terça-feira, setembro 19, 2006
segunda-feira, setembro 18, 2006
Não queria acreditar. O meu amigo e fiel conselheiro Josep Ratzinger, mais conhecido pela alcunha de Bento XVI, veio a público mostrar as partes intimas sem o devido consentimento da Imaculada Confraria dos Beatos do Vaticano e, mais grave ainda, sem a opinião pertinente deste vosso escriba. Voei que nem um tiro para o Vaticano e à sombra da 3ª coluna a contar da esquerda desanquei no Josep toda a minha discordância pelo seu acto irrefletido. O tipo ouviu, cabisbaixou, engoliu em seco e jurou pela alminha de Nossa Senhora e do III Reich que haveria de reparar o mal cometido. Deixei que uma lágrima deslizasse do olho até ao queixo, dei-lhe uma palmadinha nas costas para o reconfortar e fomos juntos acender uma velinha pela vitória do Benfica, mais umas imperiais e tremoços na messe da Capela Sistina.
No dia seguinte o Josep retratou-se pela TV, disse que sim senhor, o Maomé não sei quê, e não sei que mais, que era tudo a fingir, ele só queria brincar um bocadinho pois a vida de Papa não é nada fácil, e aquilo que ele diz não é aquilo que ele pensa e foi de tal maneira convincente que às tantas pensei estar a ouvir o meu amigo Mahmoud Ahmadinejad a desancar nos ocidentais e a apelar à guerra santa, e depois a dizer que não senhor que foi tudo um equívoco.
Regressei nessa mesma madrugada e ainda a tempo de assistir ao último discurso do meu amigo George Bush, que, não sei se conhecem, é um mestre na arte de representar. Se algum dia o George for eleito Papa, irei propôr à Imaculada Confraria dos Beatos a transformação do Vaticano em teatro de fantoches. Tanto talento desperdiçado, meu Deus!
No dia seguinte o Josep retratou-se pela TV, disse que sim senhor, o Maomé não sei quê, e não sei que mais, que era tudo a fingir, ele só queria brincar um bocadinho pois a vida de Papa não é nada fácil, e aquilo que ele diz não é aquilo que ele pensa e foi de tal maneira convincente que às tantas pensei estar a ouvir o meu amigo Mahmoud Ahmadinejad a desancar nos ocidentais e a apelar à guerra santa, e depois a dizer que não senhor que foi tudo um equívoco.
Regressei nessa mesma madrugada e ainda a tempo de assistir ao último discurso do meu amigo George Bush, que, não sei se conhecem, é um mestre na arte de representar. Se algum dia o George for eleito Papa, irei propôr à Imaculada Confraria dos Beatos a transformação do Vaticano em teatro de fantoches. Tanto talento desperdiçado, meu Deus!
terça-feira, agosto 29, 2006
BREVE MANUAL DO FILHO DA PUTA
Antes do mais, as minhas desculpas a todas as mulheres que ganham o pãozinho de cada dia a darem o corpo ao manifesto, a este e ao outro, pois só dos filhos aqui se trata, e mesmo assim apenas de alguns, muito poucos, mas que fazem merda que vários biliões de seres não conseguem. A grande diferença entre a própria e o tal filho da puta, é que aquela ganha uns trocos à custa só do seu corpinho que sofre que se farta, enquanto os tais filhos ganham multibiliões apenas à custa dos corpinhos de todos os outros, fazendo-os sofrer a amargura de terem nascido.
Bateu-me esta ao ler ontem as declarações dum fulano, por acaso portuga, e que passo a transcrever:
"O empresário Américo Amorim está a desenvolver contactos para que a russa Gazprom venha a ser um dos fornecedores de gás natural à Galp. A contrapartida para o negócio poderá ser a entrada de uma das maiores produtoras mundiais de gás natural no capital da Amorim Energia, empresa controlada pelo empresário português, que em breve será o segundo maior accionista da petrolífera nacional, admitiu ao DN Américo Amorim. "Estou a tentar que a Gazprom venha a ser uma das fornecedoras de gás natural à Galp, o que seria excelente para Portugal", afirmou. Confrontado com a possibilidade de a contrapartida para o negócio poder ser a entrada da gigante russa no capital da Amorim Energia, o empresário adiantou: ..."Tenho muitos anos de relações coma Rússia e se puder ajudar a uma aproximação entre estas duas empresas, o que pode trazer grandes benefícios para a Galp, fá-lo-ei", acrescentou.
Ora aqui está a mais simples, directa e claríssima expressão da forma como todos, mas mesmo todos sem excepção, os filhos da puta deste mundo actuam. Descaradamente, sem grandes rodeios, à vista de todos. Só variam a lingua em que o fazem e a região do mundo onde actuam.
Atente-se não no caso em si, mas apenas na forma como se desenrola a putice.
Um filho da puta encartado, legalíssimo, com ou sem estudos nas melhores universidades da tanga do bordel, apresenta-se como um benemérito, um benfeitor, apenas com o desejo infinito de ajudar uma boa causa, sempre económica mas boa. E não é apenas o altruismo da ajuda que leva o filho da puta a ficar desassossegado, mas acima de tudo a elevada consideração social que o impele à nobre tarefa de encontar o mais excelente para um país, para muitos milhões de pessoas, para uma região ou, quiçá, o mundo todo!
Português, chinês, boliviano, indiano, inglês, saudita, americano ou de outra qualquer nacionalidade, o filho da puta apresenta-se sempre da mesma forma. Sempre numa ajuda não apenas imprescindível mas de excelência para a nação, a área ou o continente. Nunca para única e sómente seu próprio proveito. Nem nada disso, que seria uma coisa baixa, de pouca relevância e sem qualquer interesse. O filho da puta é-o precisamente porque não é egoista, nem canalha, nem mafioso, nem oportunista. Isso é para a sua mãe!
Troquem-se apenas algumas palavras no texto anterior e veja-se o resultado:
"Estou a tentar que a Univexis venha a ser a principal fornecedora de armas à IsraeliSystems, o que seria excelente para todo o médio-oriente", afirmou Ernest Simple ao NewYork Today, que apresenta na sua primeira página de ontem o resultado do bombardeamento a 43 aldeias pobres do Líbano onde morreram 724 civis. " Tenho muitos anos de relações com Israel e Arábia Saudita, e se puder ajudar a uma aproximação entre estas duas empresas, o que vai trazer grandes benefícios para a economia dos EUA, pois fá-lo-ei", acrescentou.
"Podem contar com o meu esforço para que a EnergicMaker seja a única fornecedora de urânio enriquecido à CoreanBum, que é a empresa nacional da Coreia do Sul responsável pelos silos atómicos, o que seria excelente para a região", afirmou Sir Thomas Bluff ao Japan News.
"Estou a tentar que a TransgeneticCanadá seja a maior fornecedora de milho transgénico às ONG´s de África, através de acordos de milho por diamantes e madeiras raras com os meus amigos dos governos africanos", afirmou Plesan Francis, o maior accionista da SheetFood com capitais na Trasgenetic, ao diário canadiense Sunrise. Questionado sobre o recente estudo das mortes por fome no continente africano, Plesan adiantou que "será excelente para estes países meus amigos que me deixem ajudar, pois de há mais de vinte anos que tenho muito boas relações com a exploração diamantina e de madeiras."
Na Rússia, França, Espanha, Afganistão ou outro qualquer, existem os filhos da puta que, sempre e apenas por ajuda, têm a solução excelente para a região, o país ou o mundo.
E enquanto as putas ppd (própriamente ditas) se encontram nas casas de alterne e de prostituição, os filhos reunem-se em Madrid, na Wall Street, no London College, em Hong Kong ou em qualquer lado, particularmente nas salas da União Europeia, no Capitóleo em Washington ou nas anuais órgias do G8.
Como exercício de casa, sugiro que escrevam pelo menos 1.567 frases idênticas que podem ser afirmações de qualquer filho da puta. Verão que após as primeiras 52 já até acham normal, correcto e que, afinal, não custa nada ser um filho da puta, desde que tenham uns biliões à disposição num banco qulquer que pertence, invariavelmente, a um desses filhos da puta que já o são!
Bateu-me esta ao ler ontem as declarações dum fulano, por acaso portuga, e que passo a transcrever:
"O empresário Américo Amorim está a desenvolver contactos para que a russa Gazprom venha a ser um dos fornecedores de gás natural à Galp. A contrapartida para o negócio poderá ser a entrada de uma das maiores produtoras mundiais de gás natural no capital da Amorim Energia, empresa controlada pelo empresário português, que em breve será o segundo maior accionista da petrolífera nacional, admitiu ao DN Américo Amorim. "Estou a tentar que a Gazprom venha a ser uma das fornecedoras de gás natural à Galp, o que seria excelente para Portugal", afirmou. Confrontado com a possibilidade de a contrapartida para o negócio poder ser a entrada da gigante russa no capital da Amorim Energia, o empresário adiantou: ..."Tenho muitos anos de relações coma Rússia e se puder ajudar a uma aproximação entre estas duas empresas, o que pode trazer grandes benefícios para a Galp, fá-lo-ei", acrescentou.
Ora aqui está a mais simples, directa e claríssima expressão da forma como todos, mas mesmo todos sem excepção, os filhos da puta deste mundo actuam. Descaradamente, sem grandes rodeios, à vista de todos. Só variam a lingua em que o fazem e a região do mundo onde actuam.
Atente-se não no caso em si, mas apenas na forma como se desenrola a putice.
Um filho da puta encartado, legalíssimo, com ou sem estudos nas melhores universidades da tanga do bordel, apresenta-se como um benemérito, um benfeitor, apenas com o desejo infinito de ajudar uma boa causa, sempre económica mas boa. E não é apenas o altruismo da ajuda que leva o filho da puta a ficar desassossegado, mas acima de tudo a elevada consideração social que o impele à nobre tarefa de encontar o mais excelente para um país, para muitos milhões de pessoas, para uma região ou, quiçá, o mundo todo!
Português, chinês, boliviano, indiano, inglês, saudita, americano ou de outra qualquer nacionalidade, o filho da puta apresenta-se sempre da mesma forma. Sempre numa ajuda não apenas imprescindível mas de excelência para a nação, a área ou o continente. Nunca para única e sómente seu próprio proveito. Nem nada disso, que seria uma coisa baixa, de pouca relevância e sem qualquer interesse. O filho da puta é-o precisamente porque não é egoista, nem canalha, nem mafioso, nem oportunista. Isso é para a sua mãe!
Troquem-se apenas algumas palavras no texto anterior e veja-se o resultado:
"Estou a tentar que a Univexis venha a ser a principal fornecedora de armas à IsraeliSystems, o que seria excelente para todo o médio-oriente", afirmou Ernest Simple ao NewYork Today, que apresenta na sua primeira página de ontem o resultado do bombardeamento a 43 aldeias pobres do Líbano onde morreram 724 civis. " Tenho muitos anos de relações com Israel e Arábia Saudita, e se puder ajudar a uma aproximação entre estas duas empresas, o que vai trazer grandes benefícios para a economia dos EUA, pois fá-lo-ei", acrescentou.
"Podem contar com o meu esforço para que a EnergicMaker seja a única fornecedora de urânio enriquecido à CoreanBum, que é a empresa nacional da Coreia do Sul responsável pelos silos atómicos, o que seria excelente para a região", afirmou Sir Thomas Bluff ao Japan News.
"Estou a tentar que a TransgeneticCanadá seja a maior fornecedora de milho transgénico às ONG´s de África, através de acordos de milho por diamantes e madeiras raras com os meus amigos dos governos africanos", afirmou Plesan Francis, o maior accionista da SheetFood com capitais na Trasgenetic, ao diário canadiense Sunrise. Questionado sobre o recente estudo das mortes por fome no continente africano, Plesan adiantou que "será excelente para estes países meus amigos que me deixem ajudar, pois de há mais de vinte anos que tenho muito boas relações com a exploração diamantina e de madeiras."
Na Rússia, França, Espanha, Afganistão ou outro qualquer, existem os filhos da puta que, sempre e apenas por ajuda, têm a solução excelente para a região, o país ou o mundo.
E enquanto as putas ppd (própriamente ditas) se encontram nas casas de alterne e de prostituição, os filhos reunem-se em Madrid, na Wall Street, no London College, em Hong Kong ou em qualquer lado, particularmente nas salas da União Europeia, no Capitóleo em Washington ou nas anuais órgias do G8.
Como exercício de casa, sugiro que escrevam pelo menos 1.567 frases idênticas que podem ser afirmações de qualquer filho da puta. Verão que após as primeiras 52 já até acham normal, correcto e que, afinal, não custa nada ser um filho da puta, desde que tenham uns biliões à disposição num banco qulquer que pertence, invariavelmente, a um desses filhos da puta que já o são!
sexta-feira, agosto 25, 2006
ENTÃO E AS GAJAS,PÁ?!

Anda um tipo um ano inteiro a dar ao stick, a trabalhar que nem um urso para melhorar o índice de produtividade do país, a aturar os chefes e sub-chefes e mais a corja de imbecis por aí à solta, e eis que chegam as férias. Um mês à grandex (isto é o que se chama estar no simplex), na boa, sem ter que se levantar cedo para enfiar os cornos numa fila qualquer de trânsito, quase trinta dias de ripanso, perfumado com o cheirinho das sardinhas assadas. Um mês para um tipo dar largas à vida que esteve adiada desde as ultimas férias. E praia com ele, que se lixe o Israel e a mãe dele e a prima, e às ortigas com o Irão e a mãe dele e a prima, e mais os Brush e Blaires e essa canalhagem toda...praia e é para já que se faz tarde!
É pá, aquilo é que é. Alqueires delas ali, ao sol, todas envernizadas a luzir que é uma beleza! E os raios solares a aquecerem as entranhas...uuh...assim tá bem!
Mas isso é o que a gente pensa antes de partir. Quando chegamos à praia temos o verdadeiro contacto com a realidade nacional: raios a aquecerem as entranhas, só os raios que as partam! Umas são mais gordas que as mentiras do Sócrates, outras mais feias do que o Alberto Jardim, e está tudo cheio de tias..."pecébe?".." naaaão diga, fofa, a Fifi foi liftada?"..."ó tio, pode passar-me o vixi de caramelo?"....Não há pachorra!
Mas um tipo rápidamente deduz que afinal enganou-se na praia e zás, arranca para outra. Óh não!!! Eles são os putos cheios de mães balofas, são as miúdas de quinze armadas em moranguitos, são as gordas, são as outras..!
Tudo menos gajas, pá! Gajas à séria como se vê nas fotos das revistas turísticas de praias tropicais. Gagedo à lá carte como um amigo meu me contou que havia por aí..! Mas onde, pá? Mas onde raio estão as gajas, pá?!
Já decidi: no próximo ano fico a trabalhar nas férias, um mês inteirinho, fins de semana e tudo. Olá se não fico. Pelo menos tapo a boca a alguns que andam para aí a dizer que o pessoal não trabalha, e quando trabalha é como se estivesse de férias, e tal e coisa...
Que se lixe. Para o ano não vou mais na tanga de que há gajas, pá! Se as houver, pois que vão lá ao meu trabalho que eu dou-lhes os raios...
sexta-feira, agosto 11, 2006
quarta-feira, agosto 09, 2006
O que falta ainda?
Via AspirinaB.weblog.com.pt :
A ler, no «Público» de hoje, o artigo de João Teixeira Lopes, sociólogo, «Um massacre é um massacre é um massacre é um massacre». Aqui vai um excerto.
«Eu que detesto os teocratas iranianos e a sua idolatria; eu que abomino o caudilhismo de Chávez e a cleptocracia angolana; eu que em nada defendo a presunçosa e secular ditadura Síria; eu que afirmo, como a esquerda a que pertenço, que não há nenhuma sociedade modelo ou "farol da humanidade" - nem o falecido "comunismo real", nem o autoritarismo dinástico cubano, nem a horrenda monarquia norte-coreana, nem o capitalismo selvagem da China; eu que nunca defendi ou apoiei ou armei taliban e Saddam Hussein no massacre a curdos, xiitas e comunistas, como fizeram sucessivas administrações americanas e o Governo português no tempo de Cavaco primeiro-ministro com Durão Barroso à frente dos Negócios Estrangeiros; eu que denunciei, como milhões de cidadãos e cidadãs no mundo e do mundo, a guerra contra o Iraque e a intervenção no Afeganistão, e que vejo, agora, a guerra civil, o ódio disseminado, o caos flagrante, as chacinas diárias; eu que escrevo contra essa nova vanguarda de extrema-direita, a tribo neoconservadora, detentora da luz que iluminará o mundo, os novos cruzados do império americano e da ideia pura de democracia e do seu proselitismo, os acólitos da ideia de guerra de civilizações, os tementes do relativismo e da democracia avançada (a tal que, felizmente, tudo questiona, porque não há nada que não deva ser questionado, apesar do medo que isso lhes causa), os que defendem Washington como se defendessem Roma contra os bárbaros, desculpando, é claro, e omitindo, sempre que possível, os desmandos do império, como as grosseiras e constantes violações dos direitos humanos (vejam o Iraque, o Afeganistão, o Paquistão - laboratórios inteiros em que, à custa da morte de centenas de milhares, tais peregrinas ideias se desfizeram em destroços - o que querem mais para além da prova, mais que científica, mais que experimental destes cenários de horror, o que falhou, que guerras são ainda precisas, digam-nos Helena Matos, digam-nos, José Pacheco Pereira, digam-nos, José Manuel Fernandes, digam-nos, João Carlos Espada, mas digam-nos de uma vez por todas, o que falta ainda?»
A ler, no «Público» de hoje, o artigo de João Teixeira Lopes, sociólogo, «Um massacre é um massacre é um massacre é um massacre». Aqui vai um excerto.
«Eu que detesto os teocratas iranianos e a sua idolatria; eu que abomino o caudilhismo de Chávez e a cleptocracia angolana; eu que em nada defendo a presunçosa e secular ditadura Síria; eu que afirmo, como a esquerda a que pertenço, que não há nenhuma sociedade modelo ou "farol da humanidade" - nem o falecido "comunismo real", nem o autoritarismo dinástico cubano, nem a horrenda monarquia norte-coreana, nem o capitalismo selvagem da China; eu que nunca defendi ou apoiei ou armei taliban e Saddam Hussein no massacre a curdos, xiitas e comunistas, como fizeram sucessivas administrações americanas e o Governo português no tempo de Cavaco primeiro-ministro com Durão Barroso à frente dos Negócios Estrangeiros; eu que denunciei, como milhões de cidadãos e cidadãs no mundo e do mundo, a guerra contra o Iraque e a intervenção no Afeganistão, e que vejo, agora, a guerra civil, o ódio disseminado, o caos flagrante, as chacinas diárias; eu que escrevo contra essa nova vanguarda de extrema-direita, a tribo neoconservadora, detentora da luz que iluminará o mundo, os novos cruzados do império americano e da ideia pura de democracia e do seu proselitismo, os acólitos da ideia de guerra de civilizações, os tementes do relativismo e da democracia avançada (a tal que, felizmente, tudo questiona, porque não há nada que não deva ser questionado, apesar do medo que isso lhes causa), os que defendem Washington como se defendessem Roma contra os bárbaros, desculpando, é claro, e omitindo, sempre que possível, os desmandos do império, como as grosseiras e constantes violações dos direitos humanos (vejam o Iraque, o Afeganistão, o Paquistão - laboratórios inteiros em que, à custa da morte de centenas de milhares, tais peregrinas ideias se desfizeram em destroços - o que querem mais para além da prova, mais que científica, mais que experimental destes cenários de horror, o que falhou, que guerras são ainda precisas, digam-nos Helena Matos, digam-nos, José Pacheco Pereira, digam-nos, José Manuel Fernandes, digam-nos, João Carlos Espada, mas digam-nos de uma vez por todas, o que falta ainda?»
terça-feira, agosto 08, 2006
Mudam-se os séculos, mudam-se as vontades...
É preciso criar a Pátria Portuguesa do séc. XX
O Povo completo será aquele que tiver reunido no seu máximo todas as qualidades e todos os defeitos. Coragem Portugueses, só vos faltam as qualidades.
Almada Negreiros, "Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do séc. XX"
O Povo completo será aquele que tiver reunido no seu máximo todas as qualidades e todos os defeitos. Coragem Portugueses, só vos faltam as qualidades.
Almada Negreiros, "Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do séc. XX"
quinta-feira, agosto 03, 2006
Sensibilidades

O israelita apontou-me a bazuca de fabrico americano e riu-se na minha cara.
Respondi-lhe, olhe que não, não sou nem árabe, nem palestino, nem muçulmano, chiita, sunita, ou o raio que me parta, tenho, isso sim, 4 filhos lá em casa a quem tenho de dar de comer, sendo um deles adoptado, outro do qual não sou o pai, e os outros dois sofrem de alergia e febre dos fenos. O israelita pareceu hesitar em premir o gatilho, eu suspendi por um milésimo de segundo a respiração, e nesse milésimo, naturalmente, fiquei sem respirar. Do outro lado da fronteira alguns palestinianos libaneses ameaçaram bater em retirada mas os tipos do Hezbolah não deixaram. O israelita da bazuca pareceu compreender a minha posição e deixou-me ir. E eu fui, atravessei a fronteira e logo um soldado com a farda do Hezbolah apontou-me a bazuca de fabrico russo à cabeça e riu-se na minha cara. Têm sentido de humor, os nativos deste sítio.
Mostrei-lhe a fotografia dos meus filhos, adoptivo incluso, mais a da minha esposa em trajes menores, o cartão de eleitor e o de descontos no Minipreço, e jurei-lhe a pés juntos que não era nem judeu, nem inglês, nem pró-americano, era, e isso era a pura da verdade, funcionário público em Fornos de Algodres, com uma dívida ao banco pela casinha que comprara, o carrinho que era a luz dos meus olhos, a amante ucraniana que dançava na discoteca "El Andaluz", enfim, um mártir das circunstâncias. Ainda não tinha acabado e já o tipo deixava escorrer uma lágrima tímida pela bochecha, fungou, voltou as costas, atravessou a fronteira e foi entregar-se ao israelita da bazuca americana que de imediato o fuzilou com uma bazucada certeira no umbigo.
Depois, foi um chuver de bombas sobre os civis libaneses que nem tiveram tempo de bater em retirada.
Há povos muito sensíveis em algumas partes do mundo.
sexta-feira, julho 28, 2006
O Conflito Final
Anda por aí uma discussão entre a direita e a esquerda cá do burgo por causa do conflito israelo-árabe. Sem querer meter-me nesta alhada, pois não sou de esquerda nem de direita nem do centro, sou apenas adepto do meio da praia e da Meia Praia, proponho o seguinte:
- Que o poeta Graça Moura alugue um apartamento no sul do Líbano, em condomínio fechado, e com vista para o mar e para a bazuca israelita mais próxima.
- Que o director do Público vá entrevistar um dos líderes da Hezbolah com a estrela de David ao peito.
- Que aqueles que opinam sobre o direito de Israel a defender-se, que é como quem diz a reduzir a picado centenas de civis libaneses e observadores da ONU, se ofereça como voluntário ao exército israelita. E que não se esqueça do tubo de vaselina.
- E os que dizem que quem defende Israel é de direita, e que quem ataca Israel é de esquerda, vão aprender o Corão numa madrassa algures no Irão, e beijar a mão ao presidente lá do sítio, que é uma pessoa altamente recomendável.
- Também podem ir até Israel aprender a Tora, deixar crescer o cabelo aos rolinhos, pôr uma tigela na cabeça e bater com a dita no Muro das Lamentações até perder a consciência.
- Os que andam a pedir "um debate sério" sobre a situação no Médio Oriente lembrem-se que em alguns países árabes da região os palestinianos não são melhor tratados que em Israel, e que a rivalidade entre algumas organizações radicais islâmicas que defendem o fim do estado de Israel apenas interessa aos vendedores de armamento e a todos aqueles que só têm a ganhar com a agudização do conflito (EUA, China, Rússia).
- Não se esqueçam que toda aquela merda começou com o rapto de soldados israelitas pelo Hezbolah. Se quiserem provocar uma grave crise mundial experimentem raptar o vizinho de cima, esse mesmo que põe a música em altos berros, bate com as portas, e treina sapateado mesmo por cima do vosso quarto a partir da meia-noite.
- Por último, e para lembrar que existem anedotas bem mais ridiculas, os mesmos judeus que sofreram o extermínio nos campos de concentração brincam aos nazis na terra que chamam sua. E lembrem-se que o palhaço que governa o Irão não é muito diferente de um qualquer dirigente nazi.
Matem-se uns aos outros que o mundo ficará de certeza mais limpo.
Só o litro da gasosa é que não desce, pôrra!
- Que o poeta Graça Moura alugue um apartamento no sul do Líbano, em condomínio fechado, e com vista para o mar e para a bazuca israelita mais próxima.
- Que o director do Público vá entrevistar um dos líderes da Hezbolah com a estrela de David ao peito.
- Que aqueles que opinam sobre o direito de Israel a defender-se, que é como quem diz a reduzir a picado centenas de civis libaneses e observadores da ONU, se ofereça como voluntário ao exército israelita. E que não se esqueça do tubo de vaselina.
- E os que dizem que quem defende Israel é de direita, e que quem ataca Israel é de esquerda, vão aprender o Corão numa madrassa algures no Irão, e beijar a mão ao presidente lá do sítio, que é uma pessoa altamente recomendável.
- Também podem ir até Israel aprender a Tora, deixar crescer o cabelo aos rolinhos, pôr uma tigela na cabeça e bater com a dita no Muro das Lamentações até perder a consciência.
- Os que andam a pedir "um debate sério" sobre a situação no Médio Oriente lembrem-se que em alguns países árabes da região os palestinianos não são melhor tratados que em Israel, e que a rivalidade entre algumas organizações radicais islâmicas que defendem o fim do estado de Israel apenas interessa aos vendedores de armamento e a todos aqueles que só têm a ganhar com a agudização do conflito (EUA, China, Rússia).
- Não se esqueçam que toda aquela merda começou com o rapto de soldados israelitas pelo Hezbolah. Se quiserem provocar uma grave crise mundial experimentem raptar o vizinho de cima, esse mesmo que põe a música em altos berros, bate com as portas, e treina sapateado mesmo por cima do vosso quarto a partir da meia-noite.
- Por último, e para lembrar que existem anedotas bem mais ridiculas, os mesmos judeus que sofreram o extermínio nos campos de concentração brincam aos nazis na terra que chamam sua. E lembrem-se que o palhaço que governa o Irão não é muito diferente de um qualquer dirigente nazi.
Matem-se uns aos outros que o mundo ficará de certeza mais limpo.
Só o litro da gasosa é que não desce, pôrra!
quinta-feira, julho 06, 2006
I'm back... mas pouco!
Acabou o futebol. Ponto e prontos!
Os que gostam de futebol deixaram de roer as unhas e os outros deixaram de ter em quem malhar porque um dos F ... foi-se.
Eu, entretanto tenho andado entretido noutras coisas com um colega de estimação (ver ifadapiu.blogspot.com) a bater no meu ódio de estimação - o Funcionalismo Público.
Mas, como já disse (ou dissemos) e repito - é só sobre os f(p) burrocratas que nos fodem a vida com as suas pequeno-prepotências de falhados/as.
Em relação à campanha que esta ministra da educação (sim - ministra com letra muito pequena) só tenho a dizer que num país de qualidade os professores seriam dos mais bem tratados, pois são eles que preparam as gerações futuras. Péra aí - isto faz-me lembrar o gajo que caiu da cadeira - se dermos má formação aos que não têm €€€€ para pagar colégios particulares, mais fácil será enganar a manada!!!
Para apoiar os professores, não os integrando OBVIAMENTE na categoria de f(p), junto um texto duma pessoa amiga do coração (é pá desculpa não ter pedido autorização - se quiseres retiro o texto!).
Os que gostam de futebol deixaram de roer as unhas e os outros deixaram de ter em quem malhar porque um dos F ... foi-se.
Eu, entretanto tenho andado entretido noutras coisas com um colega de estimação (ver ifadapiu.blogspot.com) a bater no meu ódio de estimação - o Funcionalismo Público.
Mas, como já disse (ou dissemos) e repito - é só sobre os f(p) burrocratas que nos fodem a vida com as suas pequeno-prepotências de falhados/as.
Em relação à campanha que esta ministra da educação (sim - ministra com letra muito pequena) só tenho a dizer que num país de qualidade os professores seriam dos mais bem tratados, pois são eles que preparam as gerações futuras. Péra aí - isto faz-me lembrar o gajo que caiu da cadeira - se dermos má formação aos que não têm €€€€ para pagar colégios particulares, mais fácil será enganar a manada!!!
Para apoiar os professores, não os integrando OBVIAMENTE na categoria de f(p), junto um texto duma pessoa amiga do coração (é pá desculpa não ter pedido autorização - se quiseres retiro o texto!).
Não têm o direito de nos tratar assim
“Sinto-me insultada, humilhada. " - ouvi colegas dizerem repetidamente nos últimos tempos. E em nome dos muitos docentes que partilham esta mágoa e no meu próprio que quero expressar a minha opinião.
Costumo dizer que, de tanta pancada, me sinto dolorida.
"Eles", leia-se Ministra e o Governo que a apoia, NÃO TÊM O DIREITO DE NOS TRATAR ASSIM. Sempre me senti orgulhosa e honrada por, através da minha profissão, colaborar com as Famílias na formação dos seus filhos e meus alunos e contribuir para que eles se tomassem cidadãos responsáveis e participativos nas comunidades em que se viessem a integrar.
Agora apontam-me o dedo acusatório e fazem-me sentir culpada do falhanço cultural de um país?
Senhora Ministra, V. Exa. que é professora, quantos anos exerceu funções docentes?
Que Portugal percorreu, com malas e filhos às costas até conseguir instalar a sua vida num local definitivo e finalmente poder proporcionar alguma estabilidade à sua família? Durante quantos anos o seu local de trabalho foi em locais remotos, com buracos no chão e no tecto, com o frio a tolher-lhe os movimentos? Quantas vezes teve alunos a necessitar, muito mais do que aprender a ler, de uma refeição quente, ou de um colo onde encontrar o afecto que lhe faltava em casa? Não sei a sua resposta, mas se o seu percurso profissional não se revê no que eu acabo de descrever, então Sra. Ministra, desculpe, mas não admito que decida o que quer que seja, em meu nome e sem me ouvir.
Tenho 34 anos de serviço e apesar de me ter quase sem pre sentido desconsiderada pelos sucessivos governos do meu país, nunca desisti dos meus alunos e fui professora, enfermeira, mãe, psicóloga, assistente social e colmatei to das as situações em que as obrigações dos governos iam falhando.
Obviamente, tendo iniciado funções docentes em 1972, assisti a inúmeras tentativas falhadas dos gover nos de introduzir medidas reformadoras no ensino, sem nunca pararem para fazer uma avaliação credível e sem pre ao sabor da orientação dos Ministros que se foram sucedendo, quase sempre fingindo que ouviam os professores. E agora hábil e ma quiavelicamente a Ministra faz, num total desrespeito pelos docentes deste país, passar a mensagem de que a culpa do insucesso governativo na área da educação é dos professores.
Assisto ao ataque mais violento que desde o regime fascista foi feito à minha condi ção de Docente e de Mulher, com as medidas que a Minis tra propõe no novo ECD. Po deria exemplificar com inúmeras histórias de mulheres professoras que conheço mas vou falar do meu caso que representa uma faixa etária de quem, pensando até há pouco tempo estar em fim de carreira, se assombra e ainda não acredita no injusto e violento abanão que o país pela voz da Ministra lhe está a infligir:
- Com o meu tempo de serviço passarei a Professor Titulardestacando-me dos meus colegas que serão APENAS Professores ou ainda menos, candidatos a professores e assim poderão ficar indefinidamente porque o sistema de avaliação é tão repressivo que muito dificilmente poderá progredir mesmo que tenha um desempenho exemplar, porque as cotas fixarão o número de professores bons que uma escola pode ter;
- Sendo Coordenadora de Departamento terei de avaliar os meus colegas com todos os problemas pessoaisque daí podem surgir e serei avaliada pelos pais dos alunos com todo o tipo de pressões e conflitos que inevitavelmente ocorrerão.
- Terei de assistir à repressão prevista para se abater sobre as minhas colegas, Mulheres em idade fértil, que tiverem a péssima ideia de quererem realizar-se como Mães porque nesse ano não serão avaliadas e nos anos seguintes se precisarem de faltar mais de cinco dias, serão castigadas com a avaliação de Insuficiente, correndo o risco de serem afastadas da carreira!!!!!Inacreditável! Uma mulher que pretende penalizar outras mulheres por estes motivos não andou na Faculdade de Letras em Lisboa nos anos 70-74, a ser perseguida e a levar bastonadas da policia de choque Marcelista que nos espancava, mesmo em estado de gravidez adiantada até, nos fazer abortar.
O meu discurso parece exageradamente dramático? Não é!!! ,
O que é DRAMATICO é a maneira injusta e cruel como a opinião pública está a julgar e crucificar em praça pública os professores deste país, deixando-se influenciar pelos habilidosos discursos de quem sabe que o elo mais fraco do sistema educativo são os docentes, sendo estes portanto o alvo ideal para o povo descarregar a sua frustração e raiva pelo rumo que o país está a tomar, em viagem vertiginosa para outra ditadura.
“Sinto-me insultada, humilhada. " - ouvi colegas dizerem repetidamente nos últimos tempos. E em nome dos muitos docentes que partilham esta mágoa e no meu próprio que quero expressar a minha opinião.
Costumo dizer que, de tanta pancada, me sinto dolorida.
"Eles", leia-se Ministra e o Governo que a apoia, NÃO TÊM O DIREITO DE NOS TRATAR ASSIM. Sempre me senti orgulhosa e honrada por, através da minha profissão, colaborar com as Famílias na formação dos seus filhos e meus alunos e contribuir para que eles se tomassem cidadãos responsáveis e participativos nas comunidades em que se viessem a integrar.
Agora apontam-me o dedo acusatório e fazem-me sentir culpada do falhanço cultural de um país?
Senhora Ministra, V. Exa. que é professora, quantos anos exerceu funções docentes?
Que Portugal percorreu, com malas e filhos às costas até conseguir instalar a sua vida num local definitivo e finalmente poder proporcionar alguma estabilidade à sua família? Durante quantos anos o seu local de trabalho foi em locais remotos, com buracos no chão e no tecto, com o frio a tolher-lhe os movimentos? Quantas vezes teve alunos a necessitar, muito mais do que aprender a ler, de uma refeição quente, ou de um colo onde encontrar o afecto que lhe faltava em casa? Não sei a sua resposta, mas se o seu percurso profissional não se revê no que eu acabo de descrever, então Sra. Ministra, desculpe, mas não admito que decida o que quer que seja, em meu nome e sem me ouvir.
Tenho 34 anos de serviço e apesar de me ter quase sem pre sentido desconsiderada pelos sucessivos governos do meu país, nunca desisti dos meus alunos e fui professora, enfermeira, mãe, psicóloga, assistente social e colmatei to das as situações em que as obrigações dos governos iam falhando.
Obviamente, tendo iniciado funções docentes em 1972, assisti a inúmeras tentativas falhadas dos gover nos de introduzir medidas reformadoras no ensino, sem nunca pararem para fazer uma avaliação credível e sem pre ao sabor da orientação dos Ministros que se foram sucedendo, quase sempre fingindo que ouviam os professores. E agora hábil e ma quiavelicamente a Ministra faz, num total desrespeito pelos docentes deste país, passar a mensagem de que a culpa do insucesso governativo na área da educação é dos professores.
Assisto ao ataque mais violento que desde o regime fascista foi feito à minha condi ção de Docente e de Mulher, com as medidas que a Minis tra propõe no novo ECD. Po deria exemplificar com inúmeras histórias de mulheres professoras que conheço mas vou falar do meu caso que representa uma faixa etária de quem, pensando até há pouco tempo estar em fim de carreira, se assombra e ainda não acredita no injusto e violento abanão que o país pela voz da Ministra lhe está a infligir:
- Com o meu tempo de serviço passarei a Professor Titulardestacando-me dos meus colegas que serão APENAS Professores ou ainda menos, candidatos a professores e assim poderão ficar indefinidamente porque o sistema de avaliação é tão repressivo que muito dificilmente poderá progredir mesmo que tenha um desempenho exemplar, porque as cotas fixarão o número de professores bons que uma escola pode ter;
- Sendo Coordenadora de Departamento terei de avaliar os meus colegas com todos os problemas pessoaisque daí podem surgir e serei avaliada pelos pais dos alunos com todo o tipo de pressões e conflitos que inevitavelmente ocorrerão.
- Terei de assistir à repressão prevista para se abater sobre as minhas colegas, Mulheres em idade fértil, que tiverem a péssima ideia de quererem realizar-se como Mães porque nesse ano não serão avaliadas e nos anos seguintes se precisarem de faltar mais de cinco dias, serão castigadas com a avaliação de Insuficiente, correndo o risco de serem afastadas da carreira!!!!!Inacreditável! Uma mulher que pretende penalizar outras mulheres por estes motivos não andou na Faculdade de Letras em Lisboa nos anos 70-74, a ser perseguida e a levar bastonadas da policia de choque Marcelista que nos espancava, mesmo em estado de gravidez adiantada até, nos fazer abortar.
O meu discurso parece exageradamente dramático? Não é!!! ,
O que é DRAMATICO é a maneira injusta e cruel como a opinião pública está a julgar e crucificar em praça pública os professores deste país, deixando-se influenciar pelos habilidosos discursos de quem sabe que o elo mais fraco do sistema educativo são os docentes, sendo estes portanto o alvo ideal para o povo descarregar a sua frustração e raiva pelo rumo que o país está a tomar, em viagem vertiginosa para outra ditadura.
quarta-feira, junho 28, 2006
Viva a Selecção! - III
Pronto. Rendo-me. Deponho as armas aos pés da sacrossanta selecção de futebol, e renego tudo o que disse anteriormente sobre tão nobre instituição. Somos os maiores! Os campeões da porrada e do gel e fitinha no cabelo! Demos cabo dos holandeses e vamos dar cabo dos cabrões dos ingleses nem que seja à facada!
Bem diz o guarda-redes Ricardo que a selecção personifica a alma lusa, os feitos dos valorosos marinheiros do passado que andaram para aí a descobrir coisas e a conquistar não sei o quê. Esta selecção de valorosos portugueses mais o Deco incha de tanto espirito de conquista. E também incham os adversários quando provam a sarrafada lusa. É preciso ganhar sempre e a qualquer custo. Não interessa se somos os mais indisciplinados do Mundial, até é uma honra, aquela merda não é coisa para mariquinhas nem pés de salsa. Que o diga a selecção do euro 2002. O ET do Abel Xavier meteu meteu a mão à bola quando a gente estava a dar um baile aos franceses e o arbrito marcou penalty contra Portugal. Não se faz, não se desrespeita assim uma selecção tão valorosa. E depois a gente vingou-se no mundial da Coreia e o João Pinto qual Nuno Alvares Pereira pregou um sopapo no arbritro que este até viu estrelas durante o dia. Não ganhámos nada mas foi bem feito, não se brinca com os bravos lusitanos. Se o adversário joga melhor do que nós então lá vai rasteira, pontapé na rótula, cotovelo no focinho! Assim é que é, podem vencer em golos mas não nos vencem na porrada!
Foi este o espirito que o seleccionador, o Grande Xamã Scolari conseguiu aprefeiçoar nos jogadores lusos. O instinto já lá estava, só faltava organizá-lo, treiná-lo e pô-lo em prática de forma mais subtil e eficaz. Total e definitivamente. Ou não fosse Scolari um fiel e confesso admirador do ditador Pinochet. Com a imagem da Virgem para disfarçar, claro!
Bem diz o guarda-redes Ricardo que a selecção personifica a alma lusa, os feitos dos valorosos marinheiros do passado que andaram para aí a descobrir coisas e a conquistar não sei o quê. Esta selecção de valorosos portugueses mais o Deco incha de tanto espirito de conquista. E também incham os adversários quando provam a sarrafada lusa. É preciso ganhar sempre e a qualquer custo. Não interessa se somos os mais indisciplinados do Mundial, até é uma honra, aquela merda não é coisa para mariquinhas nem pés de salsa. Que o diga a selecção do euro 2002. O ET do Abel Xavier meteu meteu a mão à bola quando a gente estava a dar um baile aos franceses e o arbrito marcou penalty contra Portugal. Não se faz, não se desrespeita assim uma selecção tão valorosa. E depois a gente vingou-se no mundial da Coreia e o João Pinto qual Nuno Alvares Pereira pregou um sopapo no arbritro que este até viu estrelas durante o dia. Não ganhámos nada mas foi bem feito, não se brinca com os bravos lusitanos. Se o adversário joga melhor do que nós então lá vai rasteira, pontapé na rótula, cotovelo no focinho! Assim é que é, podem vencer em golos mas não nos vencem na porrada!
Foi este o espirito que o seleccionador, o Grande Xamã Scolari conseguiu aprefeiçoar nos jogadores lusos. O instinto já lá estava, só faltava organizá-lo, treiná-lo e pô-lo em prática de forma mais subtil e eficaz. Total e definitivamente. Ou não fosse Scolari um fiel e confesso admirador do ditador Pinochet. Com a imagem da Virgem para disfarçar, claro!
terça-feira, junho 20, 2006
Solidariedade
Dos jornais:
"Os trabalhadores da fábrica de Saragoça (Espanha) da General Motors (GM) decidiram tomar uma posição junto da empresa, afirmando que não querem receber a produção do modelo Combo na indústria espanhola, se isso implicar o encerramento da unidade portuguesa da Azambuja. Segundo o porta-voz da Comissão de Trabalhadores (CT) da fábrica de Azambuja da GM, esta posição foi aprovada na semana passada, ao mesmo tempo que os funcionários da fábrica espanhola decidiam realizar, hoje, uma greve de duas horas por turno, em solidariedade com os operários portugueses do grupo."
Por este exemplo se vê porque é que os nuestros hermanos já nos levam uns bons quilómetros de avanço.
Resta saber o que faríamos nós se a coisa fosse ao contrário.
"Os trabalhadores da fábrica de Saragoça (Espanha) da General Motors (GM) decidiram tomar uma posição junto da empresa, afirmando que não querem receber a produção do modelo Combo na indústria espanhola, se isso implicar o encerramento da unidade portuguesa da Azambuja. Segundo o porta-voz da Comissão de Trabalhadores (CT) da fábrica de Azambuja da GM, esta posição foi aprovada na semana passada, ao mesmo tempo que os funcionários da fábrica espanhola decidiam realizar, hoje, uma greve de duas horas por turno, em solidariedade com os operários portugueses do grupo."
Por este exemplo se vê porque é que os nuestros hermanos já nos levam uns bons quilómetros de avanço.
Resta saber o que faríamos nós se a coisa fosse ao contrário.
segunda-feira, junho 19, 2006
Frase do dia
Antes um bom socialista de direita que um mau social-democrata de esquerda.
Luís Delgado, jornalista (DN, 2006-06-19).
Se alguém conseguir decifrar a ambiguidade que se esconde nesta simples frase, então que se acuse.
Socialistas de direita só conheço os nacionais-socialistas; sociais-democratas de esquerda só devem existir na cabeça deste senhor; quanto ao conceito de bom e mau já a minha avózinha dizia para me afastar das más companhias e juntar-me às boas. Sempre me esforçei para seguir estes conselhos, embora confunda sempre as boas com as más. Mas em relação ao bom e mau jornalismo não tenho quaisquer dúvidas.
Luís Delgado, jornalista (DN, 2006-06-19).
Se alguém conseguir decifrar a ambiguidade que se esconde nesta simples frase, então que se acuse.
Socialistas de direita só conheço os nacionais-socialistas; sociais-democratas de esquerda só devem existir na cabeça deste senhor; quanto ao conceito de bom e mau já a minha avózinha dizia para me afastar das más companhias e juntar-me às boas. Sempre me esforçei para seguir estes conselhos, embora confunda sempre as boas com as más. Mas em relação ao bom e mau jornalismo não tenho quaisquer dúvidas.
segunda-feira, junho 12, 2006
Viva a Selecção !
Viva a selecção de bestas que embarcam nesta palhaçada dos futebóis, pois se não fosse tal selecção selecionada de pessoal o que seria de tantos craques e traques que vivem à conta desta brejeirice que, ao longo dos tempos e de acordo com as leis supremas da globalização, transformou um desporto que até poderia ter continuado apenas como desporto, num festival de alarvice e má educação. Mas é mesmo por isso, por englobar o de mais sujo e porco que uma sociedade mal formada e deseducada tem, que o tal futebol profissional cativa os que sonham ser na vida real uns profissionais do pontapé, que não podendo ser na bola, pois isso é só para alguns priviligiados, passa a ser no vizinho do lado, no colega de trabalho, na família ou até, em casos extremos, neles próprios.
De facto, o futebol é para a corja de adeptos incondicionais uma instituição educacional, tipo universidade da falcatrua, pois o basear-se na finta como forma de enganar o próximo, e a fita de fingir-se muito magoado para obter dividendos do árbrito ou o treino em fazer faltas sem que ele as tope, são ensinamentos fundamentais para descansar o moral atormentado dos pontapés nos outros, no jogo do dia a dia da vida.
Viva a selecção destas bestas, em que a bandeira no pópó, à janela, na t-shirt, à volta do pescoço ou a fazer de cueca ou fralda, mais não é do que a afirmação exterior da desgraça de país em que vivemos, onde o importante da vida é trocado pelo fácil do pontapé.
Viva a selecção deste pessoal que assim mantém a que foi sempre a sua imagem de marca ao mundo, mostrando-se em bandeiras nacionais que são e querem ser: orgulhosamente pequeninos, pobres e sem respeito próprio.
Ainda tenho esperança de ver o fado e fátima ressuscitados, para que então possamos dizer desta selecção: Futebol, Fado, Fátima, Foda-se!!
De facto, o futebol é para a corja de adeptos incondicionais uma instituição educacional, tipo universidade da falcatrua, pois o basear-se na finta como forma de enganar o próximo, e a fita de fingir-se muito magoado para obter dividendos do árbrito ou o treino em fazer faltas sem que ele as tope, são ensinamentos fundamentais para descansar o moral atormentado dos pontapés nos outros, no jogo do dia a dia da vida.
Viva a selecção destas bestas, em que a bandeira no pópó, à janela, na t-shirt, à volta do pescoço ou a fazer de cueca ou fralda, mais não é do que a afirmação exterior da desgraça de país em que vivemos, onde o importante da vida é trocado pelo fácil do pontapé.
Viva a selecção deste pessoal que assim mantém a que foi sempre a sua imagem de marca ao mundo, mostrando-se em bandeiras nacionais que são e querem ser: orgulhosamente pequeninos, pobres e sem respeito próprio.
Ainda tenho esperança de ver o fado e fátima ressuscitados, para que então possamos dizer desta selecção: Futebol, Fado, Fátima, Foda-se!!
sexta-feira, junho 09, 2006
Viva a Selecção!
A gritaria à volta do Mundial da Alemanha teve o condão de me despertar desta suave letargia. Por pouco tempo, espero. Esta inundação de propaganda a puxar ao nacionalismo pimba está-me a dar cabo dos nervos, o cabelo começou-me a cair, sofro de distúrbios intestinais, urticária e fibromialgias sempre que a propanganda à volta da puta da selecção me empranha os ouvidos.
Quando vejo algum lobotomizado de bandeirinha na antena do pópó, ou pendurada na janela do apartamento, sou invadido por suores frios e enjoos matinais, quando o Scolari bota o discurso de merda que engendrou para este bananal até fico com vontade de ouvir o DVD do papa João Paulo II, mais os extras e making-offs. Qualquer imagem do Madaíl que me apareça à frente provoca-me conjuntivites e febre dos fenos. As tácticas, os comentários, as coscuvilhices à volta da selecção são pior que H5N1, HIV e malária todos contraídos ao mesmo tempo. Os jogadores estão na mesma linha dos apoiantes de bandeirinha à janela: uma cambada de atrasados, lobotomizados e retardados. A única diferença é que os jogadores ainda ganham alguma coisa com esta merda, ainda papam umas gajas das passerelles que os ajudam a estoirar o dinheiro em carros de desporto, vivendas no Algarve, tatuagens e penteados exóticos. E eu para aqui a tentar passar despercebido no meio de tudo isto, a tentar fugir a esta praga de insectos acéfalos, a fazer um esforço enorme para não comprar uma bandeirinha e enfiá-la no suporte do papel higiénico, ...fónix, pá!, apesar daquele trapo não servir para outra coisa há que ter algum respeitinho pelos valores da pátria, eu cá dou muito valor a essas coisas, pá, juro que lavarei sempre a bandeira depois de a usar até ela ficar desbotada com tanta esfrega, até o vermelho ficar cor-de-rosa pêésse, e o verde perder a esperança toda...
Não quero ser desmancha prazeres nem mais papista que o Bento, eu sei que vou engolir o Mundial como um contentor de sapos vivos, vou vibrar com os falhanços do Pauleta, os frangos do Ricardo e as cotoveladas do Cristiano Ronaldo. Melhor, vou rir que nem um perdido, vou rebolar-me de riso até estoirar!
Vou pôr a bandeira de Angola à janela, a do Irão na varanda e a do México na antena do carro!
Quero que a selecção, o Scolari, o Madaíl, e mais toda a corja que se alimenta deste aviário, mais os carneiros dos amantes da bandeirinha e dos cromos da bola se fodam!
Domingo vou torcer pelo Mantorras!
Quando vejo algum lobotomizado de bandeirinha na antena do pópó, ou pendurada na janela do apartamento, sou invadido por suores frios e enjoos matinais, quando o Scolari bota o discurso de merda que engendrou para este bananal até fico com vontade de ouvir o DVD do papa João Paulo II, mais os extras e making-offs. Qualquer imagem do Madaíl que me apareça à frente provoca-me conjuntivites e febre dos fenos. As tácticas, os comentários, as coscuvilhices à volta da selecção são pior que H5N1, HIV e malária todos contraídos ao mesmo tempo. Os jogadores estão na mesma linha dos apoiantes de bandeirinha à janela: uma cambada de atrasados, lobotomizados e retardados. A única diferença é que os jogadores ainda ganham alguma coisa com esta merda, ainda papam umas gajas das passerelles que os ajudam a estoirar o dinheiro em carros de desporto, vivendas no Algarve, tatuagens e penteados exóticos. E eu para aqui a tentar passar despercebido no meio de tudo isto, a tentar fugir a esta praga de insectos acéfalos, a fazer um esforço enorme para não comprar uma bandeirinha e enfiá-la no suporte do papel higiénico, ...fónix, pá!, apesar daquele trapo não servir para outra coisa há que ter algum respeitinho pelos valores da pátria, eu cá dou muito valor a essas coisas, pá, juro que lavarei sempre a bandeira depois de a usar até ela ficar desbotada com tanta esfrega, até o vermelho ficar cor-de-rosa pêésse, e o verde perder a esperança toda...
Não quero ser desmancha prazeres nem mais papista que o Bento, eu sei que vou engolir o Mundial como um contentor de sapos vivos, vou vibrar com os falhanços do Pauleta, os frangos do Ricardo e as cotoveladas do Cristiano Ronaldo. Melhor, vou rir que nem um perdido, vou rebolar-me de riso até estoirar!
Vou pôr a bandeira de Angola à janela, a do Irão na varanda e a do México na antena do carro!
Quero que a selecção, o Scolari, o Madaíl, e mais toda a corja que se alimenta deste aviário, mais os carneiros dos amantes da bandeirinha e dos cromos da bola se fodam!
Domingo vou torcer pelo Mantorras!
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