Ele há coisas do camandro!
Mas de entre estas coisas, duas são de se lhe tirar o boné. Refiro-me à "crise global" e às eleições amerdicanas.
Quanto à chamada crise financeira que o mundo está a passar....pois! Primeiro vieram-me com a lenga lenga da CEE, vulgo Comunidade Económica Europeia, transformada uns tempos depois em UE, União Europeia. Os vendelhões do templo dessa altura, diga-se que hoje em dia continuam os mesmos ou os seus entiados, apregoaram então aos sete ventos as maravilhas de uma integração económica dos países europeus sendo essa a fórmula mágica que iria dar a todos os cidadãos dos países mais pobres a oportunidade de, num futuro quase imediato, ficarem ao nível económico do nível de vida dos mais desenvolvidos na europa. De facto, tal aconteceu, só que para apenas alguns desses cidadãos e não para todos, como apregoavam. Passado um tempito, concluimos sem qualquer necessidade de grande esforço que afinal, para além de umas estradas melhores, umas massas que entraram nos bolsos de uns quantos pato-bravos, armadores e agricultores, apenas beneficiaram e continuam a beneficiar em grande os pouquíssimos cidadãos que já eram detentores de grandes fortunas pessoais na altura.
Logo depois, veio a lenga lenga da globalização, aqui já com o cuidado de não serem claros ao apregoar que essa treta tinha apenas o sub-título de financeira, ou seja, global sim, mas alto aí, fundamentalmente a globalização dos mercados financeiros e, como tal, as trocas astronómicas relativas às grandes finanças mundiais.
Neste canto do mundo onde vivemos, país pequeno em todos os aspectos, estas dinâmicas controladas pelos senhores do império teve o seu impacto, e assim andámos anos e anos a saber que as instituições financeiras nacionais, vulgo bancos e afins, apresentavam ano após ano, lucros chorudos chegando a valores da ordem de 300%.
Agora, apenas algumas semanas passadas após os tais donos do mundo darem uma volta ao bilhar e criarem uma "crise" nos tais mercados financeiros, é chegada a altura de os funcionários públicos responsáveis por este país apregoarem que o estado vai dar uma esmola às tais entidades financeiras nacionais para que, coitadinhos, não fiquem de tanga, a chorar a miséria anunciada, a terem de vender as vivendas nos algarves, os pópós, os iates, os aviões particulares, etc, etc, e tudo para manter o sistema do capital e do lucro na mó de cima, ou seja, continuarem a cada vez "ganharem" mais.
Então cadê a entrada para o estado de uma parte dos tais chorudos lucros que apresentaram? Dizem os mais afoitos que tal era automático por via dos impostos. Pois bem, então agora, a ser verdade tal "crise", a ajuda do mesmo estado passaria automáticamente a ser por via dos mesmos impostos que se veriam reduzidos.
Mas não, é com o nosso dinheirinho, que afinal o estado somos nós que o alimentamos, que vamos ajudar os tais senhores ricos comó caraças a continuarem a ser cada vez mais ricos. E o povo que se aguente, que isto é que vai uma crise!
Cá para mim, que desde que me conheço sempre vivi em crise, até já estou habituado, mas nunca deixarei de gritar: puta que os pariu!
Quanto à telenovela das eleições amerdicanas, e aqui quero deixar claro que ao dizer amerdicanas refiro-me apenas ao país chamado Estados Unidos da América para evitar a confusão que o marketing político construiu de chamar América a um país que é apenas muito inferior a um quarto do continente que tem esse nome, dou por mim a rir quando sou obrigado a ver o trabalho desenfriado e louco dos média na promoção e divulgação desta telenovela. Depois de uma série de aventesmas denomidados como presidentes dos EUA terem conseguido criar um império global económico, dos quais é exemplar este ultimo de nome Bush filho, aparecem agora um Barraca Abana e um Masquem na corrida presidencial. Se o Barraca Abana tem a particularidade de ser mais para o preto, o que já é um feito na sociedade atrazada e conservadora daquele país, só por si não justifica que lhe bata palmas, pois quem o alimenta e lhe dá ânimo são precisamente os mesmos que desde o pós segunda guerra mundial são responsáveis pela maior parte da miséria humana que temos neste mundo. Se o MasQuem tem a particularidade de ser muito mais para o branco de cal, aliás macilento e com uma pele que nem os milhões do Michael Jackson conseguiu fabricar, também só por si não justifica algum apreço da minha parte, até porque vem na linha directa da defesa dos mais nefastos interesses dos que actualmente dão vida ao Bush filho.
Claro que há algumas diferenças quanto à forma como irão defender os tais interesses dos tais donos do mundo, mas para mim, preferia antes que para presidente dos amerdicanos fosse o Tio Patinhas, não apenas porque tem muito mais piada, mas até porque esse não enganava ninguém sobre os seus desejos, para além de ser um verdadeiro icón do império global.
Uma coisa é certa, nem os EUA deixarão de continuar a ser os maiores exportadores de armas do mundo, nem os EUA passarão a ser o garante de um mundo mais humano e civilizado, seja quem fôr que venha a ser eleito, dêmo cráticamente claro! Pois que venha o diabo e escolha, embora só para ver o que vai dar, o tal Barraca Abana tenha um pouco mais de interesse.
sexta-feira, outubro 31, 2008
terça-feira, outubro 28, 2008
Amores Imperfeitos

Confesso não ter uma opinião sólida acerca das eleições americanas. É óbvio que Obama é (pelo menos para mim) uma figura simpática e que pode fazer a diferença depois do descalabro Bush. E é aí que reside o busílis da questão. Se Obama for eleito, será que o vendaval de esperança que corre pelo mundo fora tem razão de ser? A política externa americana sempre foi de agressão independentemente do inquilino da Casa Branca. Não sei quem manda na política externa americana, se o presidente, se o FBI, se a CIA, se o lóbi judeu, se o Rato Mickey. Possívelmente mandam estes todos. Não me interessa por agora. Só espero que Obama, caso ganhe as eleições, não se transforme num traidor aos olhos do mundo, para nosso bem e para bem dos americanos.
Pronto. A minha auréola de bondade já se esfumou no ar. Agora o mal dizer:
Puta que pariu os americanos. Não nos chega aturar o Cavaco internamente e por isso vamos ter que levar com o Obama, o Mcain, a dona Palin, e o inevitável Bush (agora em forma de filme softcore) a toda a hora! Acabem já com a farsa! Elejam já o homem, seja ele quem for, e só voltem a falar dele quando descobrirem armas de destruição massiça no Burkina-Faso!
Pronto. A minha auréola de bondade já se esfumou no ar. Agora o mal dizer:
Puta que pariu os americanos. Não nos chega aturar o Cavaco internamente e por isso vamos ter que levar com o Obama, o Mcain, a dona Palin, e o inevitável Bush (agora em forma de filme softcore) a toda a hora! Acabem já com a farsa! Elejam já o homem, seja ele quem for, e só voltem a falar dele quando descobrirem armas de destruição massiça no Burkina-Faso!
A história repete-se? Pois, triste sina.
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Sarah Paulin vai invadir a Venezuela
quinta-feira, outubro 23, 2008
Heróis do Mar...

“Vai por mim, pá! Isto está por um fio.”
Confidenciava-me o Elias, lambe-botas profissional em part-time, sobre a crise e o modo como os portugas estão a reagir à coisa.
“O povo está farto, pá. Já falta pouco para vir tudo prá rua e dar um pontapé no Sócas e na sua pandilha, pá.”
Enquanto o Elias brinca uma vez mais com o telemóvel, dou por mim a pensar na minha avózinha que vive lá em cima no meio de montes e vales, cercada de pinho e eucaliptos, numa pequena aldeia sem nome, só com três habitantes e uma cabra, cujo único acesso é por uma tábua no cimo de um monte que se deixa escorregar por ele abaixo quando tem passageiros.
E penso na avózinha a largar a sua horta, a sua vizinha Anastácia viúva como ela, e o ti’ António que vive mais abaixo e sofre de artrite, mais a cabra que é propriedade comum, e vir por aí abaixo de enxada em punho destronar o Sócrates.
E penso também no Euclides, coleccionador de filmes do Steven Segal em DVD, leitor diário do Record, doente crónico do Benfica, devorador de telenovelas e do canal erótico, abandonar o filho ao sabor das ondas do Magalhães, mais a mulher que tal como o filho devora fast-food como se o mundo fosse acabar amanhã, mais o pópó que custou os olhos da cara e ainda custa mais a pagar mensalmente, mesmo depois de vender os orgãos da tia Ofélia a um traficante japonês, dizia eu, penso no Euclides a largar tudo e vir para a rua desalmariado com o respeitável propósito de esganar o Sócrates.
E penso também na dra Manuela Ferreira Leite empurrada pelo Pacheco Pereira, no meio da turba ululante, rodeada de muitas avózinhas da lavoura e muito Euclides suburbanos, mantendo mesmo assim um silêncio de arrepiar, só abrindo a boca de espanto perante o séquito apoiante de Santana Lopes à câmara de Lisboa, sem perceber onde se veio meter e porque se veio meter.
E penso que devo largar as minhas fantasias e perceber de uma vez por todas que por muitas crises, impostos, hipotecas, inflações, filas de espera, desemprego, sócrates, manelas, cavacos, santanas, durões e portas que lhe caiam em cima, o portuga ainda é capaz de filosofar a sua mediocridade com mais uma tirada do género “antigamente é que era bom!” e por fim fica em casa a babar-se com o telejornal e a chamar nomes aos políticos enquanto mastiga uma sandes de coiratos.
É claro que o Elias não sabe nada disto. O Elias ainda sonha com hordas de nunos alvares pereira a arrasarem o Terreiro do Paço e turbas de vascos da gama a fecharem a barra do Tejo com porta-aviões. E com o D. Sebastião subindo o cais das colunas no meio da neblina fazendo-se proclamar rei e resgatador da pátria. E com matilhas de políticos empalados à volta da estátua do José I. E com o Benfica campeão...
Que querem que eu diga mais?
Isto está mesmo por um fio...
sexta-feira, outubro 17, 2008
A melhor frase do dia...
...vem do Nuno Markl:
"Esta é a minha maneira de ser patriota. Gosto do meu país e acho que ele precisa desesperadamente de uma queca".
Já o povo pode muito bem passar sem o sexo anal de que vem padecendo quase desde sempre.
"Esta é a minha maneira de ser patriota. Gosto do meu país e acho que ele precisa desesperadamente de uma queca".
Já o povo pode muito bem passar sem o sexo anal de que vem padecendo quase desde sempre.
quinta-feira, outubro 16, 2008
quarta-feira, outubro 15, 2008
sexta-feira, outubro 10, 2008
É pá, só morreram 6 milhões de judeus
Papa diz que silêncio sobre Holocausto foi «eficaz»
Segundo Bento XVI, que participou numa missa de aniversário da morte do Papa, não se tratou de medo ou conivência, mas uma escolha que acabou por ser uma melhor ajuda e solidariedade para com os judeus
Pronto. Já entendo a estratégia de Manuela Ferreira Leite. Custou mas foi.
Segundo Bento XVI, que participou numa missa de aniversário da morte do Papa, não se tratou de medo ou conivência, mas uma escolha que acabou por ser uma melhor ajuda e solidariedade para com os judeus
Pronto. Já entendo a estratégia de Manuela Ferreira Leite. Custou mas foi.
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e um pano encharcado nas ventas?
quarta-feira, outubro 08, 2008
No meio da tristeza geral...
quarta-feira, outubro 01, 2008
sexta-feira, setembro 26, 2008
Elegia para Edgar Allan Poe
Apareces na TV com o teu sorrisinho tonto e hipócrita, debitas estereótipos de lugares comuns, pões um ar emproado pretensiosamente inteligente, cospes uma idéia de autoritarismo que te permite a simpatia dos teus colaboradores, e estás sempre onde algum microfone ou câmara de TV te possa acidentalmente encontrar para debitares as tuas futilidades de salão, os teus projectos políticos para coisa nenhuma, enfim, todo o aborrecimento com que contaminas todos os que, tal como eu, te conhecem de ginjeira, eu ainda mais que os outros.
Conheci-te na universidade, eras uma rapariga gira, gostavas de estar sempre rodeada de bétinhos e tótós da linha de Cascais, mas preferiste este radical frustrado simpatizante de uma esquerda frustada, cheio de borbulhas, ideais e dúvidas existênciais. Durante algum tempo ainda guardaste no baú o teu desejo de um estatuto social que te permitisse aceder ao reino dos deuses, coisas de uma educação elitista em colégios privados e muito caros, aliás quanto mais caros melhor, mas depois a pressão do papá embevecido e da inútil mamã que elogiava a filhota em maratonas de chás-canasta fez-te voltar à razão, e não gozando eu das simpatias dos teus progenitores, eu, o puto de barba mal feita, esquerdista frustrado, um bandalho e um agitador, fui encostado à parede com promessas de um bom emprego na empresa do paizinho, desde que abandonasse as idéias de merda e as t-shirts, e abraçasse o politicamente correcto mais o fato e gravata. A coisa era tentadora, até porque (lembras-te?) quando estávamos juntos e sós afundávamo-nos em sexo até partir, valia tudo, mesmo tudo, e o que eu menos queria era separar-me de ti. E aceitei o tacho sem precisar de acabar o curso. E casei contigo. E engoli todos os sapos que a tua família me meteu no prato apenas por gostar de ti. Só por isso.
Mas depois as influências políticas do teu papá empurraram-te para cima, as reuniões com a administração, os jantares de representação, as viagens pagas, e mais as sessões de propaganda do partido, os comícios de verão, as primeiras idas à TV. E eu fiquei para trás, debaixo da minha pilha de papéis de incompetência, sem o teu sexo, sem a tua presença, sem o teu cheiro.
Daí ao divórcio foi um passo. Pressionada pelo cabrão (literalmente) do teu pai alegaste a minha insensibilidade e o meu humor variável para me dares um chuto. Esqueces-te que me traís-te com o teu personal trainer, um badameco com ar gay, a quem eu um dia pedi explicações sem te dizer nada e levei uma sova que me deixou três semanas acamado e a comer por uma palhinha. E depois do personal trainer veio o marido da tua melhor amiga, o palerma que era o 358º tenista no ranking mundial, e quando fodeste com o secretário-geral do partido na altura eu, aí sim, perdi a cabeça e chamei-te puta entre outros adjectivos impróprios.
E aqui fiquei eu, divorciado e só, sem emprego, com o curso incompleto e a tua memória a atormentar-me as noites de insónia. Vi-te quando entraste para o governo, rodeada de pavões bem falantes a debitar lugares comuns sobre progresso e desenvolvimento, vi-te quando te envolveste naquele escândalo do tráfico de sangue, vi-te quando saíste ilibada do tribunal porque, por mero acaso, o juiz era membro do teu partido e privava com o cabrão do teu papá enquanto por trás fodia a tua mamã. Vi-te quando perdeste as eleições e aceitaste aquele cargo na PT, muito bem pago só para mostrares as pernas aos colegas, e privares com algum administrador em algum quarto de hotel durante as viagens de representação. Sim, porque para ti não é difícil, toda a gente sabe da superior qualidade dos teus broches.
Conheci-te na universidade, eras uma rapariga gira, gostavas de estar sempre rodeada de bétinhos e tótós da linha de Cascais, mas preferiste este radical frustrado simpatizante de uma esquerda frustada, cheio de borbulhas, ideais e dúvidas existênciais. Durante algum tempo ainda guardaste no baú o teu desejo de um estatuto social que te permitisse aceder ao reino dos deuses, coisas de uma educação elitista em colégios privados e muito caros, aliás quanto mais caros melhor, mas depois a pressão do papá embevecido e da inútil mamã que elogiava a filhota em maratonas de chás-canasta fez-te voltar à razão, e não gozando eu das simpatias dos teus progenitores, eu, o puto de barba mal feita, esquerdista frustrado, um bandalho e um agitador, fui encostado à parede com promessas de um bom emprego na empresa do paizinho, desde que abandonasse as idéias de merda e as t-shirts, e abraçasse o politicamente correcto mais o fato e gravata. A coisa era tentadora, até porque (lembras-te?) quando estávamos juntos e sós afundávamo-nos em sexo até partir, valia tudo, mesmo tudo, e o que eu menos queria era separar-me de ti. E aceitei o tacho sem precisar de acabar o curso. E casei contigo. E engoli todos os sapos que a tua família me meteu no prato apenas por gostar de ti. Só por isso.
Mas depois as influências políticas do teu papá empurraram-te para cima, as reuniões com a administração, os jantares de representação, as viagens pagas, e mais as sessões de propaganda do partido, os comícios de verão, as primeiras idas à TV. E eu fiquei para trás, debaixo da minha pilha de papéis de incompetência, sem o teu sexo, sem a tua presença, sem o teu cheiro.
Daí ao divórcio foi um passo. Pressionada pelo cabrão (literalmente) do teu pai alegaste a minha insensibilidade e o meu humor variável para me dares um chuto. Esqueces-te que me traís-te com o teu personal trainer, um badameco com ar gay, a quem eu um dia pedi explicações sem te dizer nada e levei uma sova que me deixou três semanas acamado e a comer por uma palhinha. E depois do personal trainer veio o marido da tua melhor amiga, o palerma que era o 358º tenista no ranking mundial, e quando fodeste com o secretário-geral do partido na altura eu, aí sim, perdi a cabeça e chamei-te puta entre outros adjectivos impróprios.
E aqui fiquei eu, divorciado e só, sem emprego, com o curso incompleto e a tua memória a atormentar-me as noites de insónia. Vi-te quando entraste para o governo, rodeada de pavões bem falantes a debitar lugares comuns sobre progresso e desenvolvimento, vi-te quando te envolveste naquele escândalo do tráfico de sangue, vi-te quando saíste ilibada do tribunal porque, por mero acaso, o juiz era membro do teu partido e privava com o cabrão do teu papá enquanto por trás fodia a tua mamã. Vi-te quando perdeste as eleições e aceitaste aquele cargo na PT, muito bem pago só para mostrares as pernas aos colegas, e privares com algum administrador em algum quarto de hotel durante as viagens de representação. Sim, porque para ti não é difícil, toda a gente sabe da superior qualidade dos teus broches.
E é por tudo isto que te vou matar. Salto o muro da tua moradia de luxo na Quinta da Marinha depois de drogar o estupor do teu cão, entro no teu quarto a coberto do escuro da noite, surpreendes-me quando acendes a luz, saco da ponta e mola e preparo o ataque e tu ris, ris mostrando os caninos grandes e pontiagudos , e saltas, não, voas, com a dentuça arreganhada em direcção ao meu pescoço, e eu, apanhado de surpresa, só penso nos teus caninos e na tua pele pálida quase transparente que sempre me intrigou.
segunda-feira, setembro 22, 2008
Oh meu Deus, que mal fiz eu?
Ao folhear o DN Online deparo com esta hilariante crónica de João César das Neves. De facto deve ser horrível ser Deus, omnipotente, omnipresente, ter de aturar as criaturas desprezíveis por ele criadas, desprezíveis porque passam a vidinha a chatear o criador com dúvidas sobre a sua existência, a pôr em causa o acto de criação, como se o simples facto de nós existirmos fosse em si mesmo a prova da existência de um criador. Pobres e mal agradecidos que se servem à borla de tudo o que Deus lhes deu e ainda por cima refilam. Cá para mim, o velhote de barbas brancas que supostamente criou o ser humano e todas as belezas que o rodeiam (com excepção da Teresa Guilherme e do Manuel Pinho), deveria estar com uma valente bebedeira quando o fez. E depois não se admire que o pessoal desate a protestar, a duvidar e a interrogar. Mas como acredito que Deus, caso exista (lá estou eu a duvidar), nunca poderá ser um velho bebedolas ou depravado mas sim um sujeito de ar bondoso e cheio de boas intenções, penso que à partida estaremos todos desculpados por todos os abusos e más criações.
Talvez o mais ridículo seja nós orgulharmos daquilo que Deus fez através de nós. Alguém que não é nada senão aquilo que Deus fez, que depois teve de ser corrigido porque já estragara o que era, e que só conseguiu fazer algo de bom porque Deus lhe segurou a mão, anda todo inchado com essa sua realização! E nós todos dizemos «que grande artista!», «que genial autor!», «que excelente artigo!», sem percebermos que o verdadeiro Artista e Autor é aquele que merece palmas cada vez que passa uma mosca.
Depois deste suculento naco de prosa apetece perguntar que mosca é que lhe mordeu.
Deve ser horrível ser João César das Neves!
Talvez o mais ridículo seja nós orgulharmos daquilo que Deus fez através de nós. Alguém que não é nada senão aquilo que Deus fez, que depois teve de ser corrigido porque já estragara o que era, e que só conseguiu fazer algo de bom porque Deus lhe segurou a mão, anda todo inchado com essa sua realização! E nós todos dizemos «que grande artista!», «que genial autor!», «que excelente artigo!», sem percebermos que o verdadeiro Artista e Autor é aquele que merece palmas cada vez que passa uma mosca.
Depois deste suculento naco de prosa apetece perguntar que mosca é que lhe mordeu.
Deve ser horrível ser João César das Neves!
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vamos lá queimar uns hereges para alegrar
sexta-feira, setembro 12, 2008
Frase do dia
Hugo Chávez: «Vayanse al carajo yankees de mierda, que aquí hay un pueblo digno»
Um dia depois da efeméride do 11 de Setembro de 1973 no Chile, esta frase soa a rosas.
Um dia depois da efeméride do 11 de Setembro de 1973 no Chile, esta frase soa a rosas.
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Sarah Paulin vai invadir a Venezuela
quinta-feira, setembro 11, 2008
O que faz ir ao cinema e ver um filme de merda
Prender a atenção de um público ou de uma audiência tem que se lhe diga. Provocar-lhe emoções de vário tipo (riso, comoção, ansiedade, temor, repulsa) é uma tarefa ainda mais árdua. Pode-se tentar exprimir temor e a plateia desatar às gargalhadas, pode-se tentar comover e gerar repulsa.
Mestre Hitchcock geria como ninguém as emoções do espectador. Aliás o cinema tem sido a arte onde as emoções mais se conjugam para construir um êxito. Criar o suspense até aos limites do suportável para depois conseguir surpreender a plateia com o climax final não é para todos. Spielberg a seu modo também manobra o público com cenas imprevistas de acção ou dramas familiares cheios luz, cor e aventura a milímetros do ridículo sem nele cair. Mestre do fascínio era Sergio Leone, com os seus personagens a espalharem violência entre o Oeste americano e as ruas sujas de Nova Iorque da lei seca, embalados pela música incontornável de Ennio Morricone numa sucessão inesquecível de emoções de fazer eriçar os cabelos da nuca.
Em política, saber cativar o eleitor não é também uma tarefa fácil. Daí os partidos recorrerem a empresas de marketing e de tratamento de imagem. Mas a tentação da promessa fácil é muito forte. Prometer o céu para ganhar votos é chão que já deu uvas.
Então a opção é falar. Falar pelos cotovelos, exprimir opiniões, comentar na TV e nos jornais, falar sobre si próprio, aparecer em público, mas o resultado final só revela que afinal não se tem nada para dizer. O público aborrece-se.
Daí as novas estratégias alternativas, o “falar só quando se tem algo a dizer”, “gerir os silêncios”, “criar tabús”, etc..
Mas como em política não existem Hitchcocks, o resultado é uma leve curiosidade antes do levantar do pano, e no final a sensação que o filme não é mais que uma tela em branco. O que vem provar mais uma vez que a política não se confunde com a Arte.
Quando muito terá algumas semelhanças com o teatro.
De fantoches.
Mestre Hitchcock geria como ninguém as emoções do espectador. Aliás o cinema tem sido a arte onde as emoções mais se conjugam para construir um êxito. Criar o suspense até aos limites do suportável para depois conseguir surpreender a plateia com o climax final não é para todos. Spielberg a seu modo também manobra o público com cenas imprevistas de acção ou dramas familiares cheios luz, cor e aventura a milímetros do ridículo sem nele cair. Mestre do fascínio era Sergio Leone, com os seus personagens a espalharem violência entre o Oeste americano e as ruas sujas de Nova Iorque da lei seca, embalados pela música incontornável de Ennio Morricone numa sucessão inesquecível de emoções de fazer eriçar os cabelos da nuca.
Em política, saber cativar o eleitor não é também uma tarefa fácil. Daí os partidos recorrerem a empresas de marketing e de tratamento de imagem. Mas a tentação da promessa fácil é muito forte. Prometer o céu para ganhar votos é chão que já deu uvas.
Então a opção é falar. Falar pelos cotovelos, exprimir opiniões, comentar na TV e nos jornais, falar sobre si próprio, aparecer em público, mas o resultado final só revela que afinal não se tem nada para dizer. O público aborrece-se.
Daí as novas estratégias alternativas, o “falar só quando se tem algo a dizer”, “gerir os silêncios”, “criar tabús”, etc..
Mas como em política não existem Hitchcocks, o resultado é uma leve curiosidade antes do levantar do pano, e no final a sensação que o filme não é mais que uma tela em branco. O que vem provar mais uma vez que a política não se confunde com a Arte.
Quando muito terá algumas semelhanças com o teatro.
De fantoches.
segunda-feira, setembro 08, 2008
Tarde de risco
Quando, na esplanada sobrelotada, disse em voz alta e para quem me quis ouvir que não tinha ido à Festa do Avante, que me estava marimbando para o discurso da Ferreira Leite, e que não tinha assistido ao Malta-0 Portugal-4, ouve um burburinho e o som de um outro copo a partir-se, mais umas breves tentativas de vómito. Até o polícia de serviço passou a olhar para mim de lado e de mão na coronha do revólver.
Sorte a minha não ter divulgado que normalmente trago o telemovel desligado, não frequento o IKEA, nem tenho máquina Nespresso. Ainda bem que me contive a tempo de engrossar a estatística televisiva de aumento da criminalidade.
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Manuel Ferreira Leite foi ao cabeleireiro
sexta-feira, setembro 05, 2008
O Triunfo dos Porcos??

Pigs in muck
Published: August 31 2008 19:35 Last updated: September 1 2008 09:09
Eight years ago, Pigs really did fly. Their economies soared after joining the eurozone. Interest rates fell to historical lows – and were often negative in real terms. A credit boom followed, just as night follows day. Wages rose, debt levels ballooned, as did house prices and consumption. Now the Pigs are falling back to earth.
Este artigo saiu há dias no prestigiado Finantial Times.
Classificar Portugal, Itália, Grécia e Espanha como P.I.G.S. (iniciais dos respectivos nomes) e ainda por cima como "pigs in muck" (porcos no estrume) é no mínimo ultrajante. Já se conhece a aptidão inglesa para o humor refinado, mas agora ficámos a saber como são classificados os países para onde os higiénicos ingleses mais gostam de vir chafurdar.
Classificar Portugal, Itália, Grécia e Espanha como P.I.G.S. (iniciais dos respectivos nomes) e ainda por cima como "pigs in muck" (porcos no estrume) é no mínimo ultrajante. Já se conhece a aptidão inglesa para o humor refinado, mas agora ficámos a saber como são classificados os países para onde os higiénicos ingleses mais gostam de vir chafurdar.
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