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quinta-feira, dezembro 22, 2011

por favor, acabem com o feriado de natal




Bem pode a troika e os seus capangas cá do sítio bombardear o rebanho com austeridades, cortes e desemprego que o pessoal parece que se está marimbando e invade os centros comerciais e hipermercados à cata da última posta de bacalhau ou da última barbie de silicone para comemorar da única forma que conhece aquela época do ano que um chona qualquer um dia baptizou de natal. 
Vem a propósito que este ano me calhou a triste sina de contribuir para a noite de consoada, pelo que me vi amassado no meio de hordas assassinas de zombies carregando embrulhos com jipes todo o terreno, puzzles de caravelas, garrafas de whisky marado, quilos de camarão congelado do vietname, postas de bacalhau seco, demolhado ou congelado, bonecos que dizem mamã papá e mijam na fralda, livros de autores que nada devem ao talento para leitores com uma esponja em vez de cérebro, toneladas de cd´s de toda a família carreira, edredons de penas de andorinha, lcd´s xpto para ver a casa dos segredos, e-books, ipods, ipads, iphones, ai a puta que os pariu a todos mais as prendas, o sapatinho, a lareira, o pai natal e a chaminé.
Não devia esta gente já estar na fila para emigrar para angola, guiné-bissau ou burkina-fasso, seguindo o conselho dos nossos tão realistas governantes, em vez de me reduzirem a pó o rabinho de bacalhau que me custou um olho da cara e o restante do subsídio de natal? Mas toda esta gente recebeu o seu subsídio por inteiro menos eu? Não pode isto ser considerado desobediência civil? Onde estão as câmaras de vigilância, o sis e o miguel macedo?
Pelos vistos só eu é que tenho de dividir o famigerado rabo de bacalhau pelas 15 pessoas da família, e se me calhar a espinha do meio já vou cheio de sorte, se entretanto o gaspar não inventar outro imposto que me leve as espinhas e os ossos até ao tutano.

Desejo aos leitores (se existir algum o melhor é enforcar-se) um natal à medida do rendimento familiar pois não convém gastar mais do que aquilo que se deve.

terça-feira, dezembro 22, 2009

A crise chegou ao Natal




O natal tem a particularidade de despertar em mim instintos assassinos. Não se assustem. Não vou andar por aí a retalhar o pessoal, embora alguns merecessem ser transformados em hamburger e enfiados no cú de certos banqueiros e politiqueiros de serviço. Metafóricamente falando, a minha vontade seria um churrasco com a vaquinha, um belo guisado com o burrinho, e um suculento ensopado com as ovelhinhas. Quanto ao menino, entregava-o à misericórdia, o José iria para as Novas Oportunidades, e a Virgem bem podia ir apoiar os sem abrigo, voluntáriamente é claro. Já os reis magos seriam convidados a sair por imigração ilegal, mas deixavam cá o ouro o incenso e a mirra para combater o défice. O meu défice, entendamo-nos. E convidava todos os frequentadores do centro comercial próximo da minha casa a ouvirem o “Jingle Bells” enquanto eram enrabados por um bando de pais natal adeptos de musica transe. Isto por estacionarem o pópó na minha rua obrigando os desgraçados moradores a ter que procurar lugar noutra freguesia. E queixam-se da crise, que este natal não há prendas para ninguém, e depois entopem as ruas e os multibancos.


Está na hora de enviar o pai natal para um lar, ou abandoná-lo na cama de um hospital até esticar o pernil, e gozar um natal quentinho nas Caraíbas para fazer jus ao espírito natalício cá do burgo.

Não se escandalizem com o meu desabafo. A realidade é muito pior do que isso.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

O Natal


O Natal. A minha relação com o Natal é a mesma relação que tenho com o senhor presidente: repulsa. O menino Jesus não tem culpa, coitado, tremelicando de frio no meio das palhinhas que devem deitar um pivete a estrume de vaca e sémen de burro, com os paizinhos em adoração estática sem um movimento sequer de tapar o rebento com alguma sarapulheira, sim porque essa treta de o menino aquecer pelo bafo das bestas que o rodeiam é uma treta das antigas. Os bichos devem exalar um hálito infernal que, dadas as circunstâncias não será de todo aplicável à quadra. Paizinhos destes já teriam um rol de queixas no tribunal e um comunicado da dra Morgado a pedir a criação de um tribunal especializado em meninos jesus abandonados ao frio nas palhinhas por paizinhos estáticos. Mas dizia eu do sr. Presidente. O sr. Presidente é também ele uma figura estática, uma esfinge, tal como ouvi dizer pela boca de, creio, um ex apaniguado. Ora no tempo em que o sr. Presidente não era presidente mas sim primeiro ministro, tinha um séquito de apaniguados que, ao contrário dos reis magos, recebiam em vez de dar. Não que o sr. Presidente fosse ele um mãos largas, um toma lá qu’isto vai chegar pra todos. Não senhor. O sr. Presidente confiava nos amigalhaços. E os amigalhaços era o ver se te avias. Nada como o nosso tão inocente menino Jesus, ao qual os reis magos ofertaram coisas incríveis como ouro, incenso e mirra, coitado do menino que estaria mais precisado de um pacote de fraldas dodot e de um babygrou da chicco. E vai daí os amigalhaços do sr. Presidente criaram negócios escuros e bancos privados como o BPN, mas alguém se lembrou de tirar a tampa e aquilo passou a cheirar pior do que as fraldas de pano do menino Jesus. E tenho repulsa ao sr. Presidente, que espero que não me leve a mal, pois se o sr. Presidente também andasse metido em negócios com estes amigalhaços pronto, era mais um corrupto para o rol e a coisa até passava. Mas não. O sr. Presidente passa cá para fora aquela imagem de impoluto, que sabe tudo, que nunca se engana, que nunca leu Saramago, e que, acima de tudo, continua a confiar nos amigalhaços. Pois é. Aquilo que andaram a vender do progresso quando o sr. Presidente era primeiro-ministro está a ficar demonstrado que não era bem assim. É tal e qual o natal. Afinal as coisas também não foram bem assim, e o pessoal já se está nas tintas para o menino Jesus nas palhinhas e prefere antes oferecer prendinhas de merda aos amigos e familiares, até fazem comboios de oferta de prendas, e atafulham os centros comerciais, e engarrafam as ruas e as estradas, os filhos da puta. E depois há por aí muita gente conhecida a brincar à caridadezinha e à solidariedadezinha, e logo nesta data do natal, que sempre venderam como a festa da união e das famílias e do bacalhau com couves, e guardam-se todos para esta época do ano, todos juntinhos, em festinhas muito bondosas como o Natal dos Hospitais, onde só falta aparecer o Sócrates a distribuir magalhães aos meninos diabéticos. Que me desculpem os católicos e o sr. Presidente mas não me apetece desejar feliz natal a ninguém. É como dizer a alguém olha filho, já que vives na merda porta-te como merdoso e vai gastar já o subsídio em prendinhas antes que o sub-prime e o Teixeira dos Santos te fodam o ordenado. Mas como sou bem educado não vou desejar nada disso. Por respeito ao menino Jesus, às palhinhas, ao burrinho, à vaquinha, à estrelinha e aos camelos dos reis magos. Deve existir alguma mensagem em tudo isto, mas é muita fruta para mim. Caralhos me fodam.