governar.
Depois veio Afonso Henriques, que não lhe chegava ser conde, queria ser rei. Afirmo que desconfio muito da vontade e do entusiasmo dos nossos antepassados do ano 1100, em relação à independência. Se houvesse Pátria, ainda se podia pôr a questão patriótica, mas o que havia era um território que não era do povo, mas de alguns da realeza de então, portanto o interesse de fazer Portugal, cá para mim, era apenas de Afonso e seus camaradas, os quais não queriam prestar vassalagem e pagar impostos, ainda que com o dinheiro do povo, não era com o deles. Eram uma espécie de adolescentes avant la lettre, na idade da rebeldia, com ganas de se emanciparem, para poderem brincar aos pais e às mães, reis e rainhas, sem a supervisão dos adultos. Ó Teresa, vai lá ver a S. Mamede o que é que o miúdo anda a fazer que está tão calado, disse o conde.
Para o povo portucalense, ser explorado pelo rei de Castela, pelo de Aragão, pelos reis magos ou pela nobreza que de Espanha se queria autonomizar, devia ser um pouco indiferente. Quem queres que exerça o direito de pernada, ó jovem noivo, servo da gleba em Guimarães? O sem-borgonha do Afonso castelhano, ou o desborgonhado do filho de Dona Tareja?
Mas o povo portucalense, talvez precisamente porque tanto se lhe dava, ergueu as sobrancelhas, num gesto de o que é que se há-de fazer, este agora quer ser rei, e lá ajudou Afonso Henriques a traçar um Estado-Nação, independente e novinho em folha, com terras e cidades conquistadas aos mouros e tudo. Ok, Afonsinho, se o menino insiste, nós vamos ver se damos um jeito.
E fomos por aí fora, cheios de pachorra, aceitando filosoficamente dias maus e outros bons, a dar jeitinhos e golpes de rins, a descobrir continentes, a folgar as costas enquanto os paus iam e vinham, a sobreviver como nação a um Sebastião e três Filipes, ao desbaratar do ouro em conventos de Mafra e coisas mais desnecessárias, até deus e a geologia nos pôr à prova, de forma brutal, a 1 de Novembro de 1755.
Agora é que eles se passam, pensou o mundo. Qual quê! Com calma, recuperámos do terramoto, saindo com menos traumas do que Voltaire e muitos filósofos, e ainda aguentámos os excessos do marquês de Pombal, certos de que, mais cedo ou mais tarde, o homem cairia em desgraça e nós ainda cá estaríamos prontos para outra. Lagarto, lagarto.
Passados anos, chega o Napoleão, na forma de Junot e, enquanto os outros países tentam conter as invasões e se esfarrapam para resistir ao irresistível, o que é que nós fazemos? Bom, a corte vai até ao Rio de Janeiro ver as escolas de samba e plantar jardins botânicos, como quem não quer a coisa, com a rainha louca e o príncipe regente a arrastar a esposa, a qual, por não ser portuguesa, não estava a perceber nada, desconhecendo essa manobra militar que alguns insistem em classificar de retirada, mas em Portugal se chama piranço estratégico, e toca a embarcar que eles já vêm na 24 de Julho.
Quanto ao povo, na falta de exército e fidalguia que faça frente às hordes napoleónicas, dá um jeitinho para os franceses caberem – entrem, mas não me façam muito mal – ao mesmo tempo que pede uma mãozinha aos compatriotas de D. Filipa, a de Lencastre e boa memória. Sempre fomos amigos. Se eles ficarem convencidos de que mandam na gente, deixa-os ficar. De qualquer maneira já tinham a nossa economia nas mãos e comandavam a nossa política externa, portanto…no problem.
Depois, na guerra civil entre miguéis e pedros, na crise do mapa cor-de-rosa, na decadência da monarquia, na confusão dos sidónios e dos possidónios, na primeira república, na ditadura salazarista, no PREC, na democracia estabilizada, na Europa, até hoje, no Portugal globalizado, foi, é e será sempre igual.
Em que outro país, digam-me lá, os militares fazem um golpe, derrubam um regime, tomam o poder e não descansam enquanto não o passam para a mão de políticos civis feitos à pressa que, salvo honrosas excepções, ainda em menos tempo ignoram, desprezam ou trucidam os libertadores?!”
Isto tudo para dizer que a história passada se repete, mais ou menos, pois os tempos mudam e a modernidade já não é o que era.
Assim, vejamos:
No texto anterior, altere-se o Afonso Henriques pelos Mário Soares e Sá Carneiro. Depois altere-se os Sebastião e Filipes por Paulo Portas, Guterres e Santana e uns quantos mais que vão igualmente desbaratando o ouro que ainda sobrava agora não em conventos e outras coisas desnecessárias, mas por amigos e amigalhaços que calmamente se encarregam de o distribuir pelos que anteriormente tinham fugido não apenas para terras de África, mas mais recentemente também para países civilizados onde o conforto e espera por dias mais felizes asseguravam a sua fortuna e poder.
Porque a história repete-se mas não de forma igual, felizmente não tivemos novo terramoto, mas a destruição material do património nacional foi assegurada pelos tais amigos e amigalhaços que seguiram os ensinamentos do tal marquês de Pombal, com reconstruções de menor qualidade e sem apego a planeamentos que levassem a melhor qualidade de vida, mas apenas e fundamentalmente para melhorar a qualidade de vida desses tais amigos e amigalhaços.
Napoleões já não existem como antigamente, mas substitua-se por Comunidade Económica Europeia e depois por União Europeia, e atente-se na fuga do Durão Barroso para Bruxelas como paga pela benevolência para com a invasão americana, pois sempre fomos amigos e se a Alemanha, França e Inglaterra de qualquer maneira já tinham a nossa economia nas mãos e comandavam a nossa política externa, portanto…no problem.
Guerra civil, nos moldes antigos, também não tivemos na história recente, até porque a república já cá estava e manteve-se, mas reduzidos à sua expressão mais ínfima os maiores inimigos das direitas deixaram de ser problema de peso, donde a vitória socrática veio para aclarar e fortalecer o que outros tentaram sem sucesso, manter o Portugal globalizado no que sempre foi, é e será: um país de merda!
(o texto inicial foi retirado do livro “10 Razões Para Amar e Odiar Portugal”, António Costa Santos)
domingo, julho 11, 2010
Estamos a cagar de alto!
Pois de há muito que não vinha aqui por estas paragens dar um ar da minha graça...ou desgraça, mas ao ver o ultimo desabavo do Timoneiro "Estertor da morte anunciada.." e do Ukabdsinais "da via sacra da tripulação ou como o timoneiro imagina o seu naufrágio", não consigo ficar calado.
Para já, parece-me que estes valorosos tripulantes andam um pouco em baixo, como que esquecendo que pertencem à estirpe da Tripulação Maravilha e não a uma qualquer estirpe da gripe ou da sida. Entendo que a idade vai fazendo das suas e não é fácil, mesmo a um marinheiro que já tenha percorrido mundos e fundos e apanhado com mares alterosos e monstros da pior espécie, passar sempre ao lado do desespero moribundo. Mas a força que os motivou a galgarem os mares e intempéries deve ser o estímulo suficiente para não baixarem os braços e muito menos, a sua força interior. Claro que quando alguém, mesmo o mais valoroso dos tripulantes, começa a dedicar-se à leitura de Nietzsche, aos discursos do Sócrates e do Passos Coelho, a dar ouvidos ao Marcelo e outros quejandos da nossa praça, aí a morte anunciada começa a borbulhar.
É evidente que qualquer marinheiro, por mais destemido e valoroso, se deixa embalar pela "crise", esquecendo que a crise existe desde que foram mandadas construir as primeiras caravelas, aí começa a sua via sacra e o naufrágio pode estar próximo.
Claro que a Tripulação já não é assim tão maravilha como já o foi outrora, mas que diabo, a nau catrineta ainda não foi ao fundo e cá estamos para a ir remendando aos poucos.
Podem privatizar o que ainda falta, seja a segurança social, seja os caixotes do lixo, seja o que fôr. Podem até aumentar os iva e irs até 99% do nosso triste soldo. O que um Tripulante nunca permitirá é que o privatizem a ele, pois aqui no Cesto da Gávea o lema é e será:"Esta é a folha de papel higiénico que usamos no Cesto da Gávea, local onde a Tripulação Maravilha (TM) vem despejar o que lhe vai na merda da cabeça, mostrando ao Mundo que estamos a cagar de alto!"
Nem que mais de dez milhões de portugas se deixem apanhar nas malhas das redes da treta, nós, os Tripulantes, sempre gritarão: ESTAMOS A CAGAR DE ALTO!
Para já, parece-me que estes valorosos tripulantes andam um pouco em baixo, como que esquecendo que pertencem à estirpe da Tripulação Maravilha e não a uma qualquer estirpe da gripe ou da sida. Entendo que a idade vai fazendo das suas e não é fácil, mesmo a um marinheiro que já tenha percorrido mundos e fundos e apanhado com mares alterosos e monstros da pior espécie, passar sempre ao lado do desespero moribundo. Mas a força que os motivou a galgarem os mares e intempéries deve ser o estímulo suficiente para não baixarem os braços e muito menos, a sua força interior. Claro que quando alguém, mesmo o mais valoroso dos tripulantes, começa a dedicar-se à leitura de Nietzsche, aos discursos do Sócrates e do Passos Coelho, a dar ouvidos ao Marcelo e outros quejandos da nossa praça, aí a morte anunciada começa a borbulhar.
É evidente que qualquer marinheiro, por mais destemido e valoroso, se deixa embalar pela "crise", esquecendo que a crise existe desde que foram mandadas construir as primeiras caravelas, aí começa a sua via sacra e o naufrágio pode estar próximo.
Claro que a Tripulação já não é assim tão maravilha como já o foi outrora, mas que diabo, a nau catrineta ainda não foi ao fundo e cá estamos para a ir remendando aos poucos.
Podem privatizar o que ainda falta, seja a segurança social, seja os caixotes do lixo, seja o que fôr. Podem até aumentar os iva e irs até 99% do nosso triste soldo. O que um Tripulante nunca permitirá é que o privatizem a ele, pois aqui no Cesto da Gávea o lema é e será:"Esta é a folha de papel higiénico que usamos no Cesto da Gávea, local onde a Tripulação Maravilha (TM) vem despejar o que lhe vai na merda da cabeça, mostrando ao Mundo que estamos a cagar de alto!"
Nem que mais de dez milhões de portugas se deixem apanhar nas malhas das redes da treta, nós, os Tripulantes, sempre gritarão: ESTAMOS A CAGAR DE ALTO!
sexta-feira, julho 09, 2010
sexta-feira, julho 02, 2010
quinta-feira, janeiro 14, 2010
Isto anda aqui ao abandono, já não se pode descansar
Já me esquecia do novo ano, pá, esta coisa andava aqui um bocado ao abandono, faz-me lembrar o Haiti que a gente só se lembra que existe quando aquilo começa a cair aos bocados, e agora as nações ricaças querem todas ajudar ao mesmo tempo, umas a sério, outras a fingir, que aquilo nem sequer conta para a economia mundial, nem para cotações na bolsa, nem para spreads bancários. A gente ajuda, pá, e depois abandona e esquece até dar um tartaranho noutro qualquer lugar do planeta com rendimentos de um dólar diário per capita, a gente ajuda, toma lá mais uns milhões para o governo do sítio construir mais um palácio ou uma casinha de campo na Suiça para curtir quando há mau tempo nos trópicos. Mas isto sou só eu a desabafar, eu nem sequer conto para aqui, quanto mais para o Haiti.
Mas dizia eu que o novo ano já por aí anda e ainda não dei por nada, a crise continua, o governo continua, a oposição continua, o presidente continua, o Constâncio continua, a Julia e o Goucha continuam, foda-se pá, quando é que o ano novo é mesmo novo a sério?
terça-feira, dezembro 22, 2009
A crise chegou ao Natal
O natal tem a particularidade de despertar em mim instintos assassinos. Não se assustem. Não vou andar por aí a retalhar o pessoal, embora alguns merecessem ser transformados em hamburger e enfiados no cú de certos banqueiros e politiqueiros de serviço. Metafóricamente falando, a minha vontade seria um churrasco com a vaquinha, um belo guisado com o burrinho, e um suculento ensopado com as ovelhinhas. Quanto ao menino, entregava-o à misericórdia, o José iria para as Novas Oportunidades, e a Virgem bem podia ir apoiar os sem abrigo, voluntáriamente é claro. Já os reis magos seriam convidados a sair por imigração ilegal, mas deixavam cá o ouro o incenso e a mirra para combater o défice. O meu défice, entendamo-nos. E convidava todos os frequentadores do centro comercial próximo da minha casa a ouvirem o “Jingle Bells” enquanto eram enrabados por um bando de pais natal adeptos de musica transe. Isto por estacionarem o pópó na minha rua obrigando os desgraçados moradores a ter que procurar lugar noutra freguesia. E queixam-se da crise, que este natal não há prendas para ninguém, e depois entopem as ruas e os multibancos.
Está na hora de enviar o pai natal para um lar, ou abandoná-lo na cama de um hospital até esticar o pernil, e gozar um natal quentinho nas Caraíbas para fazer jus ao espírito natalício cá do burgo.
Não se escandalizem com o meu desabafo. A realidade é muito pior do que isso.
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quero uma kalashnikov no sapatinho
sexta-feira, dezembro 18, 2009
Tão querido que ele é!
Belmiro de Azevedo
Traduzindo: seus comunas de merda, vocês querem fazer greve em vésperas de natal e o fodido sou eu que não vou facturar.
O resto é pura rectórica, ou como por aqui se diz "baba de safio".
segunda-feira, dezembro 14, 2009
quinta-feira, dezembro 10, 2009
Gente fina é outra coisa
O número de circo entre a Sra Dra Maria José Nogueira Pinto do PSD e o Sr. deputado Ricardo Gonçalves do PS foi digno de figurar num qualquer manual de boas maneiras da direita (ou extrema-direita) portuguesa. A elevada estatura moral da Sra Dra que salta de partido sempre que lhe convém só tem paralelo na também elevada estatura moral do seu companheiro de matrimónio, o Sr Dr Jaime Nogueira Pinto, saudoso colonialista e fascista empedernido, para além de, segundo dizem, historiador.
Longe de mim estar aqui a defender um deputado do PS, ou seja de que partido for. São crescidinhos que se entendam. Mas quem mais defende a moral, os bons costumes, os salamaleques, as élites. a society, a missa aos domingos e o raio que os parta é o primeiro a desrespeitar o próximo. Mas nada disto é novidade. O casalinho sempre se deu bem em ambientes coloniais, como aqui descreve o nosso companheiro Antropocoiso , testemunha do acto e de pena sempre bem afiada.
sexta-feira, dezembro 04, 2009
POR MARES NUNCA DANTES NAVEGADOS!




Não estava para aqui virado, mas a leitura de "Onde se fala de um tripulante que...enfim..." defecado há uns dias pelo mui valoroso Ukabdsinais obriga-me a publicar o que vai de seguida. Para que não fiquem supeitas no ar nem mal entendidos.
Acontece que este simples marujo, após ter sido encartado com a denominação de Patrão de Alto Mar, decidiu experimentar e sentir o mar na sua plenitude, muito para além das navegações teóricas e de rumos traçados à secretária.
Embora a talhe de foiçe, estaria tentado a falar dos restantes Tripulantes deste Cesto da Gávea que, para além de navegarem até ao Barreiro na mira de uma caldeirada, apenas navegam na banheira quando o tinto da véspera os deixa almariados e as respectivas patrôas largam aquele vociferar: "Pfuuu..que cheiro a vinho!". Mas não. Fico-me por aqui.
Por isso aceitei o convite de um navegador experiente que, na sua embarcação de pequeno porte, anda de há muito a deambular por esses mares fora em viagens solitárias. O veleiro é de construção de 1962 e o Phil, americano com alguns anitos, deu-lhe os retoques necessários para o pôr a seu jeito e em condições de aguentar o oceano, pelo que já cruzou o Atlântico várias vezes.
Aceite o convite para ir até Porto Santo, arquipélago da Madeira, num pequeno veleiro de 9 metros, fiz-me ao mar no dia 6 de Outubro, tendo chegado a bom porto no dia 12 com mais de mil quilometros navegados no meio do Atlântico.
O veleiro mais parecia uma casca de nóz, tal eram os safanões constantes a que as ondas e o vento a bater nas velas o sujeitavam. As condições a bordo não se podem assemelhar ao que normalmente se associa quando se fala de um veleiro. Nada de luxos ou sequer de aposentos dignos desse nome, passando pelo wc práticamente inexistente digno desse nome, ou mesmo de alguma cama para descansar, pois o mais semelhante poderá ser uma tarimba. Sem frigorifico a bordo, e associado ao mínimo de despesas, o Phil tinha uma quantidade suficiente de alimentos por ele tratados em doses individuais liofilizadas e em vácuo, desde que terá saído da sua terra nos states já ia para mais de nove meses, para além de várias latas de comida enlatada cujo aspecto exterior, completamente oxidadas, me obrigaram a evitar, não fosse alguma coisa correr mal.
Assim, e para meu descanso, passei quase toda a viagem a bolachas de água e sal e shotcakes acompanhadas de água de bordo que tinha sido obtida da rede geral da marina donde saímos.
Também a falta de equipamentos de ajuda à navegação, tal como radar, computador para obter informações meteorológicas ou telefone por satélite, eram coisas para "finos" que custam "money" e o Phil é homem poupado e sem os recursos que os normais donos de veleiros têm.
Portanto a viagem fez-se de experiência adquirida e com a ajuda do GPS. E correu bem.
Foi uma experiência com um pouco de aventura, mas que me deu a satisfação de ganhar saber e pôr-me à prova de sobreviver em condições que, duvido, os restantes Tripulantes deste Cesto da Gávea alguma vez aceitariam.
Toma!!
quarta-feira, novembro 25, 2009
Homenagem aos vencedores do 25 de Novembro de 1975
Comemora-se hoje o 25 de Novembro. A quem o fez, inventou ou consolidou entendo agradecer o seguinte:
- o fim da manipulação esquerdista das forças armadas, passando estas a ser exclusivamente manipuladas pela direita, aliás como deve ser.
- A expulsão dos comunistas da esfera de influência social bem substituidos pelos sociais democratas, liberais, neo-liberais, demo-cristãos, conservadores, fascistas, proto-fascistas e esquerdelhos arrependidos, e muito bem já que esses são os verdadeiros democratas.
- O fim da denominada Reforma Agrária que devolveu terras aos seus legítimos proprietários, terras essas abusivamente cultivadas pelos ocupantes e não deixadas ao abandono, aliás como devia ser.
- A privatização de tudo o que devia ser privatizado, incluindo pedras da calçada, que foi e está a ser levada a cabo pelos génios patrióticos que fizeram o 25 de Novembro bem como pelos seus descendentes. Aliás, como deve ser.
- A submissão do país aos interesses do imperialismo norte-americano e europeu que tudo têm feito pelo bem estar dos portugueses como está à vista de toda a gente.
- A supressão de direitos de quem trabalha em exclusivo benefício dos patrões que assim podem acumular chorosos lucros sem mexer uma palha. O que é justo.
- O abrir de portas a tão reputados doutores e defensores do povo como Dias Loureiro, Oliveira e Costa, Armando Vara, António Preto, Isaltino Morais, Valentim Loureiro, Fátima Felgueiras e outros que só nos enchem de orgulho.
- O surgimento de figuras de opereta tão distintas como Alberto João Jardim, Santana Lopes, Paulo Portas, Vítor Constâncio, Pacheco Pereira, Durão Barroso, Rebelo de Sousa, José Lello, Santos Silva e outros para nosso gáudio e distracção.
- A promoção de grandes estadistas do calibre de Sócrates e Cavaco para nosso prestígio.
E finalmente, para podermos homenagear em completa e responsável liberdade esse grande herói que foi Jaime Neves, tanto em África como no 25 de Novembro.
Homenagem que devo estender a todos os filhos da puta que se prezam.
- o fim da manipulação esquerdista das forças armadas, passando estas a ser exclusivamente manipuladas pela direita, aliás como deve ser.
- A expulsão dos comunistas da esfera de influência social bem substituidos pelos sociais democratas, liberais, neo-liberais, demo-cristãos, conservadores, fascistas, proto-fascistas e esquerdelhos arrependidos, e muito bem já que esses são os verdadeiros democratas.
- O fim da denominada Reforma Agrária que devolveu terras aos seus legítimos proprietários, terras essas abusivamente cultivadas pelos ocupantes e não deixadas ao abandono, aliás como devia ser.
- A privatização de tudo o que devia ser privatizado, incluindo pedras da calçada, que foi e está a ser levada a cabo pelos génios patrióticos que fizeram o 25 de Novembro bem como pelos seus descendentes. Aliás, como deve ser.
- A submissão do país aos interesses do imperialismo norte-americano e europeu que tudo têm feito pelo bem estar dos portugueses como está à vista de toda a gente.
- A supressão de direitos de quem trabalha em exclusivo benefício dos patrões que assim podem acumular chorosos lucros sem mexer uma palha. O que é justo.
- O abrir de portas a tão reputados doutores e defensores do povo como Dias Loureiro, Oliveira e Costa, Armando Vara, António Preto, Isaltino Morais, Valentim Loureiro, Fátima Felgueiras e outros que só nos enchem de orgulho.
- O surgimento de figuras de opereta tão distintas como Alberto João Jardim, Santana Lopes, Paulo Portas, Vítor Constâncio, Pacheco Pereira, Durão Barroso, Rebelo de Sousa, José Lello, Santos Silva e outros para nosso gáudio e distracção.
- A promoção de grandes estadistas do calibre de Sócrates e Cavaco para nosso prestígio.
E finalmente, para podermos homenagear em completa e responsável liberdade esse grande herói que foi Jaime Neves, tanto em África como no 25 de Novembro.
Homenagem que devo estender a todos os filhos da puta que se prezam.
Onde se fala de um tripulante que...enfim...
O 2º (e único) remador depois de algumas dezenas de anos a ponderar, resolveu aproveitar o tempo livre para se doutorar em patronato de alto mar, qualquer coisa como Belmiro de Azevedo dos Oceanos, e tornar-se assim no único verdadeiro marinheiro desta desgraçada tripulação que, mesmo sem barco, já passou por melhores dias.
E este 2º (e único) remador resolveu pôr em prática a teoria aprendida fazendo-se ao oceano em duvidosa companhia. Sobre a viagem nada há a dizer. Ou por não haver mesmo nada a dizer, ou por haver muito a esconder. O que é certo que este marinheiro subiu no patamar hierárquico da tripulação para um cargo honorífico do qual esqueci o nome. Mas, para sermos bondosos, digamos que estará ao nível de um Fernão Mendes Pinto antes de chegar a Melides, ou de um Vasco da Gama antes de atracar na Trafaria. A grande diferença, se é que ela existe, entre este remador e os navegantes atrás citados, é que não existem registos de navegadores solitários do Tio Sam na época dos descobrimentos. Ou porque a América ainda não tinha sido encontrada, ou porque os americanos da altura se estavam cagando para os europeus (os de hoje também, mas os antigos cagavam de maneira diferente).
É assim que nas páginas deste blogue que (Graças a Deus!) ninguém lê ou consegue ler, que se debita a devida homenagem a este valoroso português, para que este seu feito não caia no esquecimento.
PS1: Eu não queria divulgá-lo, mas andar perdido e à deriva entre Sines e Porto Santo só com 2 minis para matar a sede é de um gajo se esquecer de ir ao cagatório durante seis dias!
PS2: O americano (como já devem ter entendido) que se fez acompanhar por este famigerado tripulante nesta atribulada viagem já deve estar recolhido em algum hospício a receber tratamentos de duches frios e choques electricos. Convém saber que não deve ter sido nada fácil para ele…
terça-feira, novembro 17, 2009
Nesta história de merda a única que se safa é a Scarlett, coitada
Estava eu a sonhar com uma orgia com a Scarlett Johansson quando a puta da campaínha da porta se lembrou de começar a tocar, o que me fez saltar da cama abruptamente sem saber se estava a dormir ou acordado. Vi logo que era o Elias, pois o estúpido só larga o botão quando lhe abrem a porta. O Elias era agora chefe das escutas, cargo a que chegou depois de frequentar as Novas Oportunidades e de pedir uma cunha ao padrinho que milita no partido e que só por acaso é juíz no Ministério Público.
- Que queres? Sabes o que perdi por tua causa? – perguntei eu entre o irritado e o ensonado.
- Tem de vir já, o chefe diz que é urgente. Parece que andaram a escutar o Filósofo sem ele dar autorização.
- Mas tu não és o responsável pelas escutas? – perguntei.
- Sou, quer dizer, não sou… sabe bem que só faço o que o chefe ordena, mas está bem, ele diz que o responsável agora sou eu.
Pouco inteligente, o Elias, mas enfim, com a falta de especialistas para o cargo só mesmo ele. O ultimo responsável das escutas apenas sabia falar tetum e era surdo que nem uma porta.
Passei o cabedal pelo duche frio, lambi uma torrada, dei leitinho ao tareco, liguei à mamã a dar-lhe os bons dias, e saí de casa mais o Elias atrelado a mim como um cão. Chegados à sede e depois das revistas da praxe, lá nos enfiámos como pudemos no gabinete do chefe, os três mais o hipopótamo, a mascote da agência, que se entretinha a roer um molho de cenouras enquanto dava uma vista de olhos pelos jornais do dia.
- Temos crise da grossa! – disse o chefe. – Alguém vai ter de descalçar esta bota. – e olhou de soslaio para o Elias, e de frente para mim.
- Ferdinando, o que sabes tu de escutas? – perguntou.
- Bem, chefe – respondi – para lhe ser franco sei tanto de escutas como de algebra linear.
O homem arqueou uma sobrancelha.
- O Filósofo pede resolução imediata do problema. Já sabem que se a coisa estourar são os vossos empregos que estão em perigo. Eu já tenho um lugar prometido numa empresa pública.
Não foi preciso dizer mais nada. Arrastei o Elias dali para fora que já começara com as lamentações e a arrepelar os cabelos, preguei-lhe dois tabefes para acalmar e fomos discutir o assunto para o Boca na Botija.
Ao fim de meia dúzia de imperiais já o homem parecia mais alegre, apesar do hipopótamo que nos seguira desde o gabinete do chefe e que se sentara duas mesas mais atrás procurando passar despercebido.
Enquanto o Elias me contava as desventuras da irmã que fora recentemente internada num hospício após ouvir o último disco do José Cid, eu traçava mentalmente um plano para resolver a situação.
Duas semanas mais tarde, estava eu a banhos numa ilha perdida do Pacífico, quando o Elias telefonou.
- Sabe, parece que substituiram as gravações das escutas por um concerto do Paulo Gonzo ao vivo. Já pode regressar a casa, o Filósofo está safo.
Não sei se voltarei. Depois de ter enviado pelos ares o edifício da Telecom e enterrado a barragem de Castelo de Bode não creio que a minha popularidade esteja em alta. E pelo menos aqui posso sonhar à vontade com a Scarlett Johansson sem ter o Elias, o chefe ou o Filósofo a chatear.
Só não me consegui livrar ainda do hipopótamo. O cabrão tem-me seguido por todo o mundo e às vezes mesmo que não o veja, sinto os seus olhos maldosos cravados na minha nuca. Se a besta tivesse tentáculos diria que o polvo já se expandira irremediávelmente por toda a parte.
sexta-feira, novembro 13, 2009
Economistas...
Quando ouço o Medina Carreira sinto vontade de me atirar a um poço. Ainda não descobri porquê.
Também não sei porque é que sempre que ouço e vejo o Miguel Frasquilho tenho vontade de lhe atirar com um penico cheio à cabeça.
Há também um tal Costa Pinto que sempre que abre a boca termina abruptamente com a minha insónia.
Quando ouço alguém dizer que fulano de tal é um grande economista vou logo esconder o meu porquinho de porcelana.
Também não sei porque é que sempre que ouço e vejo o Miguel Frasquilho tenho vontade de lhe atirar com um penico cheio à cabeça.
Há também um tal Costa Pinto que sempre que abre a boca termina abruptamente com a minha insónia.
Quando ouço alguém dizer que fulano de tal é um grande economista vou logo esconder o meu porquinho de porcelana.
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