Lembro-me que os natais da minha infância tinham a particularidade de me convencer do nascimento do menino todos os anos a 25 de Dezembro. Inocência a minha, que não me interrogava como é que um puto nascia ano após ano sem morrer primeiro. Recordo quando nas noites de 24 de Dezembro deixava o sapatinho na chaminé e no outro dia de manhã lá estavam a pistola de fulminantes, o carro de bombeiros, os cow-boys e os índios de plástico, que supostamente o recém-nascido menino Jesus deixava no sapatinho, alheio ao pivete que por vezes o objecto deitava. Mas os tempos agora são outros, e apesar do papá Bush cuspir ameaças a quem deseje as Boas Festas em vez de um Feliz Natal, o boneco gordo feito de colesterol e com cara de aguardente que dá pelo nome de pai Natal teima em resistir a mais esta intempérie. Tem piada, o país sem referências, governado por uma camarilha de judeus sem escrúpulos e texanos evangélicos e analfabetos, inventa o pai Natal, boneco destituído de qualquer parecença com o nascimento do Menino, e nem sequer levemente aparentado com a vaca ou o burro do presépio, e quer agora que o pessoal lá da terra troque o educado e universal desejo de Happy Holidays por Merry Christmas. Assim quase esqueço o menino Jesus da minha infância e não reprimo alguma solidariedade pelo palhaço vestido de vermelho. Mas o mais grave é que como os amerdicanos não fazem nada ao acaso, qualquer dia vamos ver o menino Jesus gordinho e anafado, a refastelar-se com um hamburger da McDonald´s, escorrendo gordura pelos beiços abaixo. E lá vai a imagem do pai Natal de coca-cola em punho ser proibida pela sua heresia, quiçá imolada pelo fogo sagrado da seita extremista que toma assento na Casa Branca. Já estou a ver as famílias portuguesas macaquinhas de imitação (pelo menos aquelas que mais ganham com a crise) a convencer o tio palerminha que se vestia de pai Natal a disfarçar-se de bébé com caracolinhos soltos e fraldinha dodot e a chuchar um hamburger para alegria dos filhotes candidatos a betinhos e a futuros lugares em conselhos de administração. Só por isto é que sinto alguma pena do pai Natal. Tivesse ele na mão uma cerveja Budweiser ou uma garrafa de Jack Daniels e a minha solidariedade seria incondicional.
Penso mesmo assim que o pai Natal vai resistir com coca-cola e tudo. O carácter universalista da beberragem está bem demonstrado pela sua penetração (leia-se fornicação) em todos os paises muçulmanos onde só se pode beber alcoól às escondidas. Quem é que no Iraque ou Afganistão iria emborcar uma Bud ou um trago de Bourbon às vistas do mulah ou, quem sabe, do próprio Bin Laden? Qual seria o bom muçulmano que se faria explodir junto a uma patrulha americana completamente emborrachado?
Se já lixaram o menino Jesus da minha infância, se querem lixar o pai Natal, se andam a lixar-nos a vida todos os dias com devaneios neo-liberais e fundamentalismo bacoco pseudo-religioso, então o melhor é passar a vida etilizado e beber mais um copo sempre que uma patrulha amerdicana vai aos anjinhos. E assim já não há Natal que resista. Definitivamente.
Um bom Carnaval para todos.
quarta-feira, dezembro 21, 2005
quinta-feira, dezembro 15, 2005
Natais, presépios e umbigos
Pronto! Agora que tudo estava calmo e quase normal cá por casa tinha de vir o Natal estragar tudo!
A avó Urzelina juntou o pessoal da casa e tratou logo de organizar as coisas:
1º peregrinação ao centro comercial Colombo para ver as montras
2º construir o presépio
3º tratar da ceia de Natal
Não calculam a confusão que isto está a dar! O Arturzinho não quer ir ao Colombo porque quer ver os debates dos candidatos, o tio Augusto desta vez anda com a mania que é o menino Jesus e não pode abandonar as palhinhas, a prima Ossétia não se importava de ir, mas só vai se a avó a deixar mostrar o umbigo, coisa que está na moda lá no Colombo, eu só vou se a prima for porque como sabem a companhia dela dá-me outro ânimo, o restante pessoal cá de casa só vai se tiver carcanhol para as prendas, etc., etc..
A avó Urzelina é que tem mantido a casa em ordem graças à sua pensão de sobrevivência, pois o tio Augusto deixou de receber o subsídio por invalidez desde que ficou com a mania que era o Cavaco, e houve um gajo lá das finanças que não gostou do assunto e mexeu uns cordelinhos para lhe tirar a esmola. Apesar de ter tido outras manias depois daquela o tio Augusto nunca mais recuperou a pensão, mesmo quando fomos todos fazer greve da fome durante 30 minutos à porta da Caixa Geral de Depósitos. Como não gostamos de sobrecarregar a pobre avózinha, convenci a prima Ossétia a fazer uns biscates cá pelo bairro, tipo acompanhante ou coisa assim e a coisa não tem corrido mal. Estou até a pensar em tornar-me empresário do ramo com a prima como empregada nº1.
Quanto ao presépio, a coisa também não está fácil. O Arturzinho destruiu as figuras do presépio a treinar tiro ao alvo antes de ser mobilizado para o Iraque, pelo que decidimos construir um presépio vivo. Até aqui tudo bem, pois o tio Augusto ainda não perdeu a mania de ser o menino Jesus, e até fica muito bem na manjedoura que mais não é que o berço que tem servido de abrigo aos recém-nascidos cá de casa há pelo menos quatro gerações. Para ser o rei mago Belchior convidámos o Tinoco, cabo-verdiano na clandestinidade e pessoa importante cá no bairro, pois é chefe de gang e cantor de hip-hop nas horas vagas, mas a avó Urzelina recusou porque, diz ela, não gosta pretos, e lá tivemos de cobrir o Arturzinho com graxa de sapatos, castigo por ter destruído o presépio. Mas a coisa complicou-se quando a prima Ossétia quis fazer de Nossa Senhora com o umbigo à mostra. A avó ficou com convulsões e tivemos de chamar o senhor padre da freguesia que é exorcista para a tentar controlar, mas quando descobriu que a causa dos achaques da avó era o umbigo da prima Ossétia quis vê-lo in loco e logo ali ficou louco, pois arrancou o colarinho branco, rasgou a sotaina e espumou pela boca. Para o acalmar a avó deu-lhe um lugar no presépio, e desde ovelhinha a musgo o senhor padre tem sido incansável a incarnar todos os papéis, e quanto mais próximos do umbigo da prima Ossétia, melhor. Resumindo a coisa não está fácil.
Quanto à ceia de natal eu e o Arturzinho gamámos uma lata de feijões da mercearia do senhor Aparício que é herói nacional porque combateu em África, mas a avó quando viu a parca ementa ainda ensaiou mais uma dose de convulsões mas controlou-se a tempo porque o carteiro veio trazer uma encomenda urgente do tio Américo que está na América, e ao abri-la deparámos com o paraíso: 2 paletes de coca-colas, uma normal e outra light que não faz mal à saúde, duas dúzias de hamburgers em conserva com o selo da Bush, Farm & Beast, um autocolante da CIA, uma t-shirt do FBI, um autógrafo do Schwarzenegger, uma cadeira eléctrica de brinquedo, e uma coisa informe e estranha que o Arturzinho que esteve no Iraque reconheceu como um prisioneiro seviciado que talvez tenha vindo na encomenda por engano. Enquanto não falamos com a emigração o pobre homem já tem lugar no presépio como S. José, e até parece que esqueceu o que sofreu quando se cruza com o umbigo da prima Ossétia.
É por esta e por outras que acho que esta minha prima deveria ser beatificada. Como seu confidente nas noites geladas de inverno, só eu sei o significado da palavra santa. Santa Ossétia, até porque soa muito bem.
A avó Urzelina juntou o pessoal da casa e tratou logo de organizar as coisas:
1º peregrinação ao centro comercial Colombo para ver as montras
2º construir o presépio
3º tratar da ceia de Natal
Não calculam a confusão que isto está a dar! O Arturzinho não quer ir ao Colombo porque quer ver os debates dos candidatos, o tio Augusto desta vez anda com a mania que é o menino Jesus e não pode abandonar as palhinhas, a prima Ossétia não se importava de ir, mas só vai se a avó a deixar mostrar o umbigo, coisa que está na moda lá no Colombo, eu só vou se a prima for porque como sabem a companhia dela dá-me outro ânimo, o restante pessoal cá de casa só vai se tiver carcanhol para as prendas, etc., etc..
A avó Urzelina é que tem mantido a casa em ordem graças à sua pensão de sobrevivência, pois o tio Augusto deixou de receber o subsídio por invalidez desde que ficou com a mania que era o Cavaco, e houve um gajo lá das finanças que não gostou do assunto e mexeu uns cordelinhos para lhe tirar a esmola. Apesar de ter tido outras manias depois daquela o tio Augusto nunca mais recuperou a pensão, mesmo quando fomos todos fazer greve da fome durante 30 minutos à porta da Caixa Geral de Depósitos. Como não gostamos de sobrecarregar a pobre avózinha, convenci a prima Ossétia a fazer uns biscates cá pelo bairro, tipo acompanhante ou coisa assim e a coisa não tem corrido mal. Estou até a pensar em tornar-me empresário do ramo com a prima como empregada nº1.
Quanto ao presépio, a coisa também não está fácil. O Arturzinho destruiu as figuras do presépio a treinar tiro ao alvo antes de ser mobilizado para o Iraque, pelo que decidimos construir um presépio vivo. Até aqui tudo bem, pois o tio Augusto ainda não perdeu a mania de ser o menino Jesus, e até fica muito bem na manjedoura que mais não é que o berço que tem servido de abrigo aos recém-nascidos cá de casa há pelo menos quatro gerações. Para ser o rei mago Belchior convidámos o Tinoco, cabo-verdiano na clandestinidade e pessoa importante cá no bairro, pois é chefe de gang e cantor de hip-hop nas horas vagas, mas a avó Urzelina recusou porque, diz ela, não gosta pretos, e lá tivemos de cobrir o Arturzinho com graxa de sapatos, castigo por ter destruído o presépio. Mas a coisa complicou-se quando a prima Ossétia quis fazer de Nossa Senhora com o umbigo à mostra. A avó ficou com convulsões e tivemos de chamar o senhor padre da freguesia que é exorcista para a tentar controlar, mas quando descobriu que a causa dos achaques da avó era o umbigo da prima Ossétia quis vê-lo in loco e logo ali ficou louco, pois arrancou o colarinho branco, rasgou a sotaina e espumou pela boca. Para o acalmar a avó deu-lhe um lugar no presépio, e desde ovelhinha a musgo o senhor padre tem sido incansável a incarnar todos os papéis, e quanto mais próximos do umbigo da prima Ossétia, melhor. Resumindo a coisa não está fácil.
Quanto à ceia de natal eu e o Arturzinho gamámos uma lata de feijões da mercearia do senhor Aparício que é herói nacional porque combateu em África, mas a avó quando viu a parca ementa ainda ensaiou mais uma dose de convulsões mas controlou-se a tempo porque o carteiro veio trazer uma encomenda urgente do tio Américo que está na América, e ao abri-la deparámos com o paraíso: 2 paletes de coca-colas, uma normal e outra light que não faz mal à saúde, duas dúzias de hamburgers em conserva com o selo da Bush, Farm & Beast, um autocolante da CIA, uma t-shirt do FBI, um autógrafo do Schwarzenegger, uma cadeira eléctrica de brinquedo, e uma coisa informe e estranha que o Arturzinho que esteve no Iraque reconheceu como um prisioneiro seviciado que talvez tenha vindo na encomenda por engano. Enquanto não falamos com a emigração o pobre homem já tem lugar no presépio como S. José, e até parece que esqueceu o que sofreu quando se cruza com o umbigo da prima Ossétia.
É por esta e por outras que acho que esta minha prima deveria ser beatificada. Como seu confidente nas noites geladas de inverno, só eu sei o significado da palavra santa. Santa Ossétia, até porque soa muito bem.
quarta-feira, dezembro 14, 2005
terça-feira, dezembro 13, 2005
O Erro de Darwin
O conceito de evolução do ser humano está definitivamente errado. É certo que o processo evolutivo tem a ver com o meio ambiente e as suas condicionantes. Segundo Darwin, o ser vivo adapta-se biológicamente ao seu meio, de modo a permitir a sua própria sobrevivência. Mas estamos a falar de seres vivos que se movem apenas segundo o seu instinto para viver., não estamos a falar de Homo Sapiens.
Vamos por partes. Nasce um ser humano. A sua dependência em relação à progenitora é notória nos primeiros meses e de uma maneira geral é comum em relação à maioria dos outros seres vivos. Mas a partir da altura em que a cria humana começa a enfrentar o mundo que a rodeia, começam os problemas. E aí a cria interroga os pais, que na maioria dos casos não respondem, ou porque não sabem, ou porque não querem. Depois vem o universo dos brinquedos, da fantasia. O menino Jesus é substituído pelo pai Natal armado de coca-cola, o universo católico predominante substitui o seu profeta pelo ícone do mais desenfreado consumo. E temos a criança a preferir o palhaço vestido de vermelho que lhe oferece uma beberragen adocicada que lhe sabe bem.
Nesta altura já a cria do leão aprendeu a caçar juntamente com os pais, mas a cria do Homo Sapiens permanece enjaulada num infantário, numa escola, ou em frente a um computador confundindo cada vez mais o real com o imaginário.
Mais tarde, talvez consiga filtrar o conhecimento adquirido, colocá-lo ao seu dispôr e da sociedade com o fim de melhorá-la e melhorar-se. Ou talvez não.
E aqui é que bate o ponto. Darwin enganou-se redondamente. Não pensou que uma espécie dominante pudesse destruir outras espécies e também a sua própria espécie e o seu próprio meio ambiente. Infelizmente Darwin limitou os seus estudos aos habitantes das ilhas Galápagos e esqueceu os restantes. Resta alguma esperança na inteligência de alguns (cada vez menos) Homo Sapiens para travar o processo e retomar o caminho perdido.
Mas se enquanto há vida há esperança, imaginem Darwin a encalhar o navio nas praias da ponta mais ocidental da Europa. Aqui a espécie dominante é um ser vivo rastejante, lacrimejante, simultâneamente dócil e arisco, o tuga, vivendo em buracos construidos sobre buracos, com uma tendência evolutiva para a autodestruição, ou seja,
uma transição pacífica da inteligência para a estupidez. O tuga é uma espécie aparentada ao Homo Sapiens regredindo a uma velocidade estonteante para Australopiteco, e daqui para algo pior, sem a dignidade do seu antepassado primata, passando da posição erecta para a rastejante, de quatro patas no chão, alimentando-se dos restos que os predadores carnívoros rejeitam.
Darwin não teve culpa do seu erro. Mas é incrível como um ser tão insignificante e práticamente desconhecido deita abaixo toda uma teoria, aliás científicamente bem demonstrada mas infelizmente incompleta.
Nunca um tuga sonhou ter tal importância. Não há outro exemplo de tal aberração na cadeia evolutiva.
Vamos por partes. Nasce um ser humano. A sua dependência em relação à progenitora é notória nos primeiros meses e de uma maneira geral é comum em relação à maioria dos outros seres vivos. Mas a partir da altura em que a cria humana começa a enfrentar o mundo que a rodeia, começam os problemas. E aí a cria interroga os pais, que na maioria dos casos não respondem, ou porque não sabem, ou porque não querem. Depois vem o universo dos brinquedos, da fantasia. O menino Jesus é substituído pelo pai Natal armado de coca-cola, o universo católico predominante substitui o seu profeta pelo ícone do mais desenfreado consumo. E temos a criança a preferir o palhaço vestido de vermelho que lhe oferece uma beberragen adocicada que lhe sabe bem.
Nesta altura já a cria do leão aprendeu a caçar juntamente com os pais, mas a cria do Homo Sapiens permanece enjaulada num infantário, numa escola, ou em frente a um computador confundindo cada vez mais o real com o imaginário.
Mais tarde, talvez consiga filtrar o conhecimento adquirido, colocá-lo ao seu dispôr e da sociedade com o fim de melhorá-la e melhorar-se. Ou talvez não.
E aqui é que bate o ponto. Darwin enganou-se redondamente. Não pensou que uma espécie dominante pudesse destruir outras espécies e também a sua própria espécie e o seu próprio meio ambiente. Infelizmente Darwin limitou os seus estudos aos habitantes das ilhas Galápagos e esqueceu os restantes. Resta alguma esperança na inteligência de alguns (cada vez menos) Homo Sapiens para travar o processo e retomar o caminho perdido.
Mas se enquanto há vida há esperança, imaginem Darwin a encalhar o navio nas praias da ponta mais ocidental da Europa. Aqui a espécie dominante é um ser vivo rastejante, lacrimejante, simultâneamente dócil e arisco, o tuga, vivendo em buracos construidos sobre buracos, com uma tendência evolutiva para a autodestruição, ou seja,
uma transição pacífica da inteligência para a estupidez. O tuga é uma espécie aparentada ao Homo Sapiens regredindo a uma velocidade estonteante para Australopiteco, e daqui para algo pior, sem a dignidade do seu antepassado primata, passando da posição erecta para a rastejante, de quatro patas no chão, alimentando-se dos restos que os predadores carnívoros rejeitam.
Darwin não teve culpa do seu erro. Mas é incrível como um ser tão insignificante e práticamente desconhecido deita abaixo toda uma teoria, aliás científicamente bem demonstrada mas infelizmente incompleta.
Nunca um tuga sonhou ter tal importância. Não há outro exemplo de tal aberração na cadeia evolutiva.
segunda-feira, dezembro 12, 2005
Debates
Não aguento debates. Não sei porquê mas ao fim de 30 segundos de debate entre candidatos à presidência já estou com as palpebras pesadas. Não entendo como alguém suporta isto.
Imagino como seria um debate à séria, com insultos, porrada, tiroteio. Assim como um filme de acção americano, com muito sangue a espirrar e muita mioleira espalhada pelo asfalto. O Alegre a dar pontapés no baixo ventre do Soares enquanto este tenta ferrar-lhe a dentuça no tornozelo... o Louçã a correr atrás do Cavaco com uma motoserra... o Jerónimo a oferecer ao Alegre um cálice de cicuta... o Cavaco de fitinha na cabeça à Rambo, armado de G3 e a fuzilar os outros candidatos...
Qualquer coisa deste género. Um reality show de candidatos. Uma espécie de big brother em que os presentes seriam fechados e isolados num apartamento na Reboleira
tendo ao dispôr todo a espécie de arsenal violento, desde facas de cozinha a misseís terra-ar. Seria o delírio e um estrondoso record de audiências.
No final o único sobrevivente seria presidente.
Falem com a TVI.
Imagino como seria um debate à séria, com insultos, porrada, tiroteio. Assim como um filme de acção americano, com muito sangue a espirrar e muita mioleira espalhada pelo asfalto. O Alegre a dar pontapés no baixo ventre do Soares enquanto este tenta ferrar-lhe a dentuça no tornozelo... o Louçã a correr atrás do Cavaco com uma motoserra... o Jerónimo a oferecer ao Alegre um cálice de cicuta... o Cavaco de fitinha na cabeça à Rambo, armado de G3 e a fuzilar os outros candidatos...
Qualquer coisa deste género. Um reality show de candidatos. Uma espécie de big brother em que os presentes seriam fechados e isolados num apartamento na Reboleira
tendo ao dispôr todo a espécie de arsenal violento, desde facas de cozinha a misseís terra-ar. Seria o delírio e um estrondoso record de audiências.
No final o único sobrevivente seria presidente.
Falem com a TVI.
terça-feira, novembro 22, 2005
Incêndios, pai-nossos e cavacos
Cá em casa anda tudo à nora. Desde que a avó Urzelina deixou queimar a foto do Cavaco recortada do Expresso, e que estava no seu altar dos santinhos iluminada por velas de cera, que nunca mais tivemos sossego. Até o tio Augusto, coitado, que se julgava um protozoário, deixou o refúgio do seu sotão e desceu à terra, insistindo em apanhar o próximo metro para Tegucigalpa, e gritando aos sete ventos já estar farto de viver onde vive. A avó Urzelina é uma pessoa muito determinada, e quando lhe acontece alguma leva tudo à frente, que o diga o pobre do Arturzinho que ia ficando esmagado pela senhora e só a as suas botas novas forradas com bifes de alcatra importados do Texas o salvaram da desgraça, desatando a correr pela rua abaixo com a avó Urzelina a persegui-lo, culpando-o do incêndio no altar. A avó voltou-se então para o tio Augusto, acusou-o do crime hediondo de incendiário de fotos de candidatos, e ameaçou queimar todos os posters de vaginas que o tio tem no sotão. O tio ficou com a boca tão aberta de estupefacção que durante 2 semanas não a conseguiu fechar completamente. Subiu a correr ao sotão e ainda não apareceu cá em baixo, nem vivo nem morto. Eu, que não sou visto nem achado nestas histórias, prometi à avó Urzelina outra foto do tal Cavaco, não sei o que o homem tem para se deixar fotografar pelo Expresso, ainda se fosse algum prostituto daquelas revistas para gajas ninfomaníacas ainda vá, mas eu próprio duvido que o homem tenha algum atributo que mereça tal distinção.
Quem não duvida é aquele senhor com pinta de nazi, o tal Luís Delgado, que só falta descobrir a vocação do Cavaco para macho latino, assim a fazer concorrência ao Zeca Camarinha. Realmente, a julgar pelos elogios que o Candidato recebe deste senhor, é de desconfiar se aqui não existirão gostos duvidosos ou se não passa simplesmente de idolatria pagã.
Por falar em pagãos, vou todos os domingos com a prima Ossétia à catequese cá do bairro, faço todos os sacrifícios para estar perto da rica priminha, e até já aprendi o pai-nosso que rezo em coro com a prima, enquanto ela me deita uns olhares que me fazem aprender a rezar até as avé marias e o 13 de maio na cova diria. O catequista é um senhor qualquer das Neves, que parece que foi em tempos ministro do tal Cavaco da foto, vejam lá como o mundo é pequeno. Mas o tipo é esperto, pois não lhe passaram despercebidos os olhares da prima Ossétia e as minhas mãos em oração pelo meio das coxas dela. O fulano, se calhar ciumento, mandou-me recitar de joelhos as epístolas de S. João Baptista mais o versículo 3 do salmo de Ísaias aos jacobeus, e eu já tão farto do homenzinho mandei-o para a puta que o pariu, versículo 8 do salmo do Zé Povinho aos
filhos da dita, e o gajo ficou com a boca ainda mais aberta que o tio Augusto, de tal modo que um ninho de vespas floresceu lá dentro, e o tipo já não pode recitar loas ao Cavaco.
E foi assim que perdi uma oportunidade de ouro de trazer um poster do Cavaco para oferecer à avó, que anda tão desconsolada, coitadinha. Ainda pensei rasgar uma das fotografias do senhor que andam por aí à beira das estradas, mas parece que o Arturzinho teve a mesma idéia para poder voltar para casa e por àgua na fervura, e foi caçado por um gang de polícias à paisana que o enfiaram na Penitenciária. E se não fosse o tio Américo, o tal que está na América, interceder pelo pobre Arturzinho, ainda agora o rapazinho estaria a pão e água no calabouço, e não no Iraque a defender a civilização ocidental como serviço cívico. Realmente o tio Américo tem muitas amizades lá nos States, e é graças a ele que não falta nada na nossa querida casinha, nem papel higiénico para irmos para as traseiras aliviar o traseiro, nem pastilhas elásticas que têm servido para tapar os buracos do tecto quando chove. E vejam bem que o tio até enviou à avó Urzelina um poster do Cavaco novinho em folha, todo colorido e devidamente retocado pela fábrica de efeitos especiais Holy Magic Bush & Light, mais uma colecção de velas a pilhas sem qualquer perigo de incêndio!
E enquanto isto cá em casa vai entrando aos poucos na normalidade, eu sempre vou rezando uns pai-nossos à noite no quarto da prima Ossétia, que esta vida não é feita exclusivamente de prazeres terrenos.
Quem não duvida é aquele senhor com pinta de nazi, o tal Luís Delgado, que só falta descobrir a vocação do Cavaco para macho latino, assim a fazer concorrência ao Zeca Camarinha. Realmente, a julgar pelos elogios que o Candidato recebe deste senhor, é de desconfiar se aqui não existirão gostos duvidosos ou se não passa simplesmente de idolatria pagã.
Por falar em pagãos, vou todos os domingos com a prima Ossétia à catequese cá do bairro, faço todos os sacrifícios para estar perto da rica priminha, e até já aprendi o pai-nosso que rezo em coro com a prima, enquanto ela me deita uns olhares que me fazem aprender a rezar até as avé marias e o 13 de maio na cova diria. O catequista é um senhor qualquer das Neves, que parece que foi em tempos ministro do tal Cavaco da foto, vejam lá como o mundo é pequeno. Mas o tipo é esperto, pois não lhe passaram despercebidos os olhares da prima Ossétia e as minhas mãos em oração pelo meio das coxas dela. O fulano, se calhar ciumento, mandou-me recitar de joelhos as epístolas de S. João Baptista mais o versículo 3 do salmo de Ísaias aos jacobeus, e eu já tão farto do homenzinho mandei-o para a puta que o pariu, versículo 8 do salmo do Zé Povinho aos
filhos da dita, e o gajo ficou com a boca ainda mais aberta que o tio Augusto, de tal modo que um ninho de vespas floresceu lá dentro, e o tipo já não pode recitar loas ao Cavaco.
E foi assim que perdi uma oportunidade de ouro de trazer um poster do Cavaco para oferecer à avó, que anda tão desconsolada, coitadinha. Ainda pensei rasgar uma das fotografias do senhor que andam por aí à beira das estradas, mas parece que o Arturzinho teve a mesma idéia para poder voltar para casa e por àgua na fervura, e foi caçado por um gang de polícias à paisana que o enfiaram na Penitenciária. E se não fosse o tio Américo, o tal que está na América, interceder pelo pobre Arturzinho, ainda agora o rapazinho estaria a pão e água no calabouço, e não no Iraque a defender a civilização ocidental como serviço cívico. Realmente o tio Américo tem muitas amizades lá nos States, e é graças a ele que não falta nada na nossa querida casinha, nem papel higiénico para irmos para as traseiras aliviar o traseiro, nem pastilhas elásticas que têm servido para tapar os buracos do tecto quando chove. E vejam bem que o tio até enviou à avó Urzelina um poster do Cavaco novinho em folha, todo colorido e devidamente retocado pela fábrica de efeitos especiais Holy Magic Bush & Light, mais uma colecção de velas a pilhas sem qualquer perigo de incêndio!
E enquanto isto cá em casa vai entrando aos poucos na normalidade, eu sempre vou rezando uns pai-nossos à noite no quarto da prima Ossétia, que esta vida não é feita exclusivamente de prazeres terrenos.
segunda-feira, novembro 21, 2005
Desenho Inteligente
Estava para não falar nisto, mas hoje, como até o astrónomo do Vaticano "refilou", vou voltar à carga.
Atão não é que o Supremo Tribunal do Kansas (sim, aquele nos USA de onde levantou voou a Dorothy do Feiticeiro de Oz) tornou obrigatório que na disciplina de Ciências fosse ensinada, em contraposição à Teoria da evolução de Darwin, uma "coisa" chamada "Desenho Inteligente" que não é mais do que um novo nome para o Creacionismo.
O que o Sr.Astrónomo papal veio dizer e muito bem é que esta "coisa" poderia ser dada nas aulas de religião ou na de história, mas nunca como uma ciência pois não obedece aos preceitos científicos mínimos.
No "Desenho Inteligente" diz-se resumidamente que a Vida o Universo e tudo o resto é complicado de mais para ter origem em evoluções aleatórias e portanto, tal como o homem pré-historico acreditava em deuses do fogo, da água, do trovão, etc., os modernos kansistas podem acreditar à vontade num supra-desenhador que orientou a evolução até chegarmos a este cúmulo da inteligência que são os .... juizes do Supremo Tribunal do Kansas.
Mas isto não é de admirar num monte de pacóvios que acreditam que o Brusho é o salvador do "americam way of life". E já agora, se as CIAs, NSAs e quejandos recolherem isto e tiverem inteligência suficiente para ler o português, então VÃO-SE FODER.
Se um dia destes desaparecer sem rasto, podem-me encontrar em Guantanamo ou numa prisão no Iraque, Afeganistão ou outro país invadido pelos salvadores Amerdicas (e porque não Portugal???).
Atão não é que o Supremo Tribunal do Kansas (sim, aquele nos USA de onde levantou voou a Dorothy do Feiticeiro de Oz) tornou obrigatório que na disciplina de Ciências fosse ensinada, em contraposição à Teoria da evolução de Darwin, uma "coisa" chamada "Desenho Inteligente" que não é mais do que um novo nome para o Creacionismo.
O que o Sr.Astrónomo papal veio dizer e muito bem é que esta "coisa" poderia ser dada nas aulas de religião ou na de história, mas nunca como uma ciência pois não obedece aos preceitos científicos mínimos.
No "Desenho Inteligente" diz-se resumidamente que a Vida o Universo e tudo o resto é complicado de mais para ter origem em evoluções aleatórias e portanto, tal como o homem pré-historico acreditava em deuses do fogo, da água, do trovão, etc., os modernos kansistas podem acreditar à vontade num supra-desenhador que orientou a evolução até chegarmos a este cúmulo da inteligência que são os .... juizes do Supremo Tribunal do Kansas.
Mas isto não é de admirar num monte de pacóvios que acreditam que o Brusho é o salvador do "americam way of life". E já agora, se as CIAs, NSAs e quejandos recolherem isto e tiverem inteligência suficiente para ler o português, então VÃO-SE FODER.
Se um dia destes desaparecer sem rasto, podem-me encontrar em Guantanamo ou numa prisão no Iraque, Afeganistão ou outro país invadido pelos salvadores Amerdicas (e porque não Portugal???).
sexta-feira, novembro 18, 2005
Jornalistas?
Olá marinheiros.
Eu sei que há muito tempo que nada escrevo mas com o estado em que está portugal (sim, com letra pequena) a maior parte das vezes só apetece escrever merda, merda, merda, ....
No entanto hoje levantei-me mais bem disposto e como à sexta compro o 24 horas (é o unico jornal diário que tem um BOM suplemento de informática) fui a ler na viagem para a escravidão.
Atão não é que dos poucos artigos que leio (Quentes e Boas) vem a autora (uma Gracinha de nome) a dizer que a entrevistadora do Cavaco na TVI está a ser acusada de preparar bem demais a entrevista e consequentemente ter entalado o bicho.
PORRA! Quando finalmente um jornalista, no meio da escumalha jornalistica que temos, prepara-se bem para cumprir a sua função ... PUMBA na cabeça.
Conclusão - mais uma vez em portugal não se pode ser bom profissional. O que queremos é medianismo, não levantar ondas não colocar os poderosos em cheque, não fazer as perguntas difíceis ou seja, é preciso é adormecer o pagode, dar-lhe telenovelas, 1as. companhias e nada que faça pensar.
É obviamente impossível em portugal ter um watergate ou qualquer coisa semelhante, isto para não falarmos numa operação "mãos limpas", senão veja-se para onde vão todos os casos judiciais que incluiem gente "poderosa".
Isto só lá vai vestido um casaquinho de C4 e ir visitar a AR. Tinha a vantagem de reduzir a taxa de desemprego e diminuir substancialmente o numero de chulos que nada lá fazem.
Eu sei que há muito tempo que nada escrevo mas com o estado em que está portugal (sim, com letra pequena) a maior parte das vezes só apetece escrever merda, merda, merda, ....
No entanto hoje levantei-me mais bem disposto e como à sexta compro o 24 horas (é o unico jornal diário que tem um BOM suplemento de informática) fui a ler na viagem para a escravidão.
Atão não é que dos poucos artigos que leio (Quentes e Boas) vem a autora (uma Gracinha de nome) a dizer que a entrevistadora do Cavaco na TVI está a ser acusada de preparar bem demais a entrevista e consequentemente ter entalado o bicho.
PORRA! Quando finalmente um jornalista, no meio da escumalha jornalistica que temos, prepara-se bem para cumprir a sua função ... PUMBA na cabeça.
Conclusão - mais uma vez em portugal não se pode ser bom profissional. O que queremos é medianismo, não levantar ondas não colocar os poderosos em cheque, não fazer as perguntas difíceis ou seja, é preciso é adormecer o pagode, dar-lhe telenovelas, 1as. companhias e nada que faça pensar.
É obviamente impossível em portugal ter um watergate ou qualquer coisa semelhante, isto para não falarmos numa operação "mãos limpas", senão veja-se para onde vão todos os casos judiciais que incluiem gente "poderosa".
Isto só lá vai vestido um casaquinho de C4 e ir visitar a AR. Tinha a vantagem de reduzir a taxa de desemprego e diminuir substancialmente o numero de chulos que nada lá fazem.
segunda-feira, novembro 07, 2005
Vegetais, bifes e cavacos
Desde que prima Ossétia se tornou vegetariana, a vida cá em casa já não tem o mesmo sabor. Para já deixámos de comer de frango constipado por causa da gripe, e agora a rica priminha não nos deixa tocar no bifinho de alcatra marca carrefour que em dias de fartura servia para tapar os buracos dos sapatos do Arturzinho. O pobre rapaz anda tão mal que já só tem buracos em vez de sapatos, sintomas da crise que se vive cá em casa e que não há meio de passar.
Mas no meio desta desgraça, o tio Américo que está na América enviou-nos por DHL uns hamburgueres genuínos do Texas, nada como essa merda que comemos aqui na Europa, pois cheiram pior, sabem pior e têm 10 vezes mais colesterol que os seus congéneres europeus. Lá conseguimos remendar os buracos dos sapatos do Arturzinho, que viu assim o cheiro característico dos seus pés ser substituído pelo cheiro avassalador dos bois texanos, coisa que felizmente já nós estávamos habituados.
A prima Ossétia é que não gostou nada da coisa, e, entre uma mastigadela de ensopado de alcachofra e um gole de sumo de couve lombarda disse das boas e das bonitas sobre a nossa dependência da carne bovina e afins, e até eu que sou um insigne apreciador de coxas, especialmente as da prima Ossétia, fiquei deveras envergonhado e prometi a mim mesmo nunca mais olhar um pedaço de carne de frente. Bom, olhar é diferente de tocar ou mastigar, não é?
Mas o que mais me emocionou nestes últimos tempos foi a apaixão assolapada que a avó Urzelina demonstrou por aquele sujeito fininho e de queixo rabeca que parece que já é presidente antes de ser eleito, o tal Cavaco, Silva de alcunha. Calculem que avó colocou uma fotografia do senhor recortada do Expresso na mesinha de cabeçeira, entre a imagem da senhora de Fátima e a capa do último CD pirata do Marco Paulo, que a avózinha comprou recentemente na feira do Relógio a um paquistanês da Reboleira. E todas as noites antes de adormecer faz a sua reza habitual, mas introduzindo na lamúria uma petição divina pela boa saúde do sr. Silva, Cavaco de alcunha, pois é o único ser erecto à face da terra capaz de salvar a família do desastre. Pelo sim pelo não, a avó Urzelina já fez saber aos quatro ventos e em anúncios de jornal que apoia o sr. Aníbal, Cavaco de apelido, e que não torna a cair no erro de alguns atrás de apostar no candidato errado que veio a vencer as eleições e que levou o pessoal a colar bifes de alcatra nos sapatos.
Mas isto já me cheira a esturro, mesmo com o cheiro abominável dos hamburgueres texanos do tio Américo. Primeiro a prima Ossétia volta-se para os vegetais, depois a avó Urzelina converte-se ao cavaquismo, abandonando de vez os adventistas do sétimo dia, e para rematar o tio Augusto, que vivia no sótão no meio de posters de vaginas, perdeu definitivamente a razão, confundindo-se a ele próprio com uma amiba do período Protozeico.
E eu? Que faço no meio disto tudo? Está fora de hipótese tornar-me vegetariano, não condiz com a minha concepção do mundo. Apoiar Cavaco, o Silva? Ainda não estou deficiente mental, apesar de para lá caminhar a passos largos. Comer hamburgueres texanos? Já me basta comer o pão que o diabo amassou...
De modo que fico para aqui a cismar e a pensar nas coxas da prima Ossétia, e talvez chegar à conclusão que o Tio Augusto é que está certo no seio desta família...
Mas no meio desta desgraça, o tio Américo que está na América enviou-nos por DHL uns hamburgueres genuínos do Texas, nada como essa merda que comemos aqui na Europa, pois cheiram pior, sabem pior e têm 10 vezes mais colesterol que os seus congéneres europeus. Lá conseguimos remendar os buracos dos sapatos do Arturzinho, que viu assim o cheiro característico dos seus pés ser substituído pelo cheiro avassalador dos bois texanos, coisa que felizmente já nós estávamos habituados.
A prima Ossétia é que não gostou nada da coisa, e, entre uma mastigadela de ensopado de alcachofra e um gole de sumo de couve lombarda disse das boas e das bonitas sobre a nossa dependência da carne bovina e afins, e até eu que sou um insigne apreciador de coxas, especialmente as da prima Ossétia, fiquei deveras envergonhado e prometi a mim mesmo nunca mais olhar um pedaço de carne de frente. Bom, olhar é diferente de tocar ou mastigar, não é?
Mas o que mais me emocionou nestes últimos tempos foi a apaixão assolapada que a avó Urzelina demonstrou por aquele sujeito fininho e de queixo rabeca que parece que já é presidente antes de ser eleito, o tal Cavaco, Silva de alcunha. Calculem que avó colocou uma fotografia do senhor recortada do Expresso na mesinha de cabeçeira, entre a imagem da senhora de Fátima e a capa do último CD pirata do Marco Paulo, que a avózinha comprou recentemente na feira do Relógio a um paquistanês da Reboleira. E todas as noites antes de adormecer faz a sua reza habitual, mas introduzindo na lamúria uma petição divina pela boa saúde do sr. Silva, Cavaco de alcunha, pois é o único ser erecto à face da terra capaz de salvar a família do desastre. Pelo sim pelo não, a avó Urzelina já fez saber aos quatro ventos e em anúncios de jornal que apoia o sr. Aníbal, Cavaco de apelido, e que não torna a cair no erro de alguns atrás de apostar no candidato errado que veio a vencer as eleições e que levou o pessoal a colar bifes de alcatra nos sapatos.
Mas isto já me cheira a esturro, mesmo com o cheiro abominável dos hamburgueres texanos do tio Américo. Primeiro a prima Ossétia volta-se para os vegetais, depois a avó Urzelina converte-se ao cavaquismo, abandonando de vez os adventistas do sétimo dia, e para rematar o tio Augusto, que vivia no sótão no meio de posters de vaginas, perdeu definitivamente a razão, confundindo-se a ele próprio com uma amiba do período Protozeico.
E eu? Que faço no meio disto tudo? Está fora de hipótese tornar-me vegetariano, não condiz com a minha concepção do mundo. Apoiar Cavaco, o Silva? Ainda não estou deficiente mental, apesar de para lá caminhar a passos largos. Comer hamburgueres texanos? Já me basta comer o pão que o diabo amassou...
De modo que fico para aqui a cismar e a pensar nas coxas da prima Ossétia, e talvez chegar à conclusão que o Tio Augusto é que está certo no seio desta família...
quinta-feira, outubro 27, 2005
A GRIPE DAS AVES
Cá para mim, isso da gripe das aves é uma grande treta. Pelo menos aqui por perto não existe e mesmo que venha a existir, seguramente apenas afectará animais com penas de menor porte ou de condição mais frágil e portanto já por si postos à margem da cadeia de preservação da espécie.
Ainda tive alguma ténue esperança que essa tal de gripe da passarada se transformasse em rápida epedemia avassaladora dessa espécie, e que se propagasse em tempo útil à união europeia e particularmente a este país, onde a passarada sempre encontrou as condições perfeitas para o seu rápido desenvolvimento e preservação. Mas afinal, mais uma vez tenho de me resignar com a triste realidade de que nem uma simples gripe selectiva faz o favor de aqui chegar, fulminante e transformadora da capoeira a que chamam Portugal.
De facto, os passarinhos e passarões que por aí proliferam estão e continuam sem um espirro, sem as asas caídas, sem sequer diminuirem as forças que lhes permitem os voos, quer razantes quer altos. E continuam a defectar cá para baixo como muito bem lhes apetece, em alegre rodopio de cacarejos, em bandos de animais à solta.
Engalanadas na sua plumagem, as aves que proliferam neste país são de diferentes famílias mas todas pertencem à mesma espécie, pelo que tendo traços genéticos comuns, seria fácil uma gripesinha entrar-lhes pelo bico ou pela cloaca e zás...adeus aves!
E não se pense, como eu pensei durante algum tempo, que são aves raras. De facto em tempos muito antigos foram raras, mas hoje face às condições de habitat natural e capacidade de reprodução assistida, existem aos milhares neste grande aviário nacional, embora mantenham capoeiras próprias a cada família.
Claro que nem todas estas aves têm o mesmo porte e altivez, pois enquanto algumas são os instrutores de vôo, garante de chegarem cada vez mais longe e mais alto, a maioria das restantes são o garante da continuação da espécie, mantendo as capoeiras em perfeitas condições e o aviário nacional como permanente fornecedor de melhores e mais alimento.
Vejam-se alguns exemplos de famílias de aves que, conhecendo-se uns quantos passarocos, logo é fácil identificar muitos outros que andam por aí a cagar-nos em cima da cabeça e a dar-nos bicadas.
Da família dos "grosnaris falorum baratis", conhecidos no vulgo por papagáios de asa listada, temos os Marcelos, Pachecos P., directores de informação de TV´s e jornais, etc.
Da família dos "avis superioris", mais conhecidos como águias supremas, temos os Balsemões, P.Portas, L.Delgados, etc.
Da família dos "sapiem aldrabis", na gíria popular conhecidos como picansos reais, temos os Barrosos, Sócrates, Marques M., S. Lopes, Joões J., Isaltinos, Marias, etc.
Na família dos "canora absolutis rapinus", estes os passarões dignos desse nome e por isso mesmo designados pelo povo como águias-reais-que-nos-fodem-tudo ou abutres de bico longo, encontramos sub-classes tais como os Sotto Mayores, os Espíritos Santos, os Belmiros, os Cravinhos, os Jardins, etc, etc.
Claro que a lista de aves de rapina é extensa, tal não fosse esta capoeira nacional um priviligiado local de culto, mas apenas se dá uma ideia sobre a passarada que deveria contrair a dita gripe.
Desgostoso que uma epedemia a sério não venha varrer com todos esses passarinhos e passarões, fica-me a esperança que o H5N1 possa rápidamente transformar-se num vírus mais eficaz, tipo H100ApeloNemAgravo, e lhes entre pelos buracos das suas fuças transformando rápidamente toda esta corja de aves em yogurte líquido light.
Eu nada farei para lhes encontrar uma vacina.
Ainda tive alguma ténue esperança que essa tal de gripe da passarada se transformasse em rápida epedemia avassaladora dessa espécie, e que se propagasse em tempo útil à união europeia e particularmente a este país, onde a passarada sempre encontrou as condições perfeitas para o seu rápido desenvolvimento e preservação. Mas afinal, mais uma vez tenho de me resignar com a triste realidade de que nem uma simples gripe selectiva faz o favor de aqui chegar, fulminante e transformadora da capoeira a que chamam Portugal.
De facto, os passarinhos e passarões que por aí proliferam estão e continuam sem um espirro, sem as asas caídas, sem sequer diminuirem as forças que lhes permitem os voos, quer razantes quer altos. E continuam a defectar cá para baixo como muito bem lhes apetece, em alegre rodopio de cacarejos, em bandos de animais à solta.
Engalanadas na sua plumagem, as aves que proliferam neste país são de diferentes famílias mas todas pertencem à mesma espécie, pelo que tendo traços genéticos comuns, seria fácil uma gripesinha entrar-lhes pelo bico ou pela cloaca e zás...adeus aves!
E não se pense, como eu pensei durante algum tempo, que são aves raras. De facto em tempos muito antigos foram raras, mas hoje face às condições de habitat natural e capacidade de reprodução assistida, existem aos milhares neste grande aviário nacional, embora mantenham capoeiras próprias a cada família.
Claro que nem todas estas aves têm o mesmo porte e altivez, pois enquanto algumas são os instrutores de vôo, garante de chegarem cada vez mais longe e mais alto, a maioria das restantes são o garante da continuação da espécie, mantendo as capoeiras em perfeitas condições e o aviário nacional como permanente fornecedor de melhores e mais alimento.
Vejam-se alguns exemplos de famílias de aves que, conhecendo-se uns quantos passarocos, logo é fácil identificar muitos outros que andam por aí a cagar-nos em cima da cabeça e a dar-nos bicadas.
Da família dos "grosnaris falorum baratis", conhecidos no vulgo por papagáios de asa listada, temos os Marcelos, Pachecos P., directores de informação de TV´s e jornais, etc.
Da família dos "avis superioris", mais conhecidos como águias supremas, temos os Balsemões, P.Portas, L.Delgados, etc.
Da família dos "sapiem aldrabis", na gíria popular conhecidos como picansos reais, temos os Barrosos, Sócrates, Marques M., S. Lopes, Joões J., Isaltinos, Marias, etc.
Na família dos "canora absolutis rapinus", estes os passarões dignos desse nome e por isso mesmo designados pelo povo como águias-reais-que-nos-fodem-tudo ou abutres de bico longo, encontramos sub-classes tais como os Sotto Mayores, os Espíritos Santos, os Belmiros, os Cravinhos, os Jardins, etc, etc.
Claro que a lista de aves de rapina é extensa, tal não fosse esta capoeira nacional um priviligiado local de culto, mas apenas se dá uma ideia sobre a passarada que deveria contrair a dita gripe.
Desgostoso que uma epedemia a sério não venha varrer com todos esses passarinhos e passarões, fica-me a esperança que o H5N1 possa rápidamente transformar-se num vírus mais eficaz, tipo H100ApeloNemAgravo, e lhes entre pelos buracos das suas fuças transformando rápidamente toda esta corja de aves em yogurte líquido light.
Eu nada farei para lhes encontrar uma vacina.
sexta-feira, outubro 21, 2005
Que mal fiz eu para merecer isto?
Nunca como hoje existiu tanto tédio neste país. Creio mesmo que o mal deste país é apenas o tédio. Morre-se de tédio hoje em dia. E como este blog tem andado à deriva é perfeitamente natural que o tédio espreite quem nele vai botando algum serviçinho, mesmo que seja de qualidade duvidosa. Compreende-se, as digestões andam dificeis cá pelo burgo.
Não evito um longo e soberbo bocejo ao ouvir os comentários bajuladores dos lacaios cavaquistas, não evito uma ponta de nojo perante o personagem, não evito sequer um penoso aborrecimento perante os outros merdosos candidatos à presidência, meu deus, se existes, lança sobre tudo isto aquela praga que guardavas para os teus dias de azia...
Nunca como agora a baba de safio fez tanto sentido. Escorregadia, fétida, mal cheirosa.
Este país tresanda de baba e de babosos safios e aves raras. Antes caísse sobre nós uma chuva de langonha, que aturar esta gelatina infame que passa pelas frinchas das janelas, atravessa as fissuras das paredes, invade o nosso condomínio através da televisão. A baba junta-se ao canto da boca, e quanto mais o personagem articula pseudo mensagens de esperanças vãs, mais esta engrossa, passa do branco espumoso ao amarelo, e então os perdigotos começam a chover em todas as direcções, e só quem tem guito para se proteger é que não leva com esta chuva infame.
Dirão que isto é um exagero, mas não é. Tanto tempo para isto, meu deus, tanto tempo perdido à espera de um salvador, de um anjo vingador que se apresenta com as solas das botas gastas das lambidelas dos bajuladores. Seria mais barato pagar ao Homem Aranha para fazer este papel, ou então ao incrível Hulk que até passaria despercebido no meio dos vómitos verdes dos poucos que ainda abominam a situação.
E andamos nós nisto, cobertos de podridão salazarista, de soares a cavacos, de durões a santanas, de sampaios a louçãs, de guterres a sócrates, de alegres a tristes jerónimos de circunstância, de merdolas profissionais da comunicação social que lambem todos os cús no afã de manterem o emprego. Acautelem-se os incautos, a baba vem aí, vai engrossando à medida que apanha as suas vítimas no engodo, vai apertar-vos o cachaço com mais uma correntes, vai tornar-vos mais escravos do consumo obrigatório e do telemóvel 3G. Confusos?
Pois bem, delirem à vontade com as bichezas do palhaço Castelo Branco, ele é pago para isso, para vos atirar com a baba ao focinho. Apreciem as dissertações verborreicas do Marcelo, e façam que sim com a cabeça cada vez que o homem arrota uma baboseira ou uma opinião de pacotilha, a baba de safio até lhe chega aos tornozelos.
A inteligência não chegou a este cantinho, até deus se esqueceu que os portugueses estão para a Europa como o acne está para os adolescentes, e a única pomada que nos receitou foi esta funesta baba, que nem tem direito a ser um genérico, que se espalha no mal e torna o mal ainda pior, triste sina a nossa.
E o pior de tudo é o tédio, estamos tão habituados à trampa que esta já não nos incomoda, apenas nos faz tédio, tédio, tédio. Estamos fodidos, meu, estamos todos fodidos. O homem vem aí e vai entrar pela nossa casa adentro durante pelo menos quatro anos. O gajo e o Sócrates vão subir pelo cano esgoto, passar pelo sifão, e tocar o sino com os nossos tomates. E não consigo pensar nisto sem sentir um grande e prolongado aborrecimento...foda-se...
Não evito um longo e soberbo bocejo ao ouvir os comentários bajuladores dos lacaios cavaquistas, não evito uma ponta de nojo perante o personagem, não evito sequer um penoso aborrecimento perante os outros merdosos candidatos à presidência, meu deus, se existes, lança sobre tudo isto aquela praga que guardavas para os teus dias de azia...
Nunca como agora a baba de safio fez tanto sentido. Escorregadia, fétida, mal cheirosa.
Este país tresanda de baba e de babosos safios e aves raras. Antes caísse sobre nós uma chuva de langonha, que aturar esta gelatina infame que passa pelas frinchas das janelas, atravessa as fissuras das paredes, invade o nosso condomínio através da televisão. A baba junta-se ao canto da boca, e quanto mais o personagem articula pseudo mensagens de esperanças vãs, mais esta engrossa, passa do branco espumoso ao amarelo, e então os perdigotos começam a chover em todas as direcções, e só quem tem guito para se proteger é que não leva com esta chuva infame.
Dirão que isto é um exagero, mas não é. Tanto tempo para isto, meu deus, tanto tempo perdido à espera de um salvador, de um anjo vingador que se apresenta com as solas das botas gastas das lambidelas dos bajuladores. Seria mais barato pagar ao Homem Aranha para fazer este papel, ou então ao incrível Hulk que até passaria despercebido no meio dos vómitos verdes dos poucos que ainda abominam a situação.
E andamos nós nisto, cobertos de podridão salazarista, de soares a cavacos, de durões a santanas, de sampaios a louçãs, de guterres a sócrates, de alegres a tristes jerónimos de circunstância, de merdolas profissionais da comunicação social que lambem todos os cús no afã de manterem o emprego. Acautelem-se os incautos, a baba vem aí, vai engrossando à medida que apanha as suas vítimas no engodo, vai apertar-vos o cachaço com mais uma correntes, vai tornar-vos mais escravos do consumo obrigatório e do telemóvel 3G. Confusos?
Pois bem, delirem à vontade com as bichezas do palhaço Castelo Branco, ele é pago para isso, para vos atirar com a baba ao focinho. Apreciem as dissertações verborreicas do Marcelo, e façam que sim com a cabeça cada vez que o homem arrota uma baboseira ou uma opinião de pacotilha, a baba de safio até lhe chega aos tornozelos.
A inteligência não chegou a este cantinho, até deus se esqueceu que os portugueses estão para a Europa como o acne está para os adolescentes, e a única pomada que nos receitou foi esta funesta baba, que nem tem direito a ser um genérico, que se espalha no mal e torna o mal ainda pior, triste sina a nossa.
E o pior de tudo é o tédio, estamos tão habituados à trampa que esta já não nos incomoda, apenas nos faz tédio, tédio, tédio. Estamos fodidos, meu, estamos todos fodidos. O homem vem aí e vai entrar pela nossa casa adentro durante pelo menos quatro anos. O gajo e o Sócrates vão subir pelo cano esgoto, passar pelo sifão, e tocar o sino com os nossos tomates. E não consigo pensar nisto sem sentir um grande e prolongado aborrecimento...foda-se...
quinta-feira, outubro 20, 2005
quarta-feira, outubro 19, 2005
O país está de boca aberta.
Então o BES está sobre investigação por branqueamento de capitais e fuga ao fisco?
E os seus administradores andaram para aí a fazer coisinhas feias com o dinheiro dos depositantes?
Posso acreditar que somos governados por extra-terrestres gelatinosos, mas acreditar nas falcatruas de um banco que para além de financiar as principais equipas do luso futebol ainda foi fiel depositante das poupanças do general Pinochet, esse grande herói latino-americano?
E acredito piamente nas palavras do administrador do BES Ricardo Salgado quando diz que errar é humano, e que talvez alguém possa ter cometido pequenos erros, tais como criar empresas fictícias e desviar milhões para paraísos fiscais.
Pôrra, pá, a isto chama-se desenvolvimento sustentado!
Então o BES está sobre investigação por branqueamento de capitais e fuga ao fisco?
E os seus administradores andaram para aí a fazer coisinhas feias com o dinheiro dos depositantes?
Posso acreditar que somos governados por extra-terrestres gelatinosos, mas acreditar nas falcatruas de um banco que para além de financiar as principais equipas do luso futebol ainda foi fiel depositante das poupanças do general Pinochet, esse grande herói latino-americano?
E acredito piamente nas palavras do administrador do BES Ricardo Salgado quando diz que errar é humano, e que talvez alguém possa ter cometido pequenos erros, tais como criar empresas fictícias e desviar milhões para paraísos fiscais.
Pôrra, pá, a isto chama-se desenvolvimento sustentado!
segunda-feira, outubro 17, 2005
A organização Oikos (inventam cada nome para estas merdas!) concluiu que em Portugal as 100 maiores fortunas representam 17% do PIB, e que 20% dos mais ricos controlam 45,9% do rendimento nacional. Estes valores não são dignos de um país europeu e membro efectivo da UE, mais se aproximam de um país em vias de desenvolvimento.
Ora bem:
Entre 1974 e 1984 este país conheceu a instabilidade própria do período pós-revolucionário, sofreu as investidas do capital estrangeiro para controlar a refrega, aturou toda a espécie de jogos sujos de políticos caseiros, suportou o bloco central. Até que inevitávelmente o salvador veio de BX espurgar o demónio. O Algarvio Cuspidor agarrou o barco com a maré a seu favor, com a grana a chover em catadupas sobre os basbaques ministros do seu séquito, vendeu a treta do oásis, e fechou os olhos à rebaldaria que os seus apaniguados fizeram com os fundos de coesão. Quando as coisas deram para o torto, os seus apoiantes abandonaram o barco com os sacos cheios de produtos do saque, criaram os seus negócios, impuseram as suas regras, e até hoje têm exercido sobre o pobre estado aquilo que em linguagem policial vulgarmente se chama de chantagem. Os seguidores do Cuspidor na chefia do Estado apenas deixaram seguir o barco à deriva até que a tempestade que se adivinhava os fez desistir. Não admira, pois, que as coisas estejam como estão.
E vem agora este sujeitinho incrível candidatar-se a Presidente, com falinhas mansas e pézinhos de lã, a tentar disfarçar a arrogância provinciana que sempre o caracterizou, na mira de conquistar votos no inferno. Os seus sequazes embasbacam de alegria e já se masturbam em público em frente às câmaras de TV, os comentadores politicos vendidos já lhe prevêm uma vitória fácil, os mais exaltados não escondem um espírito vingador.
Este homem ignorante, inculto, vaidoso, cinzento e boçal vai ser presidente depois de ter sido praticante de atletismo, ministro das finanças, 1º ministro, professor universitário. E vai sê-lo porque os seus sequazes de hoje e de sempre, os tais 20% que controlam metade do país, precisam de mais um lacaio que lhes alivie a braguilha para mijarem ainda mais à vontade. As coisas estão tão más que o Sócrates sózinho já não dá conta do recado.
Ora bem:
Entre 1974 e 1984 este país conheceu a instabilidade própria do período pós-revolucionário, sofreu as investidas do capital estrangeiro para controlar a refrega, aturou toda a espécie de jogos sujos de políticos caseiros, suportou o bloco central. Até que inevitávelmente o salvador veio de BX espurgar o demónio. O Algarvio Cuspidor agarrou o barco com a maré a seu favor, com a grana a chover em catadupas sobre os basbaques ministros do seu séquito, vendeu a treta do oásis, e fechou os olhos à rebaldaria que os seus apaniguados fizeram com os fundos de coesão. Quando as coisas deram para o torto, os seus apoiantes abandonaram o barco com os sacos cheios de produtos do saque, criaram os seus negócios, impuseram as suas regras, e até hoje têm exercido sobre o pobre estado aquilo que em linguagem policial vulgarmente se chama de chantagem. Os seguidores do Cuspidor na chefia do Estado apenas deixaram seguir o barco à deriva até que a tempestade que se adivinhava os fez desistir. Não admira, pois, que as coisas estejam como estão.
E vem agora este sujeitinho incrível candidatar-se a Presidente, com falinhas mansas e pézinhos de lã, a tentar disfarçar a arrogância provinciana que sempre o caracterizou, na mira de conquistar votos no inferno. Os seus sequazes embasbacam de alegria e já se masturbam em público em frente às câmaras de TV, os comentadores politicos vendidos já lhe prevêm uma vitória fácil, os mais exaltados não escondem um espírito vingador.
Este homem ignorante, inculto, vaidoso, cinzento e boçal vai ser presidente depois de ter sido praticante de atletismo, ministro das finanças, 1º ministro, professor universitário. E vai sê-lo porque os seus sequazes de hoje e de sempre, os tais 20% que controlam metade do país, precisam de mais um lacaio que lhes alivie a braguilha para mijarem ainda mais à vontade. As coisas estão tão más que o Sócrates sózinho já não dá conta do recado.
Subscrever:
Mensagens (Atom)


