terça-feira, junho 29, 2004

Recapitulemos:

O primeiro convidado para o lugar do Prodi foi o 1º ministro do Luxemburgo. Este não aceitou o cargo porque tem um compromisso eleitoral para com os seus eleitores. Sabendo que neste pequeno país a maioria da mão de obra é portuguesa, este senhor preferiu a honra ao penacho.
E em Portugal, qual será a nacionalidade dos portugueses para o sr. Durão Barroso? Conclui-se que este homem não tem compromisso de honra, não respeita os parvos que o elegeram (isso é lá com eles), e face ao estado em que está o país prefere dar de frosques.
Não o critico por isso. A direita sabe criar os seus fantoches a partir de mentes fracas.
Que vá para Bruxelas e que lá fique muito tempo. De preferência eternamente.

segunda-feira, junho 28, 2004

Durão na Europa

O que vai ele lá fazer? Evidente: servir de capa aos interesses franco-germânicos e dar uma de estar a defender os interesses dos países mais pobres da UE. Como boneco articulado não podiam ter escolhido melhor.

Guterres deixou o país num pântano e foi acusado de fugir às responsabilidades. E Durão como deixou o país? Até lhe estão a facilitar a fuga?

Santana Lopes é apontado como sucessor. Com o invejável curriculum que este apresenta é caso para dizer que vamos ter um casino em cima do pântano com um túnel por baixo?

O próximo governo do Santana:

1º ministro: Santana Lopes
ministra da presidência: Cinha Jardim
ministra da Educação: Paula Bobone
ministra das Finanças: a Nocas do Elefante Branco
ministra da Saúde: Lili Caneças
ministra dos Negócios Estrangeiros: Paulo Portas
etc..

Depois de um governo com um arrebenta vamos ter outro com um penetra?

sexta-feira, junho 25, 2004

Ainda o Euro

Apesar das criticas ao Euro por todas as razões que a gente conhece, não é possível ficar mais tempo indiferente a esta onda que varre o país de norte a sul a que alguns oportunistas insistem em chamar de patriotismo. Face ao que este (des)governo tem vindo a fazer a milhões de portugueses, é justo que a tristeza dê lugar à alegria, pois entendo que todos nós a merecemos mesmo que ela surja através do futebol, espectáculo que tanto tem de aliciante como de alienante. E prefiro muito mais este povo que vibra, sofre e grita, dando livre curso à sua alegria do que o povo triste e subserviente que enche o santuário de Fátima todos os anos, autoflagelando-se e dando de si a mais deplorável das imagens de povo atrasado e analfabeto.
Sem entrar na questão de que os seleccionados do Scolari estão lá para nos dar alegrias, pois é para isso que nós lhe pagamos, a eles jogadores e a ele seleccionador, quero registar aqui o oportunismo pacóvio do Primeiro Ministro que, no final do jogo emocionante contra a Inglaterra, vem arrotar postas de pescada em frente às câmaras da TV como se fosse um avançado-centro da selecção, como se fosse ele a marcar os golos e a trazer a vitória a todos os portugueses. De gravata às riscas verdes e vermelhas o primeiro botou faladura dizendo que enquanto durar o Euro não mudará de gravata.
Pois por mim pode ficar eternamente com ela e com o nó bem apertado.
Espero que a justa euforia que neste momento nos invade se transforme em onda de indignação contra estes individuos que povoam os ministérios de oportunismo e incompetência, e que levem Portugal a encontrar um bom caminho para outras vitórias em outros Euros. Mas isso é pedir muito, com certeza.
Resta-nos este Euro, que certamente nos vai sair caro mesmo que a taça fique por cá.

sexta-feira, junho 18, 2004

Mas eu sou patriota, e com muito orgulho!

Por isso comprei, não um, mas quatro (4) Expressos só para ganhar as bandeirinhas e pendurá-las nas quatro janelas do pópó, e ficam muito bem esvoaçando ao vento, a uma velocidade que me permite gastar os 1.0823457709 ? por litro de gasolina! E comprei uma bandeira grande, daquelas com pagodes em vez de castelos, para mostrar ao mundo que os portugas também andaram pela China a comer com pauzinhos e a aprender Kung-Fu! Porque isto de Euro2004 só acontece como os cometas: uma vez em cada século se o comboio não se atrasar! E pendurei a bandeira na varanda lá de casa, e comprei um vestido à Maria com as cores da bandeira nacional, e vesti os putos com camisa vermelha e calção verde com cinto amarelo, e pintei-lhes o focinho e o cabelo com as cores da bandeira, e também pintei o meu pénis pois nada melhor que estender a portugalidade aos grandes símbolos que fizeram de Portugal um país grande! E é por isso que sou patriota com muito orgulho, para mostrar ao mundo como se ganham umas eleições a feijões com 64% de votantes na Costa da Caparica e em Albufeira e um governo que andou a fazer tudo para as perder agora e ganhar depois! Assim como perder com a Grécia e ganhar à Rússia, estão a ver a táctica? E a nossa boa cerveja, que os ingleses como povo inteligente e bem educado tem sabido apreciar nestes dia do Euro, não é um motivo de orgulho de todos nós?
E a organização? Meu Deus, a organização é uma coisa por demais! E a segurança? Um mimo e um teste para futuros eventos a seguir ao Euro, tais como manifestações, multidões, emigrantes, bairros sociais, centros comerciais, empresas públicas e privadas, etc.. Uma Pátria cheia de seguranças de cabeça rapada e óculos escuros como os guarda-costas do ministro Paulo Portas!
É só isto que interessa, mobilizar o pessoal em torno da bandeira nacional, clamar pelos feitos dos portugueses desde Afonso Henriques passando por Aljubarrota até Alcácer-Quibir (exclusivé), para que a nossa selecção vá o mais longe possível neste campeonato continuando a dar-nos a alegria e o esquecimento! E mesmo que a selecção fique algures pelo caminho as bandeirinhas e o fervor patriótico devem continuar, pois povo que não se orgulhe de o ser nunca chegará aos oitavos de final no ranking das grandes nações!
Vamos, pois, esmagar uma vez mais os espanhóis, esse povo ignóbil e dividido, que só sabe protestar e pôr bombas e que apesar de viver melhor do que nós não nos chega aos calcanhares em fervor patriótico!
Viva Portugal!

Espero que Portugal perca

É verdade. Sou um mau português, um traidor à Pátria, um mau nacionalista, etc.
Mas se, para não ser isto é preciso acreditar que têm razão:

»»o ministro da saúde, quando ignora (ou pior - diz que estão errados) os relatórios que a inspecção respectiva produz dizendo mal das acções do respectivo ministro (essencialmente diz que é mais "show off" do que acções concretas.
»»o presidente da CML, quando demite os gestores da EPUL por má gestão, quando precisamente agora é que as finanças da empresa estão endireitadas e o que ele queria era sacar $$$ sem justificação para desbaratar a torto e a direita com arquitectos internacionais (Paul Gerry) sem apresentar justificativos nenhuns - e é este gajo que se vai candidatar a presidente.
»»o ministro da defesa, quando diz que a alta abstenção descredibiliza a opinião do Zé Povinho, pelo que, assume-se, então ele e os seus crâneos fascistóides podem governar sem dar cavaco a ninguém (também quem é que poderia querer este gajo).

ENTÃO SOU DECIDIDAMENTE UM MAU PORTUGUÊS.

Já repararam que são precisamente os ministros da extrema direita que (mal ou bem - para mim é mal obviamente) mais têm executado "coisas" enquanto que os outros encanam a perna à rã.

Portanto, espero que no Portugal-Espanha levemos uma abada para o nosso "espírito" ficar ainda mais em baixo. Precisamos de tratamento de choque, de destruir mitos, "bem estares" fictícios, acomodamentos falsos vendidos pela direita.

Não se esqueçam de Salazar - o povo não precisa de ser educado nem compreeender os altos desígnios da Nação e de quem a dirige.

Com a liberdade vem a responsabilidade e talvez seja devido a isso que o português não está para ter chatices e deixa essas coisas da liberdade para os senhores doutores(e engenheiros) - eles é que sabem!!!

Só existe liberdade quando existe VONTADE de a exercer e meios para a exercer.

Um dos poucos meios que ainda temos (independentemente de nos inscrevermos no partido e continuar a deixar que pensem por nós) é escrever e actualmente a Internet permite-nos isso (por enquanto).

Por isso ESCREVAM, OPINEM, EXERÇAM A LIBERDADE escrevendo nos Blogs, comentando notícias, etc.

segunda-feira, junho 07, 2004

A BOMBOLÂNDIA

Eles aí estão, como sempre têm estado!
Soberbos, altivos, senhores do seu nariz, homens e mulheres de estado. Oportunistas da democracia, democráticamente democratas de trazer por casa, gentinha que subiu na vida à custa de papas nestlé e flocos kellogs, logo com o germen do capital internacional no seu sangue, eles aí estão.
Agora está na época de venderem a europa da ex-cee, actual UE, aos papalvos que os elegem e neles votam e os alimentam.
E aos outros, que nem sequer sabem ir anular o voto ou entregar o papelinho em branco, o que já denotaria uma atitude acançada de inteligência activa.
Agora está na época de venderem o euro 2004 ao Zé papalvo, o mesmo que neles vota e os perpetua, democráticamente falando, claro.
E aí estão, os papalvos, aos milhares de milhar, num frenesim intelectual de fazer inveja ao tino de rãs.
Não há duvida: em terra de bimbos, quem fôr mais bimbo é rei!
E se os ingleses são de Inglaterra, os franceses da França, os suiços da Suiça, os austriacos da Áustria, porque é que os bimbos não são da Bimbolândia?
Viva a Bimbolândia! Até à desgraça final...sempre!

terça-feira, maio 25, 2004

Já chegámos à Madeira!

Nesta era de modelos e estéreotipos, em que tudo é formatável e normalizado, em que os anuncios publicitários mostram aqueles meninos e meninas com todos os milímetros no sítio certo, o cabelo mal penteado todo da mesma maneira, o mesmo sorriso branco com os dentinhos todos certos, em que a adolescência se entrega a esta virtual linha de montagem de Adónis e Vénus sem imperfeições, se sacrifica a esta lei enchendo a boca de aparelhos metálicos de correcção, entrando em regimes de dieta agressiva até à anorexia, frequentando ginásios até à exaustão, copiando os tiques e as frases feitas dos seus ídolos que se deixam fotografar em poses pseudo-erótico-práfrentex para as revistas cor-de-rosa, decidi, por minha conta e risco, adoptar também um ídolo. E o meu ídolo, depois de muita escolha e ponderação, é nem mais nem menos que o Alberto, esse mesmo, o Jardim da Madeira.
E porque não o Tom Cruise? Ou o Brad Pitt? Ou o Nuno da Câmara Pereira? Ou o Nobre Guedes? Porquê o Alberto João?
Eu explico:
Por detrás daquele semblante de frequentador de tascas manhosas, bordéis de beira da estrada e congressos do PSD, esconde-se um modelo que é a soma de muitos modelos, ou seja, o barro com que Deus moldou Adão. Reparem, por exemplo, naquela papada normalmente chamada de duplo queixo: Nero deve ter tido uma assim, a Brancafiore dos livros do Tintin tem uma papada igual, Mussolini exibia com orgulho a sua. O seu semblante, entre o depravado e o rasca, lembra Carlota Joaquina com os genes de Henrique VIII, o seu discurso eloquente tem laivos de Hitler, de novo Mussolini, Papa Doc, Le Pen e Pinto da Costa. Repare-se na forma de estar: entre o palhaço, o bobo da corte, a padeira de Aljubarrota, e o Bibi, tudo junto. O homem é um modelo a seguir, que o digam os seus admiradores como Durão Barroso que por muito que tentem chegar-lhe aos calcanhares não passam da sola dos sapatos. Imaginem o Alberto João numa passerelle com a roupa interior desenhada por Augustus ou Ana Salazar, na televisão a publicitar uma nova marca de dentífrico ou de água de colónia passeando a prancha de surf pela praia do Guincho, imaginem isso e muito mais. O homem é o arquétipo de todos os modelos, o limbo da perfeição, o catavento da insularidade.
José Saramago, se soubesse escrever tão bem como Jardim fala, escreveria de novo a Jangada de Pedra, ou seja a Jangada de Pedra II, com a ilha da Madeira a aproximar-se do continente e a ficar por cá eternamente colada, entre a Ponta de Sagres e a barra de Sines, com Jardim a presidir em todas as câmaras municipais, áreas protegidas cheias de ananazes resplandecentes e bananeiras anãs, e o dinheiro dos contribuintes continentais a chegar mais depressa à Madeira, sem custos para o utilizador, com a travessia oceânica eliminada.
Por isso já comecei a fazer um regime para engordar, a levar massagens no pescoço para aumentar a papada, a tomar hormonas para fazer cair o cabelo, a frequentar lições de dicção para agarrar o sotaque característico do grande estadista. Quero ser como o Jardim. Quero gozar com esta merda toda como me apetecer e gastar o dinheirinho dos portugueses de qualquer maneira e pedir mais, cada vez mais, e continuar a chamar-lhes cubanos e colonialistas.
Mas na minha opinião Jardim devia ir mais longe, ser mais exigente. Devia exigir uma ilha só para ele, e mais ninguém. Jardim e a sua ilha seriam o cúmulo do cúmulo da perfeição. E até poderia mudar o nome para Robinson Crusoe Jardim?para sempre.

Brusho o super amerdicano

Embora não concorde com a premissa base de "guerra ao terrorismo" da maneira como está a ser efectuada, o texto em http://www.theregister.co.uk/2004/05/24/us_security_fiasco/
merece ser lido.

sexta-feira, maio 21, 2004

Auto-estima, sempre!

Agora é que fiquei mesmo confuso. Bem, não é só de agora que estou um pouco confuso, só que agora fiquei ainda mais confuso ao ler o texto ?Auto-estima?!
Estou perfeitamente de acordo, e comungo precisamente do mesmo pensar que o autor deste texto, que se dá pelo nome de Ukabodesinais, apresenta duma forma clara e objectiva, a que já nos habituou.
Não tenho qualqur dúvida quanto ao Miguel Sousa Tavares e sou mesmo um dos seus sequiosos leitores, pela frontalidade e temas escolhidos, pela coragem que demonstra em quase todos os seus escritos, sendo mesmo um dos poucos atiradores de pedras para o charco de merda deste país, possivelmente até o único que tem aceitação pública para o fazer e como tal ainda consegue ver publicado o que escreve.
Deste país, não. Do charco deste país cheio de portugas de merda.
Nunca imaginou o Afonso Henriques que, com o seu altruísmo e determinação, era o iniciador de uma coisa destas ao obrigar um grupo de ibéricos a deixarem de pertencer ao reino de Castela, fundando uma coisa assumida como independente, a que mais tarde vieram a chamar um país, com nome, bandeira, hino e bilhetes de identidade próprios para os seus nativos.
Sobre isto, não tenho qualquer confusão na cabeça.
Agora ao falar de ?auto-estima?, sinceramente, não entendo patavina do que tão ilustre Ukabodesinais quer dizer.
Eu sou totalmente a favôr da ?auto-estima?, mesmo com os gênêrrês cada vez mais a chatearem-nos, mesmo com os diversos governos passados e futuros deste charco a servirem-se da ?auto-estima? para obterem os fundos necessários à compra de submarinos, para financiar as acções de ?paz? em terras do Iraque, para se auto-aumentarem, para construirem os estádios euro2004, para distribuirem os fundos necessários aos ?boys? y ?bôyas? que os aplaudem e lhes mantêm a chama viva, para desenvolver as políticas de dar o milho aos pombinhos cultivado pelos portugas de merda em regime de ditadura democrática, para mandarem para as couves quaisquer iniciativas de humanismo ou de bem estar global, para poderem garantir que o futuro já nem adeus pertence.
Sinceramente, não entendo como alguém de bom senso pode pôr em causa a tal ?auto-estima? que, afinal, ainda é das raras coisinhas que os portugas de merda ainda conseguem manter com elevado gabarito e fruto de muitos e sacrificados esforços.
Por isso estou mais confuso quando me pareceu, ao ler este texto, que me querem criar dúvidas onde elas não existiam.
Será que agora, também fruto da globalização económica e destes tempos modernos, em que finalmente temos pela primeira vez na história da humanidade um império absoluto mundial democrático e que pauta todas as suas acções apenas para criar um mundo mais civilizado e em paz, será que agora até o que para mim era ponto assente como ?auto-estima?, me querem fazer crer que é outra coisa, que nada tem a ver com o que sempre me ensinaram?
Óh meus amigos, sendo que pertencem a este charco de país e que fazem parte destes portugas de merda, pelo menos sejam mais atentos às palavras que usam, e façam até um esforço para se cultivarem um pouco mais, pois usar termos desajustados à lingua portuguesa só contribui para dar confusão. Veja-se o que era dizer ?vaca? sempre que se quer dizer Manuela F. Leite, ou ?putanheiro? quando queremos dizer D. Barroso, ou ?sexualmente alternativo? quando nos referimos a Paulo P., ou ?casa de meretrizes? se nos quisermos referir à sede do PSD, ou ?prostitutas atávicas? se queremos nomear as mães de Bragança, ou ?chulos? se queremos referirmo-nos aos dirigentes do futebol, ou ?capo mafioso? se falamos do Pina Moura, ou "papa peidas" se a conversa incluir o ministro da segurança social......
E isto apenas para pôr os pontos nos iis, que eu não quero mais confusões: ?auto-estima? é, em bom português quer queiram quer não, apenas a expressão que significa ter-se estima pelo automóvel, pelo pópó, pelo carrinho, pelo objecto mais importante que hoje em dia ainda dá alguma felicidade, daí a junção abreviada em ?auto-estima?!
E quanto ao Público de hoje, não percam a única coisa que deve ser lida de ponta a pavio, para além do artigo do M.S.T.: o ?Inimigo Público?, sempre publicado às sextas!
Pois cá para mim, ?auto-estima? sempre!

A Auto-Estima

Gosto de ler os artigos de Miguel Sousa Tavares no Público, mesmo que por vezes, não concorde com tudo o que lá vai escrito. É dos poucos comentadores que não anda a soldo de poderes nem é lambe-botas. Mas não posso deixar de sentir, de cada vez que o leio, um mal estar pela verdade e frontalidade com que escreve. O artigo de hoje (21/05) é um somatório de desilusões e fracassos, violência, corrupção e esperanças perdidas, cá dentro e lá fora. Se já andamos a bater mal devido ao garrote diário deste governo, pior ficamos depois de ler o Miguel. Apesar de conhecermos a verdade dos seus escritos, e a justeza da sua opinião.
Vem isto a propósito da tão badalada auto-estima dos portugueses. O tema, de tão corriqueiro nos dias de hoje já tem direito a conferência. E não posso deixar de sentir algum gozo e alívio ao ler a notícia de abertura deste congresso em que o principal orador foi Vasco Pulido Valente. Mesmo sem simpatizar com os seus escritos, não resisto a citar a intervenção do dito comentarista. Na sua opinião os portugueses não têm falta de auto-estima, têm é auto-estima a mais! E explica: ao longo da nossa história, os fracassos e a culpa foram sempre dos outros, por exemplo, dos jesuítas, dos judeus, dos absolutistas, dos monárquicos, dos fascistas, dos comunistas, e por aí fora. Ou seja, os portugueses têm tanta auto-estima que não admitem o seu próprio fracasso. E mais: as políticas para melhoria da nossa condição são sempre importadas de experiências no estrangeiro, para que se alguma coisa falhar a culpa não recaia em cima de nós. E conclui Vasco Pulido Valente: para encontrarmos o caminho do progresso temos de perder a nossa auto-estima, pois só se aprende com os nossos próprios erros.
Citando a notícia, parece que esta opinião fez agitar a plateia que reagiu com contra argumentos primários típicos da ?inteligentzia? dominante actual (vide Público de 21/05, pág. 11), e que no final perguntou de que modo V.P. Valente resolveria o actual estado depressivo dos portugueses.
Resposta deliciosa: com um novo ciclo de prosperidade, pois se houver mais dinheiro as pessoas sentem-se logo melhor, a depressão passará, e conferências deste tipo deixarão de ter razão de ser.
Para terminar, esclareço que não sou accionista do Público, nem amigo do Miguel Sousa Tavares, mas se não concordarem com o que atrás foi escrito garanto-vos que a culpa não é minha, é deles.

quarta-feira, maio 12, 2004

Kill Bill, vol. 2

Viram o vol. 1? Não? De que estão à espera?
Não percam este vol. 2. O sr. Tarantino (lunático, sádico, genial) surpreende-nos com esta dupla dose de Kill Bill. Pode não ser o seu melhor filme, mas é sobretudo o mais cinéfilo e divertido, apesar da violência que desponta entre as longas cenas de diálogo. Por aqui passam citações de filmes de kung-fu e western-spaghetti, e não seria surpresa nenhuma ver surgir em qualquer cena o fantasma de Bruce Lee, Charles Bronson a tocar harmónica, ou Clint Eastwood a fumar o seu charuto enquanto despacha meia dúzia de pistoleiros. Relembro cenas de antologia: o encontro com Bill na cena do casamento, o incrível diálogo da protagonista com a assassina sobre o teste de gravidez, a fabulosa cena do caixão, com o écran todo o negro e o som a espalhar o horror da situação pelo espectador. A banda sonora é magnífica, e também por ela vale a pena ver este filme. Mas, e sobretudo, é um crime não ver Uma Thurman naquele que deve ser o papel da sua vida. A actriz domina todo o filme e todas as cenas, e a qualidade dos secundários mais não faz que realçar a sua presença. Deixem-se de merdas, esqueçam preconceitos e cinefilias de trazer por casa e vão já ver este filme inesquecível.

segunda-feira, maio 10, 2004

A DIALÉCTICA DA INCOMPETÊNCIA E A LIBERALIZAÇÃO DA MENTIRA

Os supostos culpados de pedofilia estão todos cá fora menos um.
Esse um é o único acusado que não tem uma conta bancária choruda, nem advogados de nomeada, nem amigos poderosos.
Pergunta-se:

Estarão os outros inocentes? Se estão, alguém mentiu ao acusá-los, ou a investigação se enganou e foi incompetente, ou o Ministério Público não foi suficientemente arguto a elaborar a acusação.

Outra: no verão do ano passado morreram em Portugal mais de 1500 pessoas por excesso de calor.
Na altura, o Ministro da Saúde apenas identificou meia dúzia de vitimas. Agora, quase um ano passado o ministério divulga uma extensa lista de mortes causadas pelo calor excessivo.

Das duas uma: ou o ministro foi incompetente e não investigou na devida altura as causas das mortes, ou mentiu descaradamente.

O Governo foi interpelado pelo deputado do BE sobre alegados financiamentos da CGD a um grupo económico americano ligado à família Bush para aquisição de uma parte da GALP. Ou seja, sendo a CGD a instituição bancária onde a maioria dos portugueses deposita as suas economias é justo que essa entidade se sirva do nosso dinheiro para financiar uma empresa estrangeira para a compra de uma empresa nacional? Mais: o representante português dessa empresa em Portugal chama-se Ângelo Correia, e faz parte do PSD.
Alguns jornais, entre eles o insuspeito Expresso, trazem algumas luzes sobre o tal negócio e as ligações da empresa Carlysle às empresas de Bin Laden. Quando o 1º ministro Durão Barroso se confrontou com as perguntas de Francisco Louçã pouco faltou para lhe chamar mentiroso e caluniador.
Mas entretanto a CGD confirma o financiamento, só possível com o aval do Estado, e Ângelo Correia diz que não.
Como é? Quem mente neste negócio? O 1º ministro? Ângelo Correia? O Presidente da CGD? Francisco Louçã? Será Ângelo Correia assim tão incompetente que não saiba o que se passa na empresa de que é representante? E o 1º ministro, desconhece os negócios em que se envolve o grande banco do estado?

Conclusão:
Se alguém foi incompetente e encobriu os seus erros, então está a mentir.
Se alguém mentiu no meio de toda esta trapalhada, então foi manifestamente incompetente a encobrir a verdade, pois as suspeitas de que algo não está bem vieram ao de cima.

Resumindo: o único que não mente é o ministro Bagão Félix que, segundo o Expresso, teve que recorrer a um centro de Saúde no Alentejo para lhe ser extraído um espinho de cacto duma mão, acidente grave contraído durante o fim de semana na sua herdade alentejana, quando practicava jardinagem. Acredito que o ai que o ministro soltou aquando da picada foi realmente sincero.
Tadinho!

segunda-feira, abril 19, 2004

Bocas

1) Durão critica a Espanha por por abandonar o Iraque. Com tantos bicos de pés será que é desta que o Bush o contrata para dançar o Lago dos Cisnes?
2) Será que esta critica foi a mando do amigo Aznar? Ou do amigo Bush? Ou do amigo Tony Blair?
Ou Durão pensou só com a sua cabeça? Tem a cabeça dura o Durão…
3) O cabeça de lista do PSD às eleições europeias é Deus Pinheiro. Consta que o homenzinho deixou uma partida de golfe a meio quando era comissário europeu. Uma boa oportunidade para reatar o joguinho.
4) Eureka! A RTP já dá lucro! É claro que nestas contas não entra a rescisão de contrato de cerca de 2000 trabalhadores e respectivas indemnizações. Como é fácil ser gestor neste país!
5) Bagão Félix aconselha os empresários a darem para já os 25 dias de férias aos seus trabalhadores. Consta que um deles sofreu uma indigestão depois de um ataque de riso e que outro deu os parabéns ao ministro pelo seu eloquente humor negro…
6) Alguém tem de explicar ao ministro Bagão que ainda faltam dois anos para as eleições legislativas.
7) Pina Moura vai gerir a Iberdrola em Portugal. Assim se pagam favores aos compinchas.
8) Para acabar: consta que nos meios ultra secretos do Pentágono já se pensa em contratar Sadam Hussein para pôr ordem no Iraque…

sexta-feira, abril 02, 2004

Além de F(P) tem de se ser lambe cús

Pois, tenho pena mas tenho de voltar aos F(P).
Esta m... deste governo, para além de nos enganar em empregos, preços e condições de trabalho, alinhar com o cartel das petroliferas que, desde a liberalização tem sempre sido a aumentar (o peixe podre diz que é o mercado - palhaço!) vem agora dizer que a avaliação dos F(P) passa a ser diferente.
Assim vamos passar a ter uma análise por Objectivos com um peso de 60%,Competências com 30% e finalmente Atitude Pessoal com 10%.

Começando pela última foi finalmente oficializado aquilo que já se sabia à muito tempo. PARA SER PROMOVIDO É PRECISO LAMBER O CÚ AO CHEFE. Que agora isso só pese 10% é simplesmente para disfarçar.
Quanto à competência nada a dizer .... excepto que com 30% de peso, se isto fosse real TODOS OS MINISTROS, SECRETARIOS, SUB-SECRETARIOS e OUTROS NOJOs, iriam já para a rua. Ahhh! pois! eles não são F(P) (de funcionário público) mas sim F(P) (a outra interpretação).
De qualquer modo então teremos directores e quejandos todos na rua. DUVIDO.
Finalmente os Objectivos - mas como se pode pensar em analisar objectivos se os chefes e chefinhos F(P) raramente dão objectivos concretos (que muito provavelmente também não recebem dos chefões).

Portanto sejamos realistas: o peso será ATITUDE PESSOAS-60%, OBJECTIVOS-30%, COMPETÊNCIAS-10%.

Para acabar, por acaso já notaram que por acaso (e só por acaso) não existe ninguém conotado com os partidos do poder nos processos da Casa Pia (piu, cala-te boca!)

quinta-feira, abril 01, 2004

Parece que são bruxóffs

O uKabdsinais mandou o que se segue, que merece divulgação e apoio por parte da TM.

Este artigo do jornal "Pravda" da Federação Russa, resume bem aquilo que toda gente sente e diz em voz baixa; falta-lhe, talvez, referência a um aspecto fundamental do diagnóstico do estado actual da nossa psique colectiva, isto é, a acção extremamente negativa, "desinformativa" e imbecilizante dos media lusitanos.

São dois os principais problemas de Portugal: os poucos pessimistas profissionais, que passam a vida a contaminar o resto da população, e uma governação inadequada, ineficiente, ineficaz e fora de contacto com a
realidade no país.
Que Portugal e os portugueses têm inegáveis qualidades, não hajam dúvidas. Não é por nada que Portugal é um país independente e a Catalunha, a Bretanha, a Escócia e a Bavária o não são. Não é por nada que o português é a sétima língua mais falada no mundo, à frente do alemão, do francês e do italiano.
No entanto, estas qualidades precisam de ser cultivadas por quem foi eleito para liderar e dirigir o país. O que acontece é que nem agora, nem por muito tempo, Portugal tem tido líderes dignos do seu povo, capazes de liderar a nação, realizar os projectos que foram escolhidos para realizar.
O resultado é uma onda de pessimismo, no meio dum mar de desemprego, desinteresse e desorientação que serve de combustível para a economia emocional não funcionar, aquela economia que é tão importante quanto a economia das quotas de oferta e procura. A consequência é uma retracção não só da economia mas também do psique da sociedade, com uma introversão patológica a manifestar-se no escrutínio colectivo do umbigo nacional, ou um pouco mais abaixo.
A não-história da pedofilia, já uma psicose nacional, é um belíssimo exemplo de até onde pode chegar uma sociedade quando nem é orientada nem estimulada a pensar em horizontes mais saudáveis. Há mais que um ano, a imprensa portuguesa regurgita a história do abuso sexual de meninos do orfanato/escola Casa Pia, apontando nomes sonantes da vida pública que nem têm lugar aqui, visto que até ser provado ao contrário, uma pessoa numa sociedade civilizada, é considerado inocente. Na busca de quem foi ou quem não foi, deu origem ao levantamento na praça pública duma lista substancial de nomes do mundo artístico, desportivo, e político, aos mais altos níveis.
Não é a causa do pessimismo em Portugal, mas espelho dele. A noção que "nós não prestamos, somos os coitadinhos da Europa e a alta sociedade é podre" que se ouvia nos finais dos anos 70, desapareceu, mas com a não governação do primeiro-ministro José Barroso, voltou. Está tangível, quanto mais para um estrangeiro que ama e estuda este país há 25 anos.
Outra manifestação deste pessimismo é a negatividade ao nível das conversas nos cafés (inaudíveis nos claustros de cristal onde pairam os governantes do país) acerca dum evento que a priori é a melhor hipótese que Portugal alguma vez tem tido para se projectar na comunidade internacional? o Euro 2004. O Euro 2004 é o ponto desportivo mais alto na história quase milenar de Portugal. É um dos três mais vistos eventos televisivos no mundo e é uma excelente oportunidade de enterrar de vez a falácia que Portugal é uma província espanhola. Mas o que é que acontece?
Enquanto o resto da Europa se prepara com entusiasmo para o Campeonato da Europa em Futebol, o que se ouve em Portugal por todo o lado é que os estádios não estão preparados, ou que não são seguros, ou que os aeroportos não estão adequados ou que vai haver problemas com hooliganismo ou com terrorismo.
Disparate! Ou pior, uma vergonha, por quem perpetua este tipo de lixo que se chame notícias por aí.
Para começar, os estádios estão tão prontos que já se joga futebol neles.
Segundo, as normas de segurança têm de obedecer a rigorosíssimas normas de controlo estipuladas pela inflexível UEFA.
Terceiro, os aeroportos têm dos sistemas mais avançadas de controlo de tráfico aéreo, total e completamente integrados nos da União Europeia e mais, os adeptos não vão todos chegar no mesmo dia, nem todos de avião.
Quarto, quando os bilhetes foram vendidos na Internet, foi consultada a base de dados proferida pelas forças policiais dos países presentes no Euro 2004.
Quinto, Portugal é alguma vez um alvo para ataques terroristas, desde quando? Só se fossem as FP-25 de Abril.
Porém, onde estão as autoridades a explicarem a verdade, a estimular a população, a instilar o optimismo, não só para o Euro 2004 mas para galvanizar a economia, a liderar o país? Exactamente onde estiveram, estes ou outros, quando os interesses dos portugueses estavam a ser vendidos por um preço barato, o que levou gradualmente à situação actual em que uma família portuguesa gasta substancialmente mais do seu ordenado em necessidades básicas do que no resto da Europa. Não se admite que num supermercado espanhol, se encontram exactamente os mesmos produtos bem mais baratos do que em Portugal, não se admite que no Reino Unido o cesto básico de alimentos custa bastante menos, quando se ganha cinco, seis ou sete vezes mais. Há duas semanas, vi três restaurantes no centro de Londres com o cartaz "Comam o que quiserem por £5.45 - 9 Euros, ou um pouco menos.
Os portugueses gastam uma fatia tão grande do seu ordenado em mantimentos fundamentais que não há capital disponível para os serviços, restringindo a economia a um modelo básico e muito primário.
Se bem que Portugal é um país pequeno, também o é a Bélgica, a Dinamarca, os Países Baixos, o Luxemburgo, a Suiça, a Irlanda. Estes países têm um plano de médio e longo prazo e nestes países ganham os lugares de destaque pessoas competentes e devidamente qualificadas e formadas.
Em Portugal, o plano é ganhar as próximas eleições, ponto final.
O que acontece depois? Há uma onda laranja ou cor-de-rosa a varrer o país e ocupar todos os quadros altos e médios, seja em ministérios, em faculdades, em firmas, até em hospitais.
O grande plano é, quanto muito, de quatro anos, o que explica a pequenez de pensamento e a falta de visão personalizada por uma ministra das finanças que trata a economia do país como se fosse uma dona de casa maníaca, que, munida com uma tesoura gigante, tenta transformar um lençol de cama de casal numa bata para uma boneca diminuta? Corta, corta, corta.
O resultado disso tudo é o que se vê: desempregados à espera de emprego durante largos meses, não semanas, sem receberem um tostão do governo que elegeram para os proteger. Quão conveniente por isso que o país fale de
pedófilos e não da economia, do emprego, da falta de poder de liderança deste "governo" PSD/PP, da ausência duma cariz democrático, ou social, ou calor humano destes, que foram eleitos para proteger seus cidadãos. O que fizeram? Absolutamente nada. Lamentaram que o país era um caos, e calaram-se. Então, onde estão as políticas de
salvação? Portugal está, e por muito tempo tem sido, liderado por uma argamassa de cinzentos incompetentes que venderam os interesses do país irresponsável e negligentemente para fora. Portugal precisa de quem tenha o brio e a chama suficiente para incendiar a paixão do povo deste país lindo, desta pérola do Atlântico, de ajudá-lo a ir ao encontro dos seus sonhos, acreditar em si, redescobrir as suas consideráveis qualidades e colocar Portugal num lugar de destaque entre a comunidade internacional.
O leitor pode apontar quem tenha feito isso nos últimos anos? O José Barroso está a fazê-lo? Caso contrário, se não descobrir, e rapidamente, quem for competente para governar este país, os projectos audazes e brilhantes, que vão de mãos dadas com o espírito e a alma portuguesa, como por exemplo a EXPO 98 e a EURO 2004, ambos com uma gestão excelente e uma preparação de que poucos países se poderiam gabar, perder-se-ão no mar de lamúria que assola Portugal.
Francamente, a paciência dos que tanto lutaram para fazer qualquer coisa deste rectângulo atlântico, começa a esgotar-se. Já que gostam de dizer que quem não está bem deve mudar-se, começa a ser uma excelente ideia.

Timothy BANCROFT-HINCHEY
Director e Chefe de Redacção
PRAVDA.Ru Versão portuguesa

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Espero não estar a infringir quaisquer direitos de autor mas se tal acontecer digam que se tira isto.