terça-feira, abril 24, 2007

Porque não vou comemorar os 33 anos do 25 de Abril

Faz amanhã 33 anos que nasceu uma nova esperança.

Mas o parto correu mal e é o que hoje se vê.

Eu sei, a gente conseguiu umas coisitas, já se morre menos à nascença, temos acesso a resmas de informação e produtos de consumo que não servem para nada na sua maioria, gozamos de alguma liberdade relativa, estamos convencidos que o nosso nível de vida melhorou alguma coisa em 33 anos...mas tenho aqui uma espinha cravada na garganta, uma sensação de que algo ficou algures pelo caminho...

Alguém sabe de algum país ou lugar onde não tenha de levar com o Sócrates, o Mendes, o Portas, o Belmiro, os Loureiros, o Jardim, o Salazar, o Pinto da Costa, o Santana, o Cavaco, o Noddy e a Lily Caneças a toda a hora? Alguém sabe de um lugar onde não se fale da Ota, do TGV, do túnel do Marquês, do Apito Dourado e do diploma do Sócrates? Ao fim de 33 anos é esta a triste sina que nos deixaram ou que nos querem impôr?

Foda-se, pá, eu já nem me lembro onde estava no 25 de Abril de 1974...

terça-feira, março 20, 2007

Acreditem que estou mesmo chateado, pá!

Estou triste. E muito desiludido. Andei eu a rezar padre-nossos e ave-marias todos os dias após o pequeno almoço, fui a pé até Fátima (desde a Tia Alice), e de comboio, e de autocarro, e de táxi, e só não fui de metro porque lá não há estação, para no final o meu querido partido de sempre, o CDS-PP, o partido mais cristão do Ocidente, e talvez mais cristão que Cristo, o partido que tem nas suas fileiras gente tão ilustre como a Zézinha Nogueira Pinto, o Nuno Melo, o Telmo Correia, o gajo que manda lá naquilo e que parece que se chama Ribeiro e Castro, o gajo que já mandou e quer mandar outra vez naquilo e que parece que se chama Paulo Portas, o partido que sempre defendeu os grandes e morais principios da santa puta madre igreja católica, o partido de Deus, Pátria e Família ou morte, o partido do velhinho de Santa Comba, o tal que se não tivesse morrido ainda hoje seria vivo, enfim, o partido mais casto e mais puro da cena política cá de casa deu uma triste imagem de si próprio ao sofredor people português do Minho ao Allgarve. Não está certo. E ninguém me tira da idéia que essa coisa que dá pelo nome de Paulo Portas mais não é que um terrorista esquerdista infiltrado com a tenebrosa missão de acabar com o CDS-PP e com toda a direita portuguesa.
Não calculam como tudo isto me chateia. Não foi para isto que se fez o 25 de Abril.

sexta-feira, março 16, 2007

Viva a Escravatura!

Pronto. A imagem tão sui generis dos portugueses tristes, fadistas, elas de chinela no pé e farto buço, eles de garrafão de cinco litros e sapato preto com meinha branca, brutos, analfabetos, servis, lambe-botas, e acima de tudo cobardes, foi mais uma vez mostrada ao mundo com os exemplos edificantes da exploração de força de trabalho em Inglaterra e no país basco espanhol. Uma bem esgalhada imagem de marketing de um país que o não é, que não sabe ser, e que não quer saber, em suma um país invertebrado habitado por invertebrados. Um fenómeno zoológico a precisar de investigação urgente.
Uma verruga no processo evolutivo do ser humano. Se Darwin fosse vivo já teria dado um tiro nos cornos ou bebido cicuta.
Estes seres rastejantes devotos de todas as virgens que lhes botam á frente, lambe-cús de padres e patrões, fiéis seguidores dos charlatães que lhes vendem Deus, Pátria e Família como quem vende cartões de crédito em centros comerciais, é o povo eleito para se assumir hoje e sempre como escravo. Se lhes perguntam "Queres ser livre?" logo respondem "Não, quero ser escravo.". Spartacus havia de lhes cuspir em cima, nesta gente que prefere cantar loas a alimárias de Santa Comba Dão e a comedores de bolo-rei de Boliqueime, nesta gente que se orgulha de um passado de merda, que vive na merda no presente e a quem se acena com um futuro de merda, nesta gente que gosta de ser escrava e disso se orgulha. Spartacus escarraria com gosto em cima deste povo, gente assim não merece a liberdade, gente que teve tudo ao alcance da mão, o progresso económico logo ali ao virar da esquina, a justiça para todos em frente ao nariz, a educação a saúde e o bem-estar a entrar pelos olhos adentro, e tudo isso varreu, tudo deitou no cano de esgoto, tudo isso sacrificou por ser cobarde, estúpido, pato-bravo, corrupto, vendido, chico-esperto. E acima de tudo por querer ser um escravo, de si próprio e dos outros, um verme sujo e deprimente sem nenhuma ponta por onde valha a pena pegar.
Custa dizê-lo, mas tudo isto me mete nojo. Esta triste condição de ser português já me enoja.

terça-feira, março 06, 2007

Terror na Auto-Estrada

Sempre me fez confusão que numa auto-estrada com 3 faixas existam maduros que se alapam na faixa do meio a 100 km/h e que se deixam ir na boa e nas tintas para os que não têm qualquer alternativa senão em ultrapassá-los pela direita, quando não o podem fazer pela esquerda como deve ser e em segurança. E se por acaso se lhes chama a atenção para o facto, ainda esbraçejam e incham de razão, e continuam na sua faixa mediana, na sua velocidade mediana, a servir de rolha e tampão à melhor fluência do tráfego.

Mas vendo bem até está certo. Estamos em Portugal, não estamos? A mediocridade é a nota máxima do establishment luso-pacóvio, espalha-se pelos interstícios labirínticos da administração a todos os níveis, produz sementes nos partidos políticos, cresce desalmadamente sem rega nem controle de temperatura. É uma praga incontrolável, uma doença sem vacina, um furúnculo auto-sustentável. Ser medíocre é conduzir sempre pela faixa do meio, é ficar nas meias-tintas, no meio da tabela, a meio da praia, é ter medo de molhar o pézinho na água fria do mar e preferir ficar lá longe, no areal, à sombra do chapéu de sol a ler a Bola ou a Nova Gente. Ainda se lessem Pessoa, Stendhal, Garcia Marquez, Cardoso Pires, enfim, até lhes desculpava não subirem ao alto da falésia e atirarem-se de cabeça cá para baixo. Sempre podiam enterrar a cabeçinha na areia por uma boa causa.

Com tantos medíocres a debitarem nos jornais, nas rádios e nas TV´s é natural que o vírus da mediocridade se espalhe consumindo toneladas e toneladas de neurónios, é assim uma espécie de super-aviário com gripe das aves galopante, que em vez de matar zombivifica, ou seja, transforma o doente num zombie ou morto-vivo, pronto a contaminar ainda mais com uma simples mordedura. Mordeduras que provocam patologias mutantes e infecções prolongadas que tanto podem ter o nome de "branqueamento do regime salazarista" como de "regresso de Paulo Portas à política" ou ainda "Alberto João Jardim demite-se e quer eleições na Madeira". E o grande bando dos media-medíocres (media, estão a ver?) logo se presta a comentar, dissecar, raspar, analisar, deglutir e regurgitar estes fenómenos patológicos contribuindo ainda mais para a sua expansão e sobrevivência. É uma peste negra sem vítimas mortais, porque ela própria também assina pelo meio, pela paz podre, pela morte sem morte aparente, que também ela apanhou com o vírus pela proa e já nem matar consegue neste cantinho a meio da praia de cú pró ar plantado. Já tem a foice com ferrugem, a filha da puta.

Bem podem empertigar-se os que tentam dar a volta a este gravíssimo problema de saúde pública. Bem pode o ministro fechar mais urgências a eito que a mediocridade geral continuará impávida e serena a viajar pela faixa do meio, que na faixa da esquerda os aceleras de pacotilha se vão encostando uns aos outros a ver quem consegue passar à frente e ser mais medíocre que os que ficam atrás, que a faixa mais à direita se transforme num corredor vazio e convidativo, num tapete vermelho para o podium da competição desenfreada e da mediocridade incontida ou, quiçá, um caminho mais seguro para marrar com os cornos nas traseiras de um camião TIR.

O que, diga-se de passagem, até seria um mal menor.

domingo, fevereiro 25, 2007

Zeca Afonso

Gostei muito do texto que vem na Visão em http://visaoonline.clix.pt/default.asp?CpContentId=332894.

Continuo a não perceber porque tantos filhos da puta continuam a viver e um HOMEM como o Zeca teve que morrer.

GOD SUCKS

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Missão Impossível IV

Notícia muito interessante vindo ela donde vem. Pois é, se todos os povos que descobriram as Américas e que depois andaram por lá ao despique a ver quem mais chacinava e gamava, se se tivessem autodestruído como os Vikings, certamente hoje o mundo seria bem melhor do que é. Afinal, a perpetuação da rebaldaria assentou arraiais no novo mundo e por lá tem ficado a exportar o morticínio para outras paragens e a colher frutos e dividendos.
Se a devassa dos conquistadores funcionasse como um episódio de "Missão Impossível" lá teríamos a mensagem fatal: "este império autodestrói-se dentro de 5 segundos".
Pelos vistos esta teoria do senhor Chirac não teve qualquer efeito sobre os heróis lusitanos.
É que este povinho anda há gerações a autodestruir-se, ... lentamente... muito lentamente...

terça-feira, fevereiro 13, 2007

QUEM NOS GOVERNA HÁ 30 ANOS

Às vezes acontece que nos passa pelos olhos uma escrita que diz tal e qual o que queremos dizer, só que duma forma mais simples e objectiva. Por isso não resisti a colocar aqui uma "carta ao director" publicada no "Público" de hoje:
"Quando Santana Castilho, entre muitos outros professores, na sua costumada missionária e militante diatribe contra este Governo e, principalmente, contra esta ministra da Educação (ou melhor ainda, contra tudo o que "cheire" a Governo - "Hay Gobierno, soy contra!"-, oh, Deus, também eu, durante tantos anos, tive lugar cativo e permanente na 1ª fila dessa tribo anarca!), faz, uma vez mais, referência ao infindável e desgraçado rol de tudo aquilo que já todos sabemos e de que todos temos opinião formada e segura - a corrupção, as negociatas, a impunidade das criaturas que nos têm governado, sem competência nem talento, as medidas disparatadas elaboradas por autênticos mentecaptos, a falta de profissionalismo, de inteligência e de lucidez de todas as equipas ministriais portuguesas (ainda que a actual pareça ser a mais terrível e mais demencial do mundo!), etc., etc. -, esquece-se uma vez mais de que toda essa miserável incompetência, todos esses desgraçados que nos têm governado, todas essas aventesmas que são todos "os outros" e que poluem o espaço à nossa volta, foram alunos das nossas escolas, foram alunos dos nossos professores, foram nossos alunos!(...)
Além do apontado e sempre o mesmo eternizado "cansativo discurso de décadas", temos agora o cansativo discurso de dois anos (tão cansativo como o outro!) de que tudo o que está aí em movimento é mentira, não tem pés nem cabeça e vai para pior. Tudo o que se tem feito só traz o mal absoluto e tudo é só para nos afundar ainda mais face à Europa! É a desgraça completa!
Fechemos a porta, passemos o cobertor pela cabeça e apaguemos a luz!...Não se espere nunca que, de entre toda a vacuidade sandia que rodeia estes comentadores, surja alguma vez e em alguma época alguma solução. Claro, excluindo a deles próprios, já me esquecia!
Ah, mas antes do cobertor e de, inúteis desiludidos e absolutamente descrentes, nos entregarmos a Caronte para a passagem, façamos um telefonema: "Alô! É da Al-Qaeda? Olhem, seria possível fazerem o favor de vir até cá pôr uns petardozitos em Belém, em São Bento (no quarteirão todo, em baixo e em cima!), no Terreiro do Paço e na 5 de Outubro? E já agora, uma vez cá, talvez não fosse má ideia arrasar todas as escolas deste país que formaram toda esta gentalha menor, incapaz e palerma, que nos tem governado! Mas, atenção, não toquem na "nossa" escola, que nos fez tão diferentes!"
Não fosse a ultima frase do sr. Ruben Marks aqui trancrito, e por mim levava a bicicleta inteirinha. Pois quem conheceu a tal "nossa" escola sabe que essa era não apenas o laboratório da continuidade mendecapta, embora alguns raros exemplos fossem excepção, mas acima de tudo foi a responsável pela "formação" dos progenitores dos actuais.
Até me apetece dizer que a escola actual apenas se "modernizou" com a introdução do nova disciplina da educação sexual onde se aprende que:
EDUCAÇÃO SEXUAL É DIZER OBRIGADO NO FIM!!!

E AGORA ?

Ainda tive alguma esperança que o país pudesse continuar na mesma, cada vez a afundar-se mais, suavemente, tranquilamente. Mas quando às sete horas da tarde de Domingo passsado as televisões deram, em simultâneo, a vitória do sim, fiquei estarrecido.
O não ao aborto, isto é, a negação da negação, melhor dizendo, o não permitir que se fizessem abortos neste país tinha sido derrotado!
O que vai ser deste país onde não vão passar a ter vida os abortos? Como vai ser a futura geração de políticos, de economistas, de empresários, de patrões, de juízes, de directores gerais, de secretárias de estado e sem estado, enfim, como poderá este país sobreviver se deixam de haver abortos não abortados?
Não consigo imaginar o futuro sem Albertos Jardins, nem Pachecos Pereiras, nem Sócrates, nem Marques Mendes, nem Soares, sem Nunos Portas, sem Diogos Freitas, sem Belmiros, nem Bulhosas, nem Veras Jardins, enfim, sem todos esses valorosos patriotas que sempre têm orientado os destinos de um país tranquilo, seguro e próspero de 860 anos.
Mas o impacto das notícias acabadas de sair foi-se esvaindo aos poucos, à medida que entrava em reflexão mais racional, ajudado pelos inumeráveis comentários que se seguiram em catadupa.
Afinal ainda devo acalentar alguma esperança no futuro, pois nem tudo está perdido. Só se perdem os abortos com idade inferior a dez semanas e, bem vistas as coisas, que diabo, não me recordo de que os abortos vivos que têm assegurado a tranquilidade e bem estar deste país alguma vez tenham chegado aos lugares importantes do poder desta sociedade ainda na idade da desmama.
Afinal o país pode continuar, calmo, tranquilo e em permanente evolução na continuidade, assegurando que o bem estar de todo este povo sempre estará no auge da proporção!

quinta-feira, janeiro 25, 2007

O Referendo do Aborto ou o Aborto do Referendo

Vou votar SIM. Mas poderia votar NÃO.
Mas cá por mim, directamente e pessoalmente, tanto faz. PORQUE EU NÃO CONSIGO PARIR.

Portanto não percebo todos os homens que aparecem por aí a dar opiniões muito sérias como se les alguma vez já tivessem pasado ou possam passar por um aborto. O máximo que conseguem fazer é acompanhar a grávida ao local do aborto.

Por isso digo que tanto me faz votar SIM como NÃO.

No entanto assusta-me a idiotia dos NÃOS em quererem fazer crer que a "não penalização" aborto nas condições definidas é o fim do mundo, que todas as mulheres vão abortar, etc. Mas que ABORTOS eles são.

Eu poderia votar NÃO só numa condição: penalizem o homem também. Ou o feto apareceu por obra e graça do Espirito Santo?
Condenem o futuro pai e futura mãe da mesma maneira mas tendo também em consideração as suas condições económicas, sociais e até médicas.
Será que nesta situação os homens se pronunciariam da mesma maneira?

Falam todos em assassínio mas ninguém fala em assassinio quando não são dadas condições para uma criança crescer segunda a "Carta dos Direitos da Criança". Ainda mais ridicula e hipócrita é a posição da Igreja - porque não defendem uma educação sexual de qualidade, porque não gastam o dinheiro (que de certeza estão a gastar nesta campanha) em apoio e aconselhamento aos casais e aos jovens.
PORQUE PROIBEM O PRESERVATIVO? HIPOCRITAS

Se o feto é um ser humano desde o momento inicial (ou seja quando o espermatezoide se junta ao ovulo) então:

>Também vou poder receber o subsidio infantil a partir dessa altura?
>Se o feto morrer posso pedir o subsidio de morte (para quem tem)?
>Tenho que lhe dar um nome, registá-lo e obter uma cédula?

Segundo dizem não existe o direito de interromper esta vida, mas não os vejo a lutar do mesmo modo contra a MORTE em guerras, a MORTE à fome, a MORTE por não termos dinheiro para pagar cuidados de saúde atempados e de qualidade - HIPÓCRITAS.

Concordo que as imagens em que andam aí na WEB são violentas mas também já li que são de fetos com idade superior ao que a lei prevê.

Quanto ao SIM, por experiência própria sei que o aborto afecta bastante a mulher, mas também já se sabe que existem mulheres que o utilizam de forma sistemática, quando existem outros meios que, à “anteriori” previnem a concepção e que saiem mais baratos que efectuar o aborto. Não deverão estas situações ser criminalizadas?

Prontos – já botei faladura e como vozes de burro não chegam ao céu, eu cá fico neste inferno.

domingo, janeiro 21, 2007

Bom, hoje é domingo e está um dia magnífico.
Não me apetece defecar por aqui. Vou defecar para outro lado

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Deram cabo de mim

Passei-me. E agora creio que foi de vez. Foi cravado o último prego no caixão da minha sanidade mental. A discussão em torno do aborto deu definitivamente cabo de mim. Tivesse eu nascido mulher e já teria abortado dez vezes seguidas face ao que tenho visto e ouvido sobre o assunto nos últimos tempos. Por isso, não se queixem desta profunda crise de mau gosto. Não estou em mim.
Se o NÃO ganhar, juro que nunca mais terei uma única relação sexual na minha vida, nunca mais farei um filho, e tentarei impedir por todos os meios que mais alguém os tenha. Nem que me suicide à bomba na maternidade Alfredo da Costa. Se o SNS fosse pagar os abortos caso o SIM vencesse, então este serviço não teria de pagar mais nada. Nem um parto, nem uma operação ao apêndice, nem um transplante de medula, nem uma lipoaspiração, nada, rien, niente. Sejamos coerentes. A saúde não se paga, beatifica-se. Quem tiver uma dor de dentes que recorra ao prior da freguesia, quem tiver SIDA que vá direitinho pró inferno, quem necessitar de um coração novo que vá a pé, de rastos ou de trampolim até Fátima, reze 200 ave-marias e 300 pai-nossos, beije a mão ao bispo. Quem sofrer as tentações da carne que opte pela vergasta do verdugo, que se autoflagele em público em plena procissão e à vista de todos incluindo o patriarca. Não há mal que a santíssima igreja católica-apostólica-romana não cure. E por último a solução final: castre-se o pecador/a à nascença, e recorra-se à emigração para ocupar os lugares vagos pela ausência de nascimentos. Não faltarão criancinhas para adoptar ou para alugar. Os defensores do NÃO assim o exigem. É a sua sobrevivência que está em causa.
Por outro lado, se o SIM ganhar, abrirei uma clínica, ou melhor uma rede de talhos disfarçados de clínicas em todas as capitais de distrito, onde os abortos até às dez semanas serão seleccionados, separados, retalhados, temperados e amassados até encherem quilómetros e quilómetros de cordões umbilicais e vendidos como chouriços de Arganil aos teóricos da defesa da vida. Não há-de haver aborto que me escape, todas as mulheres serão vigiadas e catalogadas. Os machões, os violadores, os tarados sexuais receberão subsídios para espalharem a sua semente pelo erário feminino. E seremos todos nós a pagar o festim, rapaziada! E é bem feito porque andam todos a mangar com a gente e a gente a ver! As Zézinhas, os Gentis, os Bagões, os Borges, os Jardins, os Mendes, os Sócrates, os Cavacos, os Rios, o Millenium BCP, o Espírito Santo, o Papa, o Marco Paulo!
Quando não existe discussão séria sobre um assunto encontra-se a solução mais fácil: o referendo. Assim o governo não se compromete, a oposição não se compromete, o povo não se compromete, ninguém fica comprometido. E o problema é uma vez mais atirado para trás das costas, para o limbo do esquecimento, para a clandestinidade.
Agarrem-me, vistam-me uma, não, duas camisas de forças, agrilhoem-me a um bloco de cimento, guardem-me na masmorra mais funda do Miguel Bombarda.
Conseguirem dar cabo de mim...

terça-feira, janeiro 02, 2007

Feliz Ano Novo??

Esta estória de passagens de ano, de festarolas, espumante, bebedeiras, fogo de artifício é tudo uma grande treta. Festeja-se o final de um ano com a esperança saloia de que o novo é que vai ser, é que vai trazer coisas boas, o euromilhões e coisas assim. E depois é a merda do costume: o custo de vida continua aumentar, o salário a reduzir, as empresas a fechar, a saúde a piorar, o ensino a definhar, o FC Porto a ganhar. E o euromilhões sem sair. Cá para mim o fim de ano é uma invenção destinada aos papalvos que ainda acreditam em bolsos cheios, jeeps topo de gama e férias no Brasil. E ainda não perceberam que ao longo dos anos os bolsos estão mais vazios, o carrinho já tem 180000 Km, e as férias passaram do Algarve para a Costa da Caparica. Há que aliciar as massas com falsas esperanças de melhoria sempre que o ano começa, há que controlá-los na fase do ano em que estão mais frágeis, em que já gastaram os subsídios de Natal em merdas que não valem a ponto de um corno, e que bem poderiam usar para, por exemplo, adquirir um kit de sócio do Benfica ou dar entrada para aquele televisor LCD que faria uma grande inveja ao vizinho. É também por esta razão que os Papas e quejandos aproveitam esta época para discursos metódicamente redigidos para puxar ao sentimento, como a mensagem do Bentinho (o XVI) a confundir o aborto e a eutanásia com o terrorismo, e a do Cavaquinho a ameaçar pôr as coisas na linha se o país não crescer em 2007. Tudo isto o pagode chupa, dissolve, engole e regurgita em doses maciças. Somos como aqueles doentes que são obrigados a assistir ao Natal dos Hospitais em directo e ao vivo, convencidos que as cantigas do Marco Paulo e sus muchachos lhes vai aliviar os males e as dores, mas que saiem de lá com o agravamento das mazelas e a precisarem de tratamento psiquiátrico. É que o mediatismo institucional aproveita precisamente estas alturas para reforçar o seu controlo sobre a escumalha, que é a essência da sua própria sobrevivência. Sem o maralhal embasbacado e anestesiado Papas, Cavacos, Sócrates, Bushes, rabis e aiatolas não passariam de peidos velhos e atrofiados.
Tenham esperança, não desesperem, isto ainda vai ser um grande país e um belo planeta para se viver. Não sei quando, mas isso agora não interessa nada.
Foda-se, lá se foi mais uma vez o euromilhões!...